"Acreditando na magia que existe na educação! Buscando ser a mudança que quero ver no mundo"!
CONTATOS: sunamitamagalialbuquerque@hotmail.com /sunamitanativaoliveira@gmail.com

terça-feira, 7 de julho de 2009

Opinião - Crianças indígenas: intrusão legislativa



Correio Braziliense - 07/07/2009


Por Elaine Moreira, Henyo Barreto Trindade Filho e Carlos Caroso
Sócios efetivos da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e presidente da ABA


Nos últimos anos, a imprensa nacional tratou do tema do infanticídio entre os povos indígenas no Brasil em vários momentos. As notícias divulgaram que o infanticídio seria prática recorrente entre 12 dos mais de 220 povos indígenas no país. Muitas notícias veicularam também a proposta de um projeto de lei que trata da obrigatoriedade de intervenção do Estado em realidades onde se supõe que o infanticídio ocorra: o Projeto de Lei nº 1057, do deputado Henrique Afonso (PT-AC), conhecido como Lei Muwaji. O Projeto de Lei Muwaji, apesar de pretender olhar para o futuro na defesa dos direitos humanos, está preso aos preconceitos vigentes. Parte de premissas equivocadas e preconceituosas em relação ao tratamento concedido às crianças indígenas por distintos povos. O tema do infanticídio carece de dados confiáveis, seja sobre a incidência, seja em relação aos povos que recorreriam a tal prática e, ainda, sob que circunstâncias. Sabe-se que o infanticídio é praticamente inexistente no Brasil. A literatura etnológica indica que as crianças indígenas gozam de atenção da comunidade e os pais acompanham cuidadosamente as fases de desenvolvimento dos filhos, observando ritos de passagem e buscando diuturnamente o bem-estar de crianças e jovens. O PL, diferentemente do que afirmam os especialistas, parte do pressuposto de que os ambientes familiares indígenas são bárbaros, ao se referir genericamente à existência de práticas “atentatórias” ou “nocivas” à vida das crianças. Ao consagrar no texto da lei a infundada suspeita de que os índios são cruéis com suas crianças, contribui para criminalizar e desmoralizar, antes que qualquer investigação, os povos indígenas perante à opinião pública. Ao enfocar exclusivamente os povos indígenas, o PL ofusca o fato de que práticas afins ao “infanticídio” ocorrem em maior número e sem sanção na moderna sociedade industrial — e desigual — em que vivemos. Nos EUA, por exemplo, cerca de 1 milhão de bebês são vítimas de maus tratos todos os anos e não menos de 20% morrem em virtude disso. Milhares de crianças não indígenas são maltratadas e mortas no Brasil: de duas a seis são assassinadas por dia na cidade do Rio de Janeiro e um número escandaloso morre por falta de alimentação e cuidados médicos. Não se trata, assim, de ser pró ou contra o infanticídio entre indígenas, até porque atos condenáveis não são normas sociais. A questão é como assegurar o respeito às tradições culturais dos povos indígenas, de modo que crianças e jovens possam continuar a gozar de tratamento adequado, diferente do tratamento, por vezes cruel, desumano e degradante que dispensamos às nossas crianças. Assim, aprendemos algo com os povos indígenas. A criminalização de práticas indígenas e o incentivo à denúncia propostos pelo PL não promove o estímulo construtivo à reflexão sobre práticas que todos consideramos abomináveis. O PL, da forma como se apresenta, usurpa dos povos indígenas o direito e a liberdade de negociar os dissensos por meio de deliberações internas autônomas. Sabe-se que em toda sociedade os valores são construídos socialmente. Muitas sociedades que no passado fizeram uso de práticas como o infanticídio, hoje, não o fazem. A circulação de novos valores promovida pelo movimento de mulheres indígenas e os encontros de lideranças indígenas tem contribuído de modo decisivo para as escolhas que os povos indígenas fazem para suas vidas. As declarações internacionais das quais o Brasil é signatário foram concebidas para humanizar as relações sociais e não para servir como instrumento de intervenção em nome de uma suposta superioridade moral. Cabe, assim, ao Estado de Direito proteger os povos indígenas para que tenham o direito de existir como sociedades diversas, conforme prevê a Constituição de 1988 em vigor. Pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, quaisquer documentos ou ações que interfiram na vida dos povos indígenas carece de consulta aos interessados, portanto que se proceda a consulta, pois ela é um direito. Importa notar, por fim, que enquanto esse PL tramita, muitas crianças indígenas são retiradas de suas comunidades por meio de um círculo de adoção à distância via internet, não regulamentado (ver sítios http://www.hakini.org/ ou http://www.vozpelavida.org/). Não é exagero supor que muitas pessoas, por desinformação ou preconceito, considerem que crianças indígenas viveriam melhor fora de suas aldeias. Como tais sítios são alimentados? Quem controlará o tráfico humano que tais práticas induzem? Quem são essas crianças, suas origens e trajetórias? São algumas perguntas que precisam ser respondidas pela Fundação Nacional do Índio (Funai), pelo Ministério Público e outras instituições, antes que o Congresso Nacional aprove leis intrusivas e criminalizantes. Arquivar o projeto e ouvir os povos indígenas seria a prática democrática recomendável num Brasil que se pretende plural.



______________________

Enviado por Dr. Edson Hely Silva - Pesquisador, Prof. do Colégio de Aplicação da UFPE

domingo, 5 de julho de 2009

“TODOS TEM DIREITO A ESTAR EM SEU ESPAÇO SAGRADO NA NATUREZA E ASSIM PODER EXPRESSAR SUA BELEZA” !

