"Acreditando na magia que existe na educação! Buscando ser a mudança que quero ver no mundo"!
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

POLÍTICA NA ESCOLA




Mesmo nas séries iniciais, as crianças demonstram estar antenadas com os fatos que são notícia na cidade, desde outubro do ano passado.
Os conteúdos das disciplinas de História e Geografia, contemplamos assuntos: PODER ECECUTIVO, PODER LEGISLATIVO E PODER EXECUTIVO - DEMOCRACIA. Os livros didáticos apresentam qual deve ser a postura dos três poderes, quais as funções de cada um e qual o papel da sociedade diante de todos eles.
Por atuar há quase 10 anos na educação, sempre apresentei esses conteúdos com tranquilidade, mas confesso que, neste ano, por várias vezes fiquei sem argumento e respaldo diante de meus alunos por conta das indagações e questionamentos levantados por eles.
Um dos trechos que provocaram discurssão foi este, integrante do Livro Mundo para todos, de Lilian Lisboa Miranda - Ed. SM- 5º ano (pag.115): " ...na República Velha, o voto era aberto, ou seja, não era secreto. Hoje, a Constituição garante o voto secreto, ou seja, a pessoa vota dentro de uma cabine, sozinha. O voto secreto é uma garantia para o eleitor manifestar sua vontade politica, para que não se sinta obrigado a votar em alguém. Na República Velha, muitas, as pessoas eram obrigadas a votar nos candidatos escolhidos pelos politicos mais poderosos do lugar".
A discussão começou quando um aluno fez a seguinte observação: "Não mudou nada então. Tá tudo do mesmo jeito. Oxe, se não tiver pior". Questionei, perguntando porque ele pensava desse jeito.
Ouvi estarrecida a resposta de uma criança de 12 anos, que daqui a 04 anos estará tendo direito a voto.
Ele disse: " Um bocado de gente teve lá em casa, lá perto de casa, batia na porta de noite, dava dinheiro, dava cesta básica, dizia que era o prefeito que tinha mandado, e que era pra votar nele, e que ele ia saber se não a gente não tivesse votado. Minha mãe dizia, tá certo, mas não ela não ia votar nele, não. Mas tem um bocado de gente "burra" que acredita que eles sabem mesmo, dai eu acho que votaram, porque ficaram com medo. Tinha gente com medo de que acontecesse alguma coisa, porque tinha gente ruim trabalhando pra eles..."
Interrompi o aluno um momento, porque todos começaram a falar ao mesmo tempo, dizendo que os pais receberam dinheiro. Falavam dos valores. Uns 20 reais, outros, 50, e vários outros presentes. Respeirei fundo, contei até 10 e disse-lhes que já havia escutado várias outras pessoas relatarem a mesma coisa, contudo, embora tivessemos presenciado esse tipo de irregularidade, não significa que tenhamos que concordar, muito pelo contrario. Devemos apresentar nosso repudio e lutar para que haja moralização e garantia dos direitos de cada eleitor, de poder escolher seu candidato sem que haja coação, ou qualquer tipo de manipulação.
Ainda escutei comentarios de que, não vale apena votar, porque quem manda são os ricos. Embora tenha procurado de todas as maneiras argumentar, conclui que, para aquelas crianças, que daqui a 4 anos, outras, daqui a 3 anos serão eleitoras, o significado de DEMOCRACIA perdeu o sentido. Todos repetem, de cor e salteado que, justiça é só para pobre e que, quem manda é quem tem dinheiro.
Este é um quadro preocupante, não apenas para Gravatá. Sem que haja moralização de atual sistema poltico do pais, a tendencia é que este entre em colapso. A perda de valores tem conduzido a sociedade atual para abismos incomensuraveis. E, o que será desta sociedade, que terá nossas atuais crianças como líderes desta nação?
Lembro-me, como se fosse hoje, por volta do ano de 1989, poucas pessoas acreditavam que chegariamos ao ano 2000. Já estamos no final de 2009. O mundo não foi atingido por um meteroro celeste, mas, vem sendo bombardeado diariamente por promiscuidade, ações inescrupolosas, desvios de carater e conduta, dentre outros atributos vis. Até quando resistiremos? Se já consideramos NORMAL o que acontece no campo da politica, especialmente em época de pleito, em breve, o que será anormal? Zelar pelos bons costumes, pela ética, pela moral?
Sem falso moralismo ou puritanismo, é preciso termos consciencia acerca dos limites que devem ser respeitados e mantidos. Não conseguiremos sobreviver ao CAOS. Basta de impunidade e imoralidade!

"AO REI TUDO, MENOS A HONRA!" (Maquiavel)

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*O texto em negrito foi transcrito da forma como foi falada, para manter a fidelidade do pensamento expresso pelo aluno. Esta aula foi filmada, e o material arquivado, como tantos outros trabalhos deste porte.

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