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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Aids e “racismo ambiental” ameaçam quilombolas na Reserva Biológica do Vale do Guaporé


Enviado por Edson Hely Silva




- De 150 exames de Aids coletados neste ano no Vale do Guaporé, 80 apresentaram resultado positivo. O governo estadual tentou manter a informação em sigilo até a véspera deste 13 de Maio, data do 133º ano de assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil.


- Pode-se dizer que os dados fazem parte daquilo que alguns chamam de “processo de africanização” de Rondônia. O Vale do Guaporé é marcado por uma paradisíaca Reserva Biológica povoada por comunidades ribeirinhas, indígenas e remanescentes de quilombo cuja territorialidade é vital para sobrevivência e organização.

- Os dados sobre a elevada incidência de Aids foram coletados pelo Instituto de Pesquisas em Patologias Tropicais (Ipepatro) e encaminhados para a Secretaria Estadual de Saúde. Dois pesquisadores do Ipepatro confirmaram os números à reportagem, porém se recusaram a comentá-los sob o argumento de que a questão é de competência da Secretaria de Saúde.

- A coordenadora estadual do programa DST/Aids, Eliana Alves da Silva Mendes, foi procurada com insistência pela reportagem. Ela não atendeu a mais de 20 ligações nem respondeu à mensagem de texto enviada para o celular com pedido para que se pronunciasse a respeito da situação de saúde no Vale do Guaporé.

A reportagem apurou que três prostíbulos funcionaram na região nos últimos anos e que as populações ribeirinhas costumam auxiliar turistas que pescam na Reserva Biológica. Com freqüência, a área também é percorrida por políticos e empresários do Estado, que costumam se relacionar com as mulheres do lugar, a quem chamavam pejorativamente de “piranhas de barranco”.

- A Reserva Biológica do Vale do Guaporé foi criada em 1982 e seu plano de manejo elaborado dois anos depois. Com 603 mil hectares, está localizada à margem direita do rio Guaporé, ao sudoeste do Estado.

Após anos de intensas pesquisas, o professor Marco Antonio Domingues Teixeira, do Departamento de História da Universidade Federal de Rondônia (Unir), é o maior estudioso no Estado da vida nas comunidades remanescentes de quilombo no Vale do Guaporé.

- As condições de vida da população de Santo Antônio se igualam aos padrões de miséria das regiões mais pobres da África. Casas construídas em palha, absolutamente desprovidas de mobília e de qualquer tipo de conforto, ausência total de acesso aos benefícios da civilização no século XXI. Dentro das casas começamos a fazer outro tipo de pesquisa, recentemente, junto com pesquisadores do Ipepatro. Foram coletados barbeiros e já há dois casos diagnosticados de mal de Chagas. Há uma possibilidade aventada de que uma parte considerável da comunidade esteja contaminada pela doença. Se isso se confirma, é uma bomba na questão sanitária e médica dentro do Estado de Rondônia - afirma Teixeira.

Leia a entrevista completa ao Blog da Amazônia
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