Por Liana Utinguassú *
Javy uju (Bom Dia) Todos! Inicialmente, sempre agradecemos à oportunidade em estar aqui, e agradeço pela Vida, sobretudo e é com este fio de raciocínio que gostaria de compartilhar hoje.
Vivemos tempos mais que delicados, sabemos que estamos no olho do furacão, sabemos que a Natureza Mãe convoca seus filhos a uma Retomada de Consciência profunda. É mais que emergencial Preservar, Reflorestar, Respeitar os ciclos da Terra e RESPEITAR direito à Vida de todas as espécies, dos reinos em geral. Que o SER HUMANO ,tão dotado de capacidades já hoje “questionáveis”, não seja mais considerado o maior predador na Natureza e seja ele o desencadeador de uma NOVA Consciência por uma mudança de comportamento onde o foco seja o SER e não somente o “TER”..Talvez surgindo o SER..TENDO se tenha caminhar que permita VIDA e não SOBREVIDA.
Dentro desta linha quero lhes contar algo pessoal que me fez nos últimos dias refletir muito sobre toda forma de caminhar que me toca nesta vida que é conduzida por um viés Espiritual, UM CHAMADO muito forte da TERRA, que ao longo de 20 anos me possibilitou voltar para casa, retomando minha vida Tribal como Guarani. Nasci na cidade, tenho impresso em mim estes registros, mas ,jamais deixei de ser quem sou, e jamais deixarei, é um legado ancestral e assim cada um tem o seu fio, o seu Chamado que em um determinado momento se descortina.
Coloco este breve relato para lhes contar que dentro deste CHAMADO DA TERRA, sobretudo vem o CHAMADO à VIDA . Recebi muitas bênçãos e recebo nesta VIDA. A maior delas, é ter gerado uma VIDA, logo após, em 2008, comecei a ser chamada para ajudar em partos e amparei mais vidas, com a vinda de uma linda menina que nasceu em 21 de setembro/2008 e recentemente um acontecimento que me deixou mais sensibilizada ainda, foi o encaminhamento de uma linda e amada senhora, que fez sua passagem neste final de semana e é por este acontecimento muito Sagrado, de ter sido CHAMADA para encaminhar sua Alma que escrevo aqui, sobre o VALOR DA VIDA!
Nas Aldeias Indígenas vemos todo tipo de situação, vemos a “VIDA” ser desrespeitada, vemos a beleza de se viver “em liberdade” comungando com o SAGRADO e nas cidades, não é diferente, mas a noção de liberdade, de beleza e os valores, são bem outros na cidade. “Alguns” optam por fazer ginástica dentro dos shoppings respirando concreto, outros preferem sentir o frio batendo no rosto ...temos várias situações, mas dentro de cada um é que deve se saber qual SENTIDO QUE DÃO ÀS SUAS VIDAS! Se ao contemplar prédios ,altas colunas, nos sentimos apreciando BELEZA, ou s e preferimos olhar ao Horizonte e ver os pássaros indo para Leste, Norte, Sul, oeste..cantando e contrastando com azul do Céu, percebendo a dança fantástica da NATUREZA em sua PLENITUDE E VIDA!
Sabemos que Violência existe no Mundo,a Fome, a Miséria, descuidos com a VIDA, ações que traduzem INSANIDADE da Humanidade que parece ter perdido sua Alma e o sentido do quão a VIDA é SAGRADA. AUTO-RESPEITO, RESPEITO, FIDELIDADE ÉTICA , honrando aos nossos Ancestrais, honrando esta MÃE que nos embala e este Pai que nos ampara devem estar presentes em nossos corações e Espíritos, assim acreditamos que a Humanidade talvez possa VIVER, pois os caminhos mostram um distanciamento da VIDA .Seria uma auto sabotagem? Auto-sequestro? Não temos mais muito tempo!
Não sou Pessimista, sou do tipo que Não desiste Jamais, mas também não deixo de enxergar e refletir me olhando no espelho e olhando para os lados, para frente, para trás, acima e abaixo, uma linguagem simbólica aqui para sinalizar que os pontos cardeais não existem à toa, e o SER HUMANO, cada um ,deverá saber em que direção está indo, ou se está ziguezagueando ,ou pior, olhando só ao seu “umbigo”.
A VIDA! É MAIS QUE SAGRADA! Aprendo à cada segundo de minha respiração, o quanto é bom RESPIRAR, sentir , e buscar fazer o melhor no aqui e agora, pois isto a mim ficou claro nestas três etapas que vivi SENDO : MÃE, AMPARANDO VIDAS E ENCAMINHANDO PARA OUTRA VIDA, na TERRA SEM MALES que existe (Yvy Marãey), porém TUDO ACONTECE NO AQUI E AGORA, não se pode empurrar ou ignorar, devemos FAZER! Sigo sendo , apenas para deixar claro, Mãe, e uma Servidora nesta vida, optei por mostrar-me presente, mas não se trata aqui de centralizar no “EU”, e sim no “NÓS”.
Ocupando-se por FAZER, deixamos os lamentos de lado, arregaçamos às mangas, olhamos para SOL (Nhamandu), e recebemos sua LUZ, e seja como seja, se estamos insatisfeitos, frustrados, tristes ou oprimidos, só temos uma opção: F A Z E R pela VIDA! PARA VIDA!
Deixamos aqui uma mensagem de reflexão que muito me fala atualmente: “UM GUERREIRO DEVE FUGIR DOS JOGOS D E APARÊNCIAS, POIS A VIDA É DEMASIADAMENTE CURTA PARA ESTRATÉGIAS DE FAZ D E CONTA” ( Carlos Aveline).
EM RESPEITO À VIDA E DIREITOS DE CADA CRIATURA, VIVER EM SEU ESPAÇO E COMO ASSIM DESEJAR, MANIFESTAR-SE..

*Liana Utinguassú- Consultora em temáticas Indígenas/Motivacionais/Emocionais
Escritora: Obra Publicada O CHAMADO DA TERRA
Servidora Presidente OSCIP Yvy Kuraxo

A BELEZA DA ARTE XUKURU DO ORORUBÁ







Além da indiscutível importância histórica da Cultura Indígena, as habilidades artísticas destes povos são dignos de menção e registro.
Cada nação desenvolve peças diferenciadas e, se aprimora em determinados tipos de artesanato, tornando o nome da etnia conhecido através destes trabalhos. É o caso do povo Xukuru do Ororubá, que exibe exímias peças de bordado e renda, bijuterias, cocares, entre outros.



A FENEARTE, que começou no dia 03 de julho, no Centro de Convenções de Pernambuco apresenta um estande com toda essa riqueza artesanal, além de outros povos indígenas e arte de outros estados brasileiros.

AINDA SOBRE O PISO SALARIAL DOS PROFESSORES MUNICIPAIS DE GRAVATÁ



* Dentre todos os participantes, membros da categoria, que participaram com afinco de todo processo de negociação, nesses aproximados 180 dias de conversações, destaco a altivez e habilidade da Professora Rosiane Silva de Souza, ex-diretora do SINPRO-PE, por mais de 09 anos, Licenciatura em Letras e Bacharel em Direito, curso este que procurou realizar para apropriar-se dos conhecimentos necessários a luta da categoria. Rosiane Silva é professora efetiva do município há 16 anos. Possuídora de uma habilidade nata para negociações deste porte, o sucesso desta empreitada se deve a persistência, argumentos e destreza desta professora, que abdicou de seus dias de folga para se engajar nesta luta. Os frutos serão colhidos por todos. COMPANHEIRA, MUITO OBRIGADA! (grifo meu)


O prefeito Ozano Brito quebrou um tabu de vários anos em Gravatá. Diferentemente de seu antecessor, participou pessoalmente das negociações com a categoria e se empenhou junto a sua assessoria jurídica e a Secretaria Municipal de Administração e Finanças para conseguir estabelecer, através de decreto lei, o piso salarial nacional para os professores e adequar a legislação municipal a Lei Federal nº 11.738/08.
Foi um dia histórico na Câmara Municipal de Gravatá. Professores e vereadores se confraternizaram e a maioria dos parlamentares foi para Tribuna exaltar o feito do Município de Gravatá que passa a pagar o Piso Salarial Nacional aos seus educadores.
Depois de ler o texto do Decreto Lei 028/09 enviado pelo prefeito Ozano Brito para votação naquela Casa Legislativa e ouvirem as argumentações das professoras Suely Mendes e Rosiane Silva de Souza, na condição de representantes do sindicato estadual da categoria, os vereadores Danilo Melo (PMDB), Ana de Jaci (PMDB), Fernando Resende (PSB), Régis da Compesa (PSL), Doca da Cavalhada (PTB) e Pedro Martiniano (PRB) falaram na Tribuna exaltando o feito. Pela primeira vez, o combativo vereador de oposição, Pedro Martiniano, elogiou a ação da Prefeitura, elegantemente, reconhecendo a importância do conteúdo do Decreto de Lei enviado pelo Executivo municipal.(Blog do Castanha)


____________________
Nota do editor:


1.A categoria, fazendo jus até a uma passagem Bíblica: "Dá a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus", reconhece a abertura dada pela secretaria de educação, bem como pelo próprio gestor municipal, que participou pessoalmente de todo processo de negociação, o avanço nas conquistas da categoria, todavia, cabe aqui ressaltar que, sem a perseverança de um grupo de professores do município, integrantes da Comissão de Base, tal resultado não seria possível!!

