"Acreditando na magia que existe na educação! Buscando ser a mudança que quero ver no mundo"!
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sábado, 21 de março de 2009

Projeto Saber e Sabor - os saberes e sabores do Brasil

Desde que iniciei minha carreira no magistério, optei por trabalhar com projetos, vislumbrando a dinâmica das aulas e o produto final, elaborado ao fim dos trabalhos, que tem, dentre outros objetivos, fazer uma éspecie de prestação de contas do conteúdo estudado. Neste ano, iniciamos com uma proposta que tem me dado muito prazer em vivenciar, dando sequência a uma prática e conteúdo que acredito serem a saída tanto para diversos percalços na educação, quanto para a convivência harmônica de todos os seres. Compartilho com vocês algumas propostas.



(Escola Antônio Borges - Cotunguba - 2003)



Projeto Pedagógico: Saber e Sabor (os saberes e sabores do Brasil)



Educadora: Sunamita Silva de Oliveira Albuquerque
Escola Municipal John Kennedy
Turma: 4ª série “C”
Duração: 06 meses (fevereiro a junho de 2009)


Objetivo Geral:
Proporcionar aos alunos subsídios para que melhorem sua qualidade de vida, a partir da preservação do meio ambiente, desde a tomada de ações simples, como não jogar lixo no chão, a produzir menos resíduos, bem como, mudar hábitos alimentares com risco iminente à saúde e ao seu desenvolvimento cognitivo e intelectual.

Objetivos específicos:
*Proporcionar ações efetivas de preservação e conservação do meio ambiente, como alternativa para nossa própria sobrevivência.
*Realizar o replantio de parte da mata ciliar do rio Ipojuca, no perímetro próximo a escola.
*Reivindicar alimentação mais saudável e nutritiva para as crianças, através dos Programas de reeducação alimentar e Merenda Orgânica.
*Criação de hortas escolares orgânicas, seguindo as novas tendências pedagógicas.
*Resgate da cultura do meio rural, com a permanência do homem no campo.
*Valorização da produção regional.
*Combate a obesidade, uma das maiores pragas do século XXI.
*Demonstrar que é possível o consumo variado de alimentos, de acordo com o poder aquisitivo de cada um.
*Combate ao desperdício.
*Redução do consumo de alimentos gordurosos e pouco nutritivos.
*Conhecer os riscos da má alimentação e do sedentarismo.
*Conhecer os fatores históricos da obesidade no Brasil e no mundo.
*Conhecer os problemas causados pela fome e má distribuição de renda.
*Identificar os efeitos do consumismo e a influência da mídia sobre nossas ações.
*Conhecer os valores nutricionais dos alimentos.
*Aprender a utilizar o alimento integralmente.
*Reconhecer o princípio da alimentação saudável: Quanto mais colorido o prato, mais saudável.


Conteúdos contemplados interdisciplinarmente:


Ø Língua Portuguesa: Gêneros textuais (reportagens, músicas, receitas, artigos, livros didáticos, etc.), compreensão e interpretação de texto, gramática, ortografia.


Ø Matemática: As quatro operações, medidas convencionais (peso, comprimento, etc.), sistema monetário brasileiro, juros simples.


Ø Ciências: O meio ambiente como um organismo interligado ao homem; fauna e flora; a água (abundância, escassez); poluição; queimadas e derrubadas; a mata atlântica; as matas ciliares; os rios do Brasil e da região nordeste (PE); a produção agrícola; os problemas do campo; os agrotóxicos; monocultura; agricultura familiar e orgânica; a subnutrição; a obesidade; os nutrientes; funcionamento do corpo humano; qualidade de vida.


Ø Educação ambiental: promoção de ações educativas, como: evitar o desperdício de água, não jogar lixo no chão, produzir menos resíduos, adotar uma árvore, etc.


Ø História: As diferentes culturas e sua relação com o meio ambiente e com os alimentos – exemplos: no Brasil, os nativos (Fulni-ôs, Pankararus, etc.) e no mundo: Japão, China, Israel, Portugal, África.


Ø Geografia: Vegetação brasileira e pernambucana; clima; relevo; divisão política e suas peculiaridades; impactos ambientais devido às ações do homem – mudança nas paisagens; espécies nativas de plantas de cada região - agreste, brejo, sertão, em nossa cidade.


Ø Artes: Artistas contemporâneos e modernistas que retrataram a mudança do biotipo brasileiro (releitura).


Ø Educação física: prática de um esporte para melhorar o condicionamento físico e a qualidade de vida (basquete, corda, capoeira).


Ø Inglês: Canções e artistas que transformaram seu amor ao país, ao mundo ou a causas sociais em composições. As redes de fest-foods americanas.

Justificativa:

