"Acreditando na magia que existe na educação! Buscando ser a mudança que quero ver no mundo"!
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sexta-feira, 21 de maio de 2010

PROFESSORES DE GRAVATÁ PARTICIPAM DA X ASSEMBLEIA XUKURU DO ORORUBÁ


Um grupo formado por 12 profissionais da área de História e Geografia, dentre os quais, me incluí, participaram do último dia da Assembleia Xukuru, iniciando com a participação na missa realizada na Aldeia Pedra D'Água, onde o Cacique Chicão está plantado há 12 anos.

Particularmente, preciso deixar meu relato sobre o que representou para mim esta experiência. Convivo com o povo xukuru há aproximadamente 2 anos, mas ainda não tinha tido oportunidade de participar de uma Assembleia, muito menos, de entrar no espaço sagrado, onde os guerreiros que tombaram na luta foram plantados.

Sempre registrei aqui a receptividade do povo, algo comum aos xukuru para com aqueles que são simpatizantes da causa e aliados na luta, como é meu caso, também de conhecimento público.Desta vez, não foi diferente das outras 04 visitas que realizei.

Fizemos o percurso até bem próximo de Pedra D'Água, de carro, algo em torno de uns 3 km. A subida até a mata é relativamente curta, com uma visão da natureza bucólica. Tudo é grandiosamente belo, e mágico.

Alguns colegas pareciam crianças quando ganham doces, de tanto êxtase, fotografando, filmando. O novo e o diferente exercem fascínio sobre qualquer um, e esta ocasião realmente era digna de tudo isso. Não era pra menos. Confesso que ser reconhecida pelo cacique e por algumas lideranças, como o irmão do cacique - Gordo, o Prof. Adjailson e outros, me deixou super-honrada. Foi outro momento ímpar, poder rever amigos, parentes e abraçá-los. De fato, me sinto em casa!

Assistimos a missa com expectativa, eu particularmente, por não professar a fé católica, confesso ter tido uma grata surpresa com a fala coerente do Bispo de Pesqueira, Dom José. Conciso, equilibrado e muito feliz em suas colocações, voltou a manifestar seu apoio ao povo Xukuru e a todas as lideranças que continuam sendo criminalizadas.

Não sou expert em cálculos, mas creio que havia umas 2 mil pessoas acompanhando a missa, entre crianças, jovens e adultos, além de várias pessoas idosas.

Retornamos até a casa de D. Zenilda, para aguardar o horário de saída da marcha - 14 h. Entramos em uma fila para pegar um lanche, e é claro que não pude deixar de observar que, em meio a mais de 3 mil pessoas, não houve empurra-empurra, nenhuma desordem. Todos aguardavam pacientemente para pegar pão e suco, de forma ordenada, como a ocasião pedia.
Sentamo-nos, eu, o Prof. Lenilson, a Profª Dedé e Profª Nalva buscando a sombra de algumas árvores, enquanto o outro grupo de professores preferiu seguir até Pesqueira para almoçar.

Pontualmente, as 14 horas, já estávamos no meio do povo, na estrada, o Cacique subiu na porteira que delimita a entrada da aldeia, e todos, repito, todos em silêncio, do maior ao menor, sem que necessitasse uso de microfone, muito menos de gritos, responderam ao seu chamado: "Digo ao povo que avance"!! Uníssono: "NÓS AVANÇAREMOS"!

Até agora, ao repetir esta frase, sinto o corpo todo arrepiar. Só quem esteve lá provavelmente entenderá do que falo, mas, mesmo quem apenas ler este texto, e ao ver as imagens, creio que poderá sentir um pouco a magia que experimentamos nesse dia, nesse momento. A determinação, a força, a garra e organização de um povo com seu líder à frente é algo que impressiona e extasia.

Ao abrir o portão, todos, cantando, em marcha firme e rápida, seguiram as lideranças por aproximadamente 5 km, a pé, até o Bairro Xukuru, onde o Cacique Chicão foi assassinado, para realização de mais um ato público, com a presença de outros indígenas, como é o caso da liderança Potiguar - o Capitão,e uma jovem Truká, além de Eliene, do Centro de Cultura Luis Freire, integrantes do CIMI, UFRPE, e alguns politicos como Humberto Costa.

A data já é um marco. Cada rosto, cada palavra que escutei e tudo que vi ficarão guardados em meu coração e em minha memória para sempre. Haverá outras Assembleias, e farei o possivel para participar delas, mas essa, foi a primeira, e desta forma, única!