2. Não há ensino médio no município, portanto, o piso salarial refere-se aos professores do Ensino Fundamental I e II.

3. O valor do piso de R$ 941,12, corresponde a carga horária de 200 h/a, apenas para professores do Ensino Fundamental II.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

CULTURA INDÍGENA: A HISTÓRIA DOS ÍNDIOS CONTADA PELOS PRÓPRIOS ÍNDIOS! ATÉ QUE ENFIM!






Parte 3

Prezada Su..!

Eu sou Bu'ú do povo Tukano do Amazonas e sou amigo da Marina Rosa e tenho mais outra obras com imagem de duas cabeças indigenas também de tecnica marchetaria...Eu estou muito interessado participar e aguardo a resposta. E também apresento danças.

Bu'ú (tucunaré) significado pessoa de vida curta e bravo, nasceu na aldeia Kayra no RioTiquié dia 8 de junho de 1978, município de São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro , no Estado do Amazonas. É filho de pai Tukano e mãe Tuyuka. Veio para Manaus com 22 anos. Artista Plástico formado na Escola de Artes do Instituto Dirson Costa em 2007, tornando-se o primeiro indígena Tukano artista plástico da Amazônia.

Sobre o trabalho de marchetaria o artista Bu'ú fala:
" É mais que uma oportunidade para mostrar ao mundo através de arte o rico mundo de traços simbólicos dos povos indígenas.Cada trabalho que faço mostra a riqueza dos grafismos e trançados que com certeza completa as minhas obras, a forma e desenho".

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Professor sem licenciatura já pode escolher o curso e fazer pré-inscrição

Pré-inscrições para o plano nacional de formação já podem ser feitas

Terça-feira, 30 de junho de 2009 - 15:50


O Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica já é realidade. As primeiras 54 mil vagas para a graduação exclusiva de professores em exercício, nas redes públicas estaduais e municipais, serão ocupadas no segundo semestre deste ano. As pré-inscrições já estão abertas e devem ser feitas na Plataforma Freire. Os cursos serão oferecidos por 90 instituições públicas de ensino superior, nos 21 estados que já aderiram ao plano.

A meta do plano nacional, lançado em 28 de maio deste ano, é colocar na universidade, entre 2009 e 2011, 331,4 mil professores que lecionam na educação básica e ainda não têm licenciatura. Destas 331,4 mil vagas, 52% são em cursos presenciais e 48% em cursos a distância. O investimento do governo federal somará R$ 1,9 bilhão.

O plano oferece cursos de graduação para educadores, em exercício no magistério público, que estão em uma destas três situações: professor que ainda não tem curso superior (primeira licenciatura); professor com graduação, mas que leciona em área diferente daquela que se formou (segunda licenciatura); e bacharel sem licenciatura, que precisa de estudos complementares que o habilitem ao exercício do magistério.

A primeira licenciatura tem carga horária de 3.200 horas, sendo 2.800 horas de conteúdos e 400 horas de estágio supervisionado; a segunda licenciatura tem carga horária de 800 horas para curso na mesma área de atuação do professor ou de 1.200 horas para curso fora da área de formação.

Universidades – A responsabilidade pela formação dos professores em exercício será de uma rede de instituições públicas de educação superior constituída por universidades federais e estaduais, e por institutos federais de educação, ciência e tecnologia, que oferecem graduação. A rede já tem a adesão de 90 instituições. Os cursos serão nas modalidades presencial e a distância, com a participação das instituições públicas que integram a Universidade Aberta do Brasil (UAB), que hoje tem 555 polos ativos em todos os estados e no Distrito Federal. O plano nacional de formação atribui à Capes, autarquia do Ministério da Educação, a coordenação das atividades de formação do magistério da educação básica pública.

Hoje, 21 estados já especificaram nos planos estratégicos suas necessidades de formação. Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Acre, Rondônia e Distrito Federal ainda não elaboraram o plano. Os três últimos manifestaram interesse de ingressar no programa de formação continuada, uma vez que a quase totalidade de seus professores tem licenciatura.

Professores – Para participar do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica, o docente da escola pública tem que tomar duas decisões: cadastrar seu currículo na Plataforma Freire e mantê-lo atualizado; e escolher o curso que deseja fazer.

Secretarias de educação – Três são as tarefas das secretarias estaduais e municipais de educação: informar os professores sobre os cursos disponíveis na rede de instituições públicas de ensino superior; analisar as pré-inscrições dos professores na Plataforma Freire; e organizar a forma de colocá-los nos cursos.

Segunda etapa – Além da graduação, a segunda etapa do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica prevê a ampliação da oferta de educação continuada. O Ministério da Educação tem hoje dois programas nessa linha. O Pró-Letramento é um curso para professores de língua portuguesa e matemática que trabalham com as séries iniciais do ensino fundamental. Cerca de 300 mil docentes estão concluindo essa etapa; e o programa Gestar, também em língua portuguesa e matemática, para professores dos anos finais do ensino fundamental. Hoje, 200 mil estão inscritos no curso. Com o plano nacional, o objetivo é estender a formação continuada para as demais áreas do conhecimento no ensino fundamental e também para o ensino médio.

Assessoria de Comunicação Social

_____________________
Disponível em:
http://portal.mec.gov.br
Acesso em: 01 de junho de 2009

OUÇA O CHAMADO DA TERRA

"TODOS TEM DIREITO A ESTAR EM SEU ESPAÇO SAGRADO NA NATUREZA E ASSIM EXPRESSAR SUA BELEZA"

Por Liana Utinguassú*

Javy uju (Bom Dia) Todos! Inicialmente, sempre agradecemos à oportunidade em estar aqui, e agradeço pela Vida, sobretudo e é este fio de racicínio que gostaria de compartilhar hoje.

Vivemos tempos mais que delicados, sabemos que estamos no olho do furacão, sabemos que a Natureza Mãe convoca seus filhos a uma Retomada de Consciência profunda. É mais que emergencial Preservar, Reflorestar, Respeitar os ciclos da Terra e RESPEITAR direito à Vida de todas as espécies, dos reinos em geral. Que o SER HUMANO ,tão dotado de capacidades já hoje “questionáveis”, não seja mais considerado o maior predador na Natureza e seja ele o desencadeador de uma NOVA Consciência por uma mudança de comportamento onde o foco seja o SER e não somente o “TER”..Talvez surgindo o SER..TENDO se tenha caminhar que permita VIDA e não SOBREVIDA.

