"Acreditando na magia que existe na educação! Buscando ser a mudança que quero ver no mundo"!
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domingo, 11 de dezembro de 2011

PROGRAMA "MAIS EDUCAÇÃO" NA CONTRAMÃO


 "Não necessitam de médicos os sãos, mas sim ,os doentes."  (Jesus Cristo -Marcos 2:17)

 Programa "Mais Educação" em algumas escolas de Gravatá, está excluindo alunos com problemas de comportamento. Este texto pode parecer denúncia, reclamação ou pura pentelhice, mas na realidade, tem a intenção de provocar uma reflexão sobre os motivos que estão provocando estas ações.
 
Embora seja uma ávida crítica da transferencia de responsabilidades imposta pelo governo e pela própria sociedade, para a escola e professores, no cuidado das crianças, concordo com a teoria de Josué de Castro, no que concerne a questão da fome no Brasil, parafraseando uma de suas citações: "se a escola não tem obrigação de resolver o problema da fome, cabe a ela ao menos matar a fome do dia, de forma plena". Acredito que essa teoria se aplica também ao projeto de educação integral do governo federal, que visa deixar sob o cuidado da escola um número consideraval de crianças em situação de risco. Nesse caso, o perfil desses alunos já é (re)conhecido pela escola. São crianças que vivem em lares instáveis, sem referencia de autoridade, com pais prostituidos e/ou drogados, alcolatras, violentos, sem alimentação adequada...enfim, com sérios problemas de ordem comportamental, advindos do abismo social no qual estão imersos. Não há novidade nas escolas públicas quanto ao perfil da maioria de seus clientes/alunos.
Quando Jesus estava sentado à mesa na companhia de pecadores,foi questionado pelos fariseus,os religiosos da época,por causa desta atitude. Então Jesus lhes respondeu: "Não necessitam de médicos os sãos, mas sim ,os doentes."

 Não cabe a desculpa de falta de estrutura fisica, pois este é também um problema que, embora esteja sendo minimizado  neste governo, com as reformas e ampliações das escolas, já acompanha a educação há décadas. Neste caso, houve tempo suficiente para buscarmos adequações, outras alternativas, parcerias, enfim: solução. Reclamar é algo peculiar aos desprovidos de capacidade de transformar o meio e melhorar a situação adversa.

Uma questão que cabe discussão e reflexão é o perfil da equipe escolar quanto ao compromisso assumido para com nossas crianças (do porteiro ao gestor) e a equipe do programa, tanto os monitores quanto os coordenadores. Há de fato identidade com este tipo de trabalho a ser desenvolvido, ou mero interesse em aumentar a  remunenação recebida? Há, por parte de alguns funcionários, uma repetição repulsiva do discurso: "Isso não é trabalho meu!" - Será que esse discurso se aplica, especialmente na educação? O processo de ensino-aprendizagem depende apenas do trabalho desenvolvido em sala de aula??! É claro que não! A educação deve funcionar como uma orquestra. Todos os instrumentos precisam estar afinados (comprometidos) para que a música tocada seja de qualidade, encante!

Da mesma forma que conseguimos ministrar uma aula que foi preparada para o power-point usando o quadro de giz se o equipamento estiver com defeito, podemos encontrar alternativas que não provoquem mais exclusão na vida de crianças que já têm que lidar com abandono e falta de um lar que os ajudem a se desenvolver de forma saudável. Se está nas nossas mãos, então façamos, da melhor maneira!

Não há uma receita pronta. Particularmente já tive muitos problemas com indisciplina e agressão, mas para chegar ao ponto de providenciar a saida de um aluno da sala ou da escola, já havia esgotado todas as outras possibilidades e alternativas, depois de pelo menos 6 meses de tentativas. No caso do Programa "Mais Educação", o funcionamento tem apenas 1 mês. Considero extremo a expulsão ou substituição destes alunos.

Não estou sugerindo que é fácil. Mas, acredito que é possível, especialmente se houver vontade, determinação, parceria, compromisso de todos que fazem a educação escolar acontecer.



"Um ao outro ajudou e ao seu companheiro disse: esforça-te!" (Isaías 41: 16)

Aos que não se encaixam neste perfil de trabalhar com crianças de periferia,com todos esses problemas advindos desta sociedade hipócrita e desigual,  por favor, tenham a ombridade de "pedir para sair", até porque, se falharmos com essas crianças hoje, poderemos ser os próximos alvos do revólver de um deles amanhã.
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