Meu muito obrigada ao povo Xukuru, por me permitir fazer parte deste momento sagrado! A luta continua, sempre!

Contra a criminalização do Povo Xukuru, assine a petição on-line.
Acesse:
www.petitiononline.com/xukuru/petition.html



(para Jornal Igreja Nova. Recife, abril, 2005).

XICÃO XUKURU: “Ele foi plantado para que dele nasça novos guerreiros”

Por Edson Hely Silva *


O dia 20 de maio é de luto para o povo Xukuru do Ororubá em Pesqueira. Era uma quarta-feira, um dia como outro qualquer da feira semanal na cidade, momento em que os índios xukurus descem de suas aldeias na Serra do Ororubá para comercializar seus produtos, comprar os gêneros que necessitam, resolver alguma pendência, etc. Nesse dia em 1998, quando o Cacique Xicão estacionava o carro na frente da casa de sua irmã, no Bairro Xukurus, um estranho se aproximou e a queima roupa disparou vários tiros assassinando o Cacique ainda dentro do veículo, fugindo o pistoleiro em seguida.

Com o Cacique Xicão, o povo Xukuru a partir dos anos 1980 retomou a mobilização por suas terras secularmente invadidas por fazendeiros. Após a participação na campanha da Assembléia Nacional Constituinte, com a expressiva liderança e atuação do Cacique, motivados pelas conquistas na Constituição de 1988, os Xukuru articulados com setores da sociedade civil, como o CIMI (Conselho Indigenista Missionário, órgão anexo à CNBB), iniciaram a retomada de seu território tradicional, reocupando áreas de várias fazendas.

A liderança de Xicão atraiu a ira dos fazendeiros, muitos deles membros da oligarquia de Pesqueira. Ele passou a receber várias ameaças de morte. Mesmo após o brutal assassinato de Xicão e posteriormente do líder Chico Quelé em agosto/2001, embora bastante abalado, o povo Xukuru continuou por meio da articulação interna, o processo de organização e mobilização pela conquista de seus direitos, de suas terras hoje reocupadas em cerca de 85%.

Por essa razão, o 20 de maio é também um dia de reconhecimento e afirmação indígena, de protesto em memória do Cacique Xicão, pela impunidade das violências contra os povos indígenas e suas lideranças. Nesse sentido, anualmente ocorre a Assembléia do povo Xukuru quando são discutidos os problemas e elegidas as prioridades de trabalho para os próximos meses. Após um ato religioso no centro da mata na Aldeia Pedra D’ Água, local em que Xicão foi “plantado”, é realizada uma grande caminhada, com a participação massiva dos Xukuru, além de indígenas de outras delegações de várias partes do Brasil, aliados e muitas pessoas solidárias com os povos indígenas, que descem da Serra do Ororubá, passam pelas ruas centrais de Pesqueira e vão até o local onde Xicão foi assassinado, onde um multidão fazem um ato público em sua memória.

A leitura da trajetória de atuação do Cacique Xicão nos faz lembrar de outras lideranças, a exemplo de Margarida Maria Alves, camponesa, líder sindical em Alagoa Grande/PB, assassinada a mando de fazendeiros nos anos de 1980, que afirmava “morro, mas não fujo da luta!”. Como Santos Dias, líder operário, assassinado pela polícia, na mesma época, durante uma greve dos metalúrgicos em São Paulo, e de tantas outras lideranças mortas na defesa de uma sociedade plural, de igualdade, justiça e dignidade para todos/as.

A persistência do Cacique Xicão, de Chico Quelé, o empenho, a luta, suas vidas e de tantos outros/as que lutaram pelo reconhecimento dos direitos indígenas, da justiça e vida plena, não foi em vão: “Do sangue de Margarida, margaridas!” e como dizem os Xukuru sobre Xicão, “ele não foi enterrado, ele foi plantado, para que dele nasça novos guerreiros!”.

Somos chamados/as para testemunhar a concretização dessas afirmações no próximo dia 20 de maio indo a Pesqueira.

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Edson Silva é professor no Col. de Aplicação/CENTRO DE EDUCAÇÃO-UFPE.

E-mail: edson.edsilva@gmail.com




Aproximadamente 05 km de caminhada até o Bairro Xukuru - eu, Dedé, Lenilson e Nalva, com a força de Tupã
!!



Conclamando os guerreiros e guerreiras do Ororubá: Avancem!





Celebração da missa




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