Dentro desta linha quero lhes contar algo pessoal que me fez nos últimos dias refletir muito sobre toda forma de caminhar que me toca nesta vida que é conduzida por um viés Espiritual, UM CHAMADO muito forte da TERRA, que ao longo de 20 anos me possibilitou voltar para casa, retomando minha vida Tribal como Guarani. Nasci na cidade, tenho impresso em mim estes registros, mas ,jamais deixei de ser quem sou, e jamais deixarei, é um legado ancestral e assim cada um tem o seu fio, o seu Chamado que em um determinado momento se descortina.

Coloco este breve relato para lhes contar que dentro deste CHAMADO DA TERRA, sobretudo vem o CHAMADO à VIDA . Recebi muitas bênçãos e recebo nesta VIDA. A maior delas, é ter gerado uma VIDA, logo após, em 2008, comecei a ser chamada para ajudar em partos e amparei mais vidas, com a vinda de uma linda menina que nasceu em 21 de setembro/2008 e recentemente um acontecimento que me deixou mais sensibilizada ainda, foi o encaminhamento de uma linda e amada senhora, que fez sua passagem neste final de semana e é por este acontecimento muito Sagrado, de ter sido CHAMADA para encaminhar sua Alma que escrevo aqui, sobre o VALOR DA VIDA!

Nas Aldeias Indígenas vemos todo tipo de situação, vemos a “VIDA” ser desrespeitada, vemos a beleza de se viver “em liberdade” comungando com o SAGRADO e nas cidades, não é diferente, mas a noção de liberdade, de beleza e os valores, são bem outros na cidade. “Alguns” optam por fazer ginástica dentro dos shoppings respirando concreto, outros preferem sentir o frio batendo no rosto ...temos várias situações, mas dentro de cada um é que deve se saber qual SENTIDO QUE DÃO ÀS SUAS VIDAS! Se ao contemplar prédios ,altas colunas, nos sentimos apreciando BELEZA, ou s e preferimos olhar ao Horizonte e ver os pássaros indo para Leste, Norte, Sul, oeste..cantando e contrastando com azul do Céu, percebendo a dança fantástica da NATUREZA em sua PLENITUDE E VIDA!

Sabemos que Violência existe no Mundo,a Fome, a Miséria, descuidos com a VIDA, ações que traduzem INSANIDADE da Humanidade que parece ter perdido sua Alma e o sentido do quão a VIDA é SAGRADA. AUTO-RESPEITO, RESPEITO, FIDELIDADE ÉTICA , honrando aos nossos Ancestrais, honrando esta MÃE que nos embala e este Pai que nos ampara devem estar presentes em nossos corações e Espíritos, assim acreditamos que a Humanidade talvez possa VIVER, pois os caminhos mostram um distanciamento da VIDA .Sería uma auto sabotagem? Auto-sequestro? Não temos mais muito tempo!

Não sou Pessimista, sou do tipo que Não desiste Jamais, mas também não deixo de enchergar e refletir me olhando no espelho e olhando para os lados, para frente, para trás, acima e abaixo, uma linguagem simbólica aqui para sinalizar que os pontos cardeais não existem à toa, e o SER HUMANO, cada um ,deverá saber em que direção está indo, ou se está ziguezagueando ,ou pior, olhando só ao seu “umbigo”.

A VIDA! É MAIS QUE SAGRADA! Aprendo à cada segundo de minha respiração, o quanto é bom RESPIRAR, sentir , e buscar fazer o melhor no aqui e agora, pois isto a mim ficou claro nestas três etapas que vivi SENDO :MÃE, AMPARANDO VIDAS E ENCAMINHANDO PARA OUTRA VIDA, na TERRA SEM MALES que existe (Yvy Marãey), porém TUDO ACONTECE NO AQUI E AGORA, não se pode empurrar ou ignorar, devemos FAZER! Sigo sendo , apenas para deixar claro, Mãe, e uma Servidora nesta vida, optei por mostrar-me presente, mas não se trata aqui de centralizar no “EU”, e sim no “NÓS”.

Ocupando-se por FAZER, deixamos os lamentos de lado, arregassamos às mangas, olhamos para SOL (Nhamandu), e recebemos sua LUZ, e seja como seja, se estamos insatisfeitos, frustrados, tristes ou oprimidos, só temos uma opção: F A Z E R pela VIDA! PARA VIDA!

Deixamos aqui uma mensagem de reflexão que muito me fala atualmente: “UM GUERREIRO DEVE FUGIR DOS JOGOS D E APARÊNCIAS, POIS A VIDA É DEMASIADAMENTE CURTA PARA ESTRATÉGIAS DE FAZ D E CONTA” ( Carlos Aveline).

EM RESPEITO À VIDA E DIREITOS DE CADA CRIATURA, VIVER EM SEU ESPAÇO E COMO ASSIM DESEJAR, MANIFESTAR-SE..

*Liana Utinguassú- Consultora em temáticas Indígenas/Motivacionais/Emocionais

Escritora: Obra Publicada O CHAMADO DA TERRA

Servidora Presidente OSCIP Yvy Kuraxo

www.yvykuraxo.org.br


A escritora Liana Utinguassú com Paulo Celso Villas-Bôas no lançamento do Livro "O chamado da Terra"

terça-feira, 30 de junho de 2009

CARTA ABERTA EM APOIO À NAÇÃO XUKURU


Nós, artistas e cidadãos, de várias tribos e ajuntamentos, resolvemos sair da nossa confortável maloca. Da nossa toca. Palhoça. Dos nossos teatros e refletores. Do casulo de nossas partituras e parágrafos. Para, humana e urgentemente questionar o que tem acontecido com a Nação Xukuru de Ororubá, em Pernambuco. Assunto que tem recebido o silêncio da mídia e, quando não, é tratado com descaso e superficialidade.Para quem não sabe, os problemas enfrentados pelo povo Xukuru datam desde o covarde assassinato do Cacique Chicão, há 11 anos - ele, principal liderança no processo de desenvolvimento da identidade do povo Xukuru e de reintegração territorial, e cuja luta foi imortalizada em canções-protesto assinadas por grupos como Cordel do Fogo Encantado, Mundo Livre S.A. e Quinteto Violado, entre outros.Em seu lugar e na defesa dos direitos de sua gente, está atualmente o seu filho, o Cacique Marcos. No entanto, em fevereiro de 2003, Marcos sofreu um atentado, em que saiu ferido e em que dois jovens de sua tribo foram mortos. Além de vítima de mais uma tragédia, o Cacique Marcos passou à condição de réu em um processo cheio de incoerências, que se diz concluído sem ao menos ouvir as testemunhas de defesa.Vale ressaltar que, infelizmente, é comum em nosso país a prisão arbitrária de índios, não apenas negando a sua cidadania, como, ao que parece, revelando a parcialidade da justiça e o seu alinhamento com as elites dominantes. Aqui, ABAIXO ASSINADOS, queremos, todos juntos, demonstrar a nossa indignação e, sobretudo, alertar a população e as autoridades nacionais e internacionais para o possível desfecho trágico desses episódios. Destino cruel que está reservado, historica e ironicamente, a todo aquele que luta pela terra e pela igualdade de direitos.Conscientes da importância social e política do povo Xukuru, resolvemos reunir as nossas forças para pedir, publicamente, transparência na condução dos fatos. Faremos tudo o que for possível para que a memória do Cacique Chicão seja preservada. E continue iluminando e inspirando o seu povo. E também àqueles que, como nós, não perderam a esperança no futuro de nosso país.
Atenciosamente,