Quando pensamos em abordar o assunto “alimentação” na escola, a primeira idéia que nos vêm à mente é a que diz respeito aos professores de ciências e biologia e que o principal (ou único) enfoque deve ser a entre os nutrientes e o nosso organismo. Na realidade, a alimentação tem um contexto mais amplo, em nosso cotidiano, em nosso contexto de vida e no processo histórico no qual tomamos parte.
Alimentação é o primeiro degrau constitutivo da dignidade humana. Direito elementar e sagrado. Sem comer adequadamente, nenhuma pessoa é capaz de produzir, de sonhar direitos mais elevados, de se desenvolver. Sem alimentar seu povo nenhuma nação se põe de pé. Só se forma como pátria nos direitos elementares e estimula o desenvolvimento coletivo e inclusivo (ANANIAS, 2008).
A cultura de um povo pode ser entendida como sua identidade coletiva. Ela se traduz na forma como as pessoas vivem, interagem e entendem a vida: no jeito de vestir, de dançar, na música, nas artes, na maneira de criar os filhos, nas crenças e religiões e também na forma de se alimentar.
Nossa alimentação (o que e quando comemos, como preparamos) é uma manifestação importante da nossa cultura. Os alimentos comuns e os pratos escolhidos para os momentos de festa, assim como as receitas que vão passando de geração para geração, contam muito da história e das raízes de um povo.
Em nosso país, os hábitos alimentares são muito diferentes em cada região, nas áreas urbanas e rurais, nas grandes e pequenas cidades. Tão importante quanto incentivar nossos alunos a conhecerem os hábitos e costumes alimentares de cada região do país é valorizar a identidade nacional, que tem como marca registrada a mistura de diversas etnias e culturas, cada uma delas trazendo sua contribuição: índios, africanos, asiáticos e europeus (portugueses, espanhóis, italianos, alemães, entre outros).
Mas a cultura de um povo nunca está finalizada. Ao contrário, está sempre se modificando como fruto da integração entre história, raízes e aquisição de novos hábitos, costumes e idéias. Em um mundo globalizado, a mídia (televisão, rádio, jornais e revistas) veicula mensagens que estimulam o consumo de determinados produtos e as redes de comércio oferecem os mesmos alimentos nas mais diferentes realidades, ultrapassando fronteiras regionais, nacionais e até continentais, tornando cada vez mais padronizada a alimentação de pessoas que vivem em contextos amplamente distintos.
A questão alimentar também está diretamente relacionada com os impactos ambientais e a degradação da natureza, uma vez que, mesmo as pessoas com baixo poder aquisitivo precisam comer diariamente e o número de habitantes no planeta continua crescendo, a produção de alimentos torna-se um negócio promissor, gerando lucro para as grandes empresas, que derrubam matas para aumentar suas produções, poluem cada vez mais o solo a e água para controlar as pragas provenientes da monocultura executada por elas.


As transformações que realizamos na natureza têm impacto direto ou indireto sobre todas as formas de vida existentes e, particularmente, sobre as condições de saúde e a qualidade de vida das pessoas.
O movimento ambiental, que cresceu e consolidou-se nas últimas décadas, ampliou a consciência para essas questões e está levando as pessoas reconhecerem que “estamos usando nossa capacidade de transformar o ambiente de modo a torná-lo insustentável para as gerações futuras. Não podemos transformar, sem limites, a natureza. Somos muitos, os recursos da Terra são finitos, e a nossa tecnologia causa forte impacto no ambiente: polui o ar e a água, altera o solo, destrói florestas e outros ambientes naturais, transforma a atmosfera, modifica o clima. Não é mais possível explorar ilimitadamente os elementos da natureza a causar tantos impactos ambientais”. (CARVALHO, 2000).
Um marco importante nesse movimento foi a realização da Conferencia do Rio de Janeiro, patrocinada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1992, e conhecida como ECO 92. Essa reunião contou com a participação da maioria dos países do mundo e resultou na produção de um documento assinado por mais de 170 países – a Agenda 21. (ONU, 1992).
A Agenda 21 inclui um programa de ações criado com a intensa participação da sociedade e voltado para um desenvolvimento sustentável: que atenda as necessidades do presente sem comprometer a qualidade de vida das gerações futuras. Estabelece compromissos para a ação dos países e dos governos, reconhecendo a autonomia e responsabilidade de todos e de cada um, pela formulação e implementação dessas propostas, de acordo com a realidade local. Neste sentido, ela é um instrumento para o planejamento da ação ambiental em cada país, estado ou município, e envolve um processo contínuo de ação da sociedade, pois somente assim estaremos caminhando rumo a um desenvolvimento eficiente e duradouro.
Estamos vivendo o início da consolidação da educação ambiental nos sistemas de ensino, impulsionada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais – que estabelecem a Educação Ambiental como tema transversal do currículo.
A educação ambiental é um instrumento de formação de uma nova consciência através do conhecimento e da reflexão sobre a realidade ambiental. Busca o desenvolvimento de atitudes e condutas que favoreçam o exercício da cidadania, a preservação do ambiente e a promoção da saúde e do bem-estar.
Valorizando a idéia de que é possível construir um mundo no qual o ser humano aprenda a conviver com seu habitat numa relação harmônica e equilibrada, atenção à questão ambiental precisa estar presente em todas as atividades realizadas. É necessário, portanto, promover propostas educativas que venham propiciar a reflexão, o debate e a transformação das pessoas e das instituições.


Metodologia e recursos:

Aulas expositivas, com informações obtidas através de livros didáticos, pesquisa na internet, artigos de revistas e jornais.
Filmes alusivos ao tema, bem como canções do mesmo gênero.
Aulas em power-point;
Intercâmbio escolar;
Excursões pedagógicas – visitas a: Agricultura Monocultura, engenho de açúcar e usina de álcool; visita a São Severino (Agricultura Orgânica); visita a uma Tribo indígena.
Aulas de campo: visita a restaurantes temáticos – japonês, chinês, português, africano e brasileiro (capixaba, nordestino).
Parceria com a Secretaria de Meio Ambiente do município e ONGS.
Produtos finais:
* Mostra Cultural -pratos elaborados com as receitas do Norte, Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil, com suas origens.

* Livro de receitas: Os Saberes e Sabores do Brasil (receitas classificadas por regiões).

Um comentário:

Unknown disse...

Cara Sunamita,
Sempre que tenho acessado o blogdocastanha fico feliz quando encontro artigos escritos por você. E hoje, fiquei especialmente feliz por conhecer o seu blog e como não poderia ser diferente, constato a grande contribuição para a educação de Gravatá.Espero que através desse instrumento consigas a adesão de toda a sociedade gravataense para a construção de uma educação de qualidade que é o direito de todos e consequentemente dever.
Abraços, Francisca Nogueira

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