NOME PROFISSÃO IDENTIDADE

1. José Paes de Lira Músico 50191118-2
2. Leandra Leal Atriz 11390640-8
3. Micheliny Verunschk escritora 4226392
4. Lúcio Flávio Cavalcante Produtor 50108959-2
5. Fernando H. R. P. de Albuquerque médico 4521408

*Após assinar, por favor reenviar para o email assinexukuru@hotmail.com

6. MARIA HELENA PADILHA APOSENTADA BB 773.413
7. Sunamita Silva de Oliveira Albuquerque Educadora 4965105

segunda-feira, 29 de junho de 2009

FEITO CARANGUEJO! POR QUE GRAVATÁ NÃO COPIA AS BOAS IDÉIAS?



Há dois anos, diante do retorno do ex-prefeito de Gravatá-PE da cidade de Gramados-SP, fomos surpreendidos pela alteração da grade curricular do município para inclusão (imposta) de uma nova disciplina, chamada aqui de Noções de Turismo, substituindo uma aula semanal de Língua Portuguesa. A matéria em questão foi uma ação copiada pelo ex-prefeito, de uma situação que ele encontrou naquela bela cidade. No entanto, não se considerou aqui, que, diferente de Gramados, cidade potencialmente turística, Gravatá é naturalmente uma cidade-rural. A maior parte de nossa extensão territorial encontra-se na zona rural. A disciplina de Turismo, desconsidera o valor da nossa população rural, que merece destaque e apoio para continuar mantendo-se no campo com dignidade. Crescemos, mas não dispomos ainda de tamanha estrutura para andar na mesma velocidade tal qual estas cidades que já se firmaram como turísticas e, de fato, dispõe de potencialidades para tal. Aqui, tudo engatinha, e quando não, anda de marcha-ré, como aconteceu com esta decisão arbitrária, irresponsável e repleta de consequências maléficas.
É público e notório as dificuldades quase inatas do brasileiro em dominar esta língua, que, diga-se de passagem já não é sua língua mãe (originalmente, o Tupi). Atualmente, diversas personalidades do município (inclua-se ai, cargos comissionados do município, inclusive Secretaria de Educação), gaguejam durante discursos, "engolem" os "s" e "r" e demonstram publicamente a pouca intimidade que têm com a Língua Portuguesa. Mais um motivo para não sublimar a carga horária da nossa atual língua, no entanto, alheios a essa questão, hoje o município ministra 05 aulas semanais de português para o Ensino Fundamental I. Não é a toa que, nesses últimos 07 anos, não avançamos no IDEB e nas avaliações do SAEP. Além de faltar investimentos da educação para se obter qualidade no ensino, não há prioridade da gestão municipal para com a educação. Um excelente exemplo disso, é a condição dos prédios onde funcionam as escolas do município, como já mostramos neste blog. Em 06 meses de governo, não houve nenhum investimento significativo na área da educação.

Acreditamos que verdadeiras boas idéias devem ser copiadas, considerando a necessidade de seu público alvo. Um destas excepcionais ideáis vem do Paraná. Conheça.


Projeto de Cheida garante aos estudantes da rede estadual merenda 100% orgânica


Deputado Luiz Eduardo Cheida (PMDB_PR) com o governador Roberto Requião



O consumo de alimentos com resíduos de agrotóxicos pode causar prejuízos à saúde humana que vão desde alergia temporária a doenças crônicas, passando por problemas neurológicos e no fígado. O alerta, divulgado pela Agência Brasil, é da coordenadora do Laboratório de Toxicologia da Universidade de Brasília (UnB), Eloísa Caldas.

O Paraná é o segundo estado do Brasil com o maior índice de consumo de agrotóxicos, perdendo apenas para São Paulo. Ao mesmo tempo, ocupa igual colocação no ranking nacional como produtor de orgânicos, alimentos em cuja cadeia produtiva não entram agrotóxicos nem adubos químicos.

Um projeto de Lei aprovado nesta quarta-feira pela Assembléia Legislativa do Paraná pode alçar aquele Estado ao topo de um nicho crescente do negócio agropecuário: o setor de orgânicos no Brasil apresenta uma taxa de crescimento de 15% a 20% ao ano. O PL institui a merenda escolar orgânica que, quando integralmente implantada, vai beneficiar 2110 escolas estaduais dos ensinos fundamental e médio, atingindo um universo superior a meio milhão de estudantes.

A expectativa é que esse mercado garantido tenha reflexos positivos para o consumidor de modo geral. “Com a elevação do consumo desses produtos, e o conseqüente aumento da demanda, seus preços certamente irão baixar e se aproximar dos cobrados pelos produtos convencionais”, prevê o deputado estadual Luiz Eduardo Cheida (PMDB), médico e presidente da Comissão de Ecologia e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Paraná. Ele é autor do projeto de lei, em parceria com os deputados Elton Welter e Luciana Rafagnin.

“Quanto vale investir na promoção da saúde de nossos filhos?”, defende Cheida. “Quanto custam ao estado do Paraná as inúmeras doenças decorrentes do uso dos agrotóxicos?”, completa o deputado, que lançou a proposta ainda quando secretário de Estado do Meio Ambiente, cargo que ocupou de 2003 a 2006.

À época, verificou-se porém que a produção de orgânicos não seria capaz de suprir a demanda da nova merenda, uma preocupação hoje relevada diante da visível e significativa tendência à expansão desse tipo de cultivo no Paraná. A safra de 2006/2007 contabilizou produção superior a 107 mil toneladas, enquanto dez anos antes, no período de 1996/1997, foram produzidas 4 mil toneladas.

Hoje, conforme dados da Secretaria de Estado da Agricultura, existem no Paraná 5.300 produtores de orgânicos. Para o deputado Luiz Eduardo Cheida, esse é mais um viés importante da proposta: o ganho social, tendo em vista que a maior parte dos potenciais fornecedores da merenda opera nos moldes da agricultura familiar.

Segundo ele, a implantação da Lei deverá ser feita de modo gradativo, de acordo com as condições e cronogramas elaborados pela Secretaria de Estado da Educação, até que 100% do sistema de ensino público do Estado do Paraná garanta a seus alunos o direito à merenda orgânica. O Projeto segue agora à sanção do governador do Paraná, Roberto Requião.

Fonte: Assessoria de Comunicação
Disponível em: www.cheida.com.br

sábado, 27 de junho de 2009

CULTURA INDÍGENA: A HISTÓRIA DOS ÍNDIOS CONTADA PELOS PRÓPRIOS ÍNDIOS! ATÉ QUE ENFIM!

Minha paixão pela causa já é conhecida por alguns, bem como o trabalho que desenvolvo para desmistificar a figura do indígena brasileiro e, recontar, do ponto de vista verdadeiro a história deste país.
Através da internet estou tendo a honra de conhecer e conversar com alguns indígenas, de várias partes do Brasil quase que diariamente. Além da grande responsabilidade, repito, sinto-me honrada por ter sido aceita dentre o rol de amigos que compõe suas páginas de relacionamento e, por já ter recebido de alguns o aval para compartilhar com todos os leitores deste blog suas histórias. Faço questão de registrar aqui, não por soberba, mas por gratidão, o carinho e atenção que tenho recebido do grande Paulo Celso Villas-Bôas, da Liana Utinguassú, uma guerreira guarani e escritora, além do Professor Dr. Edson Hely Silva, pesquisador da Cultura Xukuru do Ororubá e professor do Colégio de Aplicação da UFPE, dos meus irmãos xukuru do Ororubá, do Deputado Luiz Eduardo Cheida (Paraná ), TC Ricardo Santos, e tantos outros amigos que, dedicam suas vidas a transformar, idéias em ações, com foco no ser humano, somar, multiplicar atitudes positivas. Aos leitores deste blog, a quem dedico o meu melhor, sempre com a escolha de bons textos, meu respeito e gratidão.
Apresento-vos a primeira de uma série de narrativas, de relatos, depoimentos e histórias de vida de nossos índios, e desde já, registro meu carinho ao parente, amigo e irmão Tanielson: Porãn - Iporã Eté (meu profundo agradecimento).





Eu, Tanielson Rodrigues da Silva- PORAN POTIGUARA 19 anos, pertenço ao povo indígena Potiguara da Paraíba-PB e estudo na Universidade de Brasília-UnB, na qual faço engenharia florestal.

O povo Potiguara vive em uma área de 33.339 hectares, na qual suas aldeias estão vinculadas a três municípios: Baía da Traição com 13 aldeias, Marcação com 14 e Rio Tinto com 4. O território indígena tem três divisões: A Terra Indígena-TI Potiguara de São Miguel, a TI de Jacaré de São domingos e a TI de Monte-mor. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE de 2006 revela que existam aproximadamente 12 mil Potiguaras. De acordo com nossas lideranças hoje seria 16 mil, isso contando com os que moram em grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e etc.

Os relatos que comprovam a existência desse povo no litoral paraibano desde 1501, quando o famoso navegador Américo Vespúcio descreve-os como índios traidores. “Dois Frades Franciscanos pedem pra ir até o litoral na intenção de ter algum contato com aquele povo desconhecido. Ao chegar à praia, duas belas nativas se aproximam tirando-lhe a atenção, outras duas se aproximam por trás e os acertam com um objeto de madeira. Arrastaram seus corpos até o alto de um monte, onde há uma espécie de fogueira, cortavam seus corpos e esquentava-os no fogo, antes de comer-los, os mostravam na direção das naus...” (LETTERA- 1º DOCUMENTO PARAIBANO). O navegador vendo tais atos resolve nomear aquele local até então desconhecido pelos colonizadores, de BAÍA DA TRAIÇÃO. Além do mais, Potiguara é o único povo do litoral que permaneceu no local de origem desde a colonização do Brasil. Ou seja, não mudou seu habitat até os dias de hoje.

Petiguara (comedores de fumo), piticaxara(dono dos vales). Como cita alguns cronistas em seus documentos, são alguns dos nomes que recebiam os Potiguaras (comedores de camarão) . É um povo que tem na sua organização social, o cacique como o líder superior. Em cada aldeia também existe um cacique, que pode ser mulher ou homem, e além deles existe o cacique geral, que está acima de todos. Que praticamente é o líder superior. Há também o chefe de posto, que é um funcionário da Fundação Nacional do Índio- FUNAI, que é responsável por todo território, ou seja, só existe um respondendo pelo território Potiguara. O povo tem por ele um grande respeito, já que é um índio indicado pelas lideranças. O chefe tem como algumas de suas obrigações, resolver todos problemas internos do povo junto com o cacique geral e caciques das aldeias envolvida. E também é responsável por todos os projetos desenvolvidos e executados pela FUNAI nas TIs.

Aos 13 anos de idade, eu participei da II Assembléia de meu povo em 2003. Ali tive a primeira oportunidade de representar a juventude estudantil Potiguara, porque era aluno do colégio Pedro Poti, que é uma escola diferenciada, ou seja, voltada à cultura de meu povo. No decorrer daquele encontro, foi proposto que alguns alunos do ensino diferenciado falassem um pouco do contexto trabalhado naquela escola. Não estava preparado para aquele momento, mas minhas lideranças me indicaram e aquele dia foi a primeira de muitas. Dessa assembléia em diante, passei a tomar gosto pela causa e sou um dos mentores da Organização dos Jovens Indígenas Potiguara da Paraíba (OJIP-PB). Tudo começou pela necessidade da juventude, pois estavam sendo formadas organizações de professores, de mulheres e etc. Mas não tinha nenhuma com uma política especifica para os jovens. Daí no decorrer de alguns encontros foi criada a nossa organização, onde eu era vice-coordenador geral. Aos poucos fui conquistando espaço dentro da política de meu povo. Juntei a necessidade de meu povo com meu sonho e me tornei universitário da UnB. Vim com o objetivo de se formar e trabalhar em prol das comunidades indígenas do Brasil, em especial as Potiguaras.

Desde pequeno já sonhava em ser um engenheiro florestal, mas não imaginava que iria estudar tão longe da família e do meu povo. Não é fácil sair de casa em busca de um sonho e atrás de uma solução para sua comunidade. O meu povo necessita muito de alguém que entenda da área ambiental e que faça alguma coisa pelo povo, estamos sofrendo muito com o desmatamento desenfreado causado por usinas de cana-de-açúcar. Antes tínhamos vinte e três matas, hoje só nos restam duas. Nossos rios estão secando, em razão do desmatamento de suas nascentes. As usinas, além de acabarem com nossas matas, ainda provocam queimadas poluindo o ar que respiramos e acabando as vidas dos animais existentes nos canaviais. E quando o fogo atinge algumas partes da mata, a perca é maior.

Na minha casa são cinco pessoas: Eu, meu irmão, minha irmã e meus pais. Meu pai é professor e estar concluindo nesse ano o curso de geografia na Universidade Federal da Paraíba-UFPB. Minha mãe passou quinze anos sem estudar, mas concluiu o médio comigo na mesma turma e tendo o meu pai como professor. Meus irmãos estão terminando o ensino médio, e assim como eu, pensam em cursar o superior. Talvez eles não possam vim estudar aqui na UnB. Não porque não tenham capacidade, mas porque penso que nossos pais não deixariam os três filhos ficarem fora de casa por tanto tempo e ao mesmo tempo. Pra eu estar aqui foi maior sacrifício, mãe não queria deixar de jeito nenhum. Porque ela acha que o convívio das cidades grandes não tem muitas coisas boas para oferecer. Tenho que ligar todo fim de semana, isso pra contar como estou, fazer um breve relatório da semana e dar sinal de vida. Mas confesso, cheguei a quatro meses e já conto os dias para o término do curso.

Como firmei um compromisso com a comunidade de que irei dar retorno de todo aprendizado e toda formação acadêmica. Isso só vem fortalecer a vontade de se formar e voltar o mais rápido possível à aldeia. Lugar onde nasci e onde quero viver por toda minha vida.

Gostaria de frisar uma frase de uma liderança indígena do povo Xucuru-Kariri de Alagoas, ela foi uma mulher que por defendeu não só a bandeira de seu povo, mas de todo os povos indígenas desse país. Em uma de suas falas referindo-se aos não índios, ela diz: “Eles acabaram com nossas folhas, nossos galhos, nossas árvores, nossas matas, nossos troncos... Mas esqueceram do mais importante, NOSSAS RAÍZES...” (MANINHA XUCURU-KARIRI) in memória.

A frase diz tudo. Por mais que tente nos destruir, que seja na exclusão social, no esquecimento cultural, na falta de valorização. Afinal, são 509 anos de massacre a cultura indígena, e essa continua do mesmo jeito, cada dia mais forte,mesmo com o massacre acontecendo. Temos que viver em uma sociedade que seja nossa, e não em uma que vem sendo imposta há 509 anos. Somos e sempre seremos os verdadeiros donos desta terra! Se o futuro pertence a nós, vamos trabalhar.

PORAN POTIGUARA

20/06/09

___________________

Nota do editor:

Poran é um pequeno grande guerreiro (pequeno só na pouca idade!), mas supera grandes desafios impostos pelos estigmas da sociedade para adquirir respeito e autonomia, bem como diversos outros indígenas espalhados pelo Brasil, país este, que ainda os considera como incapazes de cuidar e gerir suas próprias vidas. O Estado ainda mantém os índios sob tutela!!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

SÚDITOS DE LUTO : MORREU O REI MICHAEL JACKSON




Gênio, brilhante, criativo, inovador, audacioso, talentosíssimo, artista completo, show-man, magnífico... são milhares de adjetivos que podemos atribuir a este ícone da música mundial.

Conhecemos todas as polêmicas que o cercavam, mas, neste momento, não é necessário fazer o papel de "advogado do diabo". Michael Jackson é único, em todos os sentidos, e, quem não tem seu teto de vidro?

Embora esta homenagem já tenha sido postada in memorian, é justo reverenciarmos a grande contribuição das criações de Michael Jackson com os temas sociais. Suas músicas sempre trouxeram reflexão para os problemas causados pelo racismo, do qual ele foi vítima, pela discriminação social, pela ganância.


Desde a gravação do "hino" We are the world, dedicado as crianças da África, Michael sempre apresentou em seus álbuns sua preocupação com o destino do planeta. Com as escolhas feitas pela humanidade.

Músicas como Heal the world são ouvidas em palestras sobre cuidados com o meio ambiente, e são utilizadas em salas de aula como mais uma ferramenta para sensibilizar as pessoas acerca de suas ações impensadas e irresponsáveis, fruto do capitalismo e do consumismo desenfreado.

Em 1992, Michael recebeu o título de Embaixador da Boa Vontade, devido a seu interesse pelos desfavorecidos e especialmente pela infância. Dez anos depois, recebeu da Fundação Mikhail Gorbachov um prêmio concedido a "personalidades que contribuíram para um mundo melhor e mais humano". (Diário de Pernambuco)

Hoje, o mundo está mais pobre! A mãe terra perde um ilustre filho e nós, súditos, perdemos nosso Rei!

Não podemos mais gritar: "Vida longa ao Rei"! Mas, gritaremos:
"FOREVER, MICHAEL JACKSON! LOVER FOREVER" !!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O Professor Está Sempre Errado !!!

É jovem, não tem experiência.

É velho, está superado..

Não tem automóvel, é um pobre coitado.

Tem automóvel, chora de "barriga cheia'.

Fala em voz alta, vive gritando.

Fala em tom normal, ninguém escuta.

Não falta ao colégio, é um 'caxias'.

Precisa faltar, é um 'turista'.

Conversa com os outros professores, está 'malhando' os alunos.

Não conversa, é um desligado.

Dá muita matéria, não tem dó do aluno.

Dá pouca matéria, não prepara os alunos.

Brinca com a turma, é metido a engraçado.

Não brinca com a turma, é um chato..

Chama a atenção, é um grosso.

Não chama a atenção, não sabe se impor.

A prova é longa, não dá tempo.

A prova é curta, tira as chances do aluno.

Escreve muito, não explica.

Explica muito, o caderno não tem nada.

Fala corretamente, ninguém entende.

Fala a 'língua' do aluno, não tem vocabulário.

Exige, é rude.

Elogia, é debochado.

O aluno é reprovado, é perseguição.

O aluno é aprovado, deu 'mole'.

É o professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.

__________________

Enviado pelo Professor Doutor Edson Hely Silva - pesquisador - UFPE

PROFESSORES/AS PROLETÁRIOS/AS: UNI-VOS!!

NESTA SEXTA-FEIRA, DIA 26 DE JUNHO, OS PROFESSORES MUNICIPAIS DE GRAVATÁ DEVERÃO SE REUNIR EM FRENTE A CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES, ÀS 9 HORAS DA MANHÃ, A FIM DE OBTER INFORMAÇÕES SOBRE A LEI QUE LHES GARANTE O PAGAMENTO DE PARTE DO PISO SALARIAL, EM CARÁTER DE URGÊNCIA E PROVISÓRIO, SEM QUE HAJA PREJUÍZO OU DESCUMPRIMENTO DOS DIREITOS ASSEGURADOS PELO PCCREM.

É IMPORTANTE A PARTICIPAÇÃO E O COMPARECIMENTO DE TODOS!

PROFESSOR/A, ESSA LUTA É NOSSA!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

ÍNDIOS DO SÉCULO XXI



























Eles só aparecem na mídia (TV) quando há disputas por terras, conflitos com invasores ou com os órgãos do governo que insistem em tratá-los como incapazes de gerir suas próprias vidas.

Mas, dentre os meios de comunicação que apresentam questões pertinentes aos índios, destaca-se a internet, ferramenta que tem sido utilizada por eles, com autonomia, com fotos e textos da forma que eles desejam que os vejamos e os conheçamos um pouco mais, sem preconceito, discriminação ou estigma.

Um site de relacionamento tem sido um veículo muito procurado por nossos parentes (todo mundo tem um pouco de índio, outros mais, como eu!), para compartilhar suas idéias, externar suas dores e buscar apoios para essa luta iniciada em 1500, com a chegada de um tal de "seu" Cabral e cia.

É surpreendente ( e repugnante) perceber o quanto nós, brasileiros, retrocedemos no quesito humanismo. O capitalismo não apenas cegou a maioria, mas comprometeu o encéfalo!!

As pessoas matam por dinheiro, destroem vidas por dinheiro, enlouquecem por dinheiro... a natureza já é uma vítima dessa cobiça desenfreada, faz tempo... De minha parte, disponiblizo minha voz e minha alma nessa luta. Convido você para se juntar a nós.

Se meu convite não é convincente o suficiente, apresento-vos OS ÍNDIOS CONECTADOS DO SÉCULO XXI. Eles/as estão aqui para provar que índio não está no passado, índio não só quer apito. Alguns já ganharam destaque na mídia, como é o caso de Fidelis Baniwa, que interpretou um índio em Mad Maria, e recebem muitos elogios pela beleza que representam (alguns elogios até bem atrevidinhos!!) Mas, eles são a prova de que a tecnologia pode ter bons usos.
MÃOS À OBRA!!


Iporã Eté
( profundo agradecimento- em guarani - aprendi com minha amiga Liana (escritora, ativista, guerreira - na primeira foto )
















OBS.

Todos, e mais alguns são meus parentes, irmãos e novos amigos no orkut!!

terça-feira, 23 de junho de 2009

A história da comida e a comida fazendo história!


Uma das grandes marcas do povo nordestino, além do peculiar calor humano, é a alimentação. Em todas as mesas, das mais humildes as mais sofisticadas, é perceptível a influência de diversas culturas na composição dos pratos e paladar de nossas mesas.
Nessa época do ano, é impossível resistir as variações elaboradas a partir de um cereal que nos foi presenteado por nossos parentes-irmãos índios. Além de domesticarem a mandioca brava, tirando dela o veneno para transformar em vida, adquirimos hábitos inconfundíveis, como, tomar banho todos os dias, e conservar uma alimentação mais próxima do saudável, apesar das investidas da COCA-COLA e do MAC'DONALDS. Diante de uma mesa repleta destas delícias, nosso agradecimento por esta herança ímpar.


A contribuição indígena


O primeiro depoimento sobre a alimentação indígena é a carta de Pero Vaz de Caminha, o escrivão da frota de Cabral, 501 anos atrás. O capitão da embarcação e também responsável pela descoberta do Brasil, Pedro Álvares Cabral, relata o comportamento dos ameríndios: “deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, mel e fogos passados. Não quiseram comer quase nada daquilo; se alguma coisa provaram, logo a lançavam fora”. O mesmo ocorreu com a água e com o vinho, mas apenas a princípio, pois foram se acostumando aos poucos com o que os europeus lhes ofereciam. Antes do início da colonização, os indígenas apresentavam, no que diz respeito à forma de economia alimentar, um aspecto geral comum: a atividade coletora. Nossos índios viviam às custas da natureza, coletando plantas, animais da terra, do mar ou dos rios.
A alimentação vegetariana teve, sem dúvida, um enorme papel e foi da coleta de frutos que alguns índios, dentre os quais os tupis- guaranis, passaram à arboricultura e, mais tarde, a uma agricultura rudimentar. Essa incipiente agricultura exigia que eles estivesse sempre mudando de terra. Daí o nomadismo tupi, sempre emigrante à procura de terras férteis. Mas os índios não viviam apenas de vegetais. A caça e a pesca eram importantes atividades de subsistência. Os antigos tupis eram considerados exímios caçadores e pescadores e possuíam significativo equipamento para tais atividades, principalmente o arco e flecha.
Os homens caçavam e pescavam e as mulheres realizavam as atividades coletoras e os trabalhos agrícolas. Além disso, os homens assavam e as mulheres cozinhavam, e, justamente pela necessidade de equipamento para a realização de suas atividades, foram elas as inventoras da cerâmica, das vasilhas, panelas de barro, pratos, etc.
O índio não conhecia a cana de açúcar, que só veio com a colonização, mas usava o mel de abelhas, que existia em abundância em nossas matas. Com o mel, o índio também fazia bebidas.
O sal era retirado da vegetação e não da água do mar. Os índios queimavam os troncos das palmeiras até se transformarem em cinzas, que então eram fervidas para obter o sal, de cor parda. Em 1549, o padre Manoel da Nóbrega, guia dos primeiros jesuítas que vieram ao Brasil, afirmava que “o mantimento comum da terra é uma raiz de pau que chamam mandioca”. Caminha cita, erroneamente, o inhame como alimento nativo. Tratava-se, na verdade, da nossa mandioca. O inhame foi trazido ao Brasil só mais tarde, pelos africanos. Os alimentos mais importantes para os índios eram produzidos pela terra, como raízes, folhas, legumes e frutos. São citados: abacaxi, jabuticaba, caju, cajá, araçá, goiaba, maracujá, mamão, laranja, limão, castanhas, milho, mandioca, cará (e não inhame), feijões, favas, amendoim... Muitos dos alimentos consumidos pelos aborígenes foram trazidos por colonos europeus de seus países de origem ou de outras colônias. É o caso da batata doce, introduzida com os escravos africanos,
e dos mamoeiros, trazidos às roças indígenas pelos lusitanos. Os índios preparavam bebidas fermentadas, assim como o europeu produzia o vinho. O preparo ficava a cargo da mulher indígena, que usava os mais diferentes recursos: milho, mandioca, cacau, cupuaçu, caju, açaí, buriti etc. Os cronistas dos séculos XVI e XVII descreviam tais bebidas como fortificantes e deliciosas, apesar da repugnância instintiva, já que algumas sofriam mastigação prévia para ativar a fermentação.
O indígena não tinha provisão de água nas ocas. Quando tinha sede, bebia fora, direto da fonte. O português foi quem deu a sugestão de ter água em casa.
As carnes consumidas pelos nativos, algumas incompatíveis com o nosso paladar, eram as mais variadas: macacos, antas, peixes, pacas, cotias, gaviões, lagartos, porcos e até mesmo cobra cascavel. Padre Anchieta descreve textualmente esses hábitos: “quase todos os índios tomam ao fogo e comem dessas cobras e de outras, depois de lhe tirarem a cabeça; assim como não poupam os sapos,lagartos, ratos e outros animais desse gênero”.Dentre os diversos peixes que comiam, podem ser citados a pescada, o mandubi, o mapará, o acará, o surubim, o tucunaré, as raias, o pirarucu, o peixe-boi, o pacu etc. Os crustáceos e moluscos também eram apreciados pelos aborígenes.
O apetite singular dos tupis também pode ser observado através da prática da antropofagia. A carne humana era um prato festivo, que ele apreciavam após os combates. Mas está comprovado que a antropofagia era um ritual, uma prática de exceção. Nossos índios só comiam carne humana do prisioneiro de guerra de comprovado heroísmo, mediante determinadas cerimônias, julgando, desse modo, assimilar as qualidades heróicas do inimigo.
O índio não praticava a agricultura e sua sustentação se baseava no que a terra tinha para oferecer. Não havia escassez porque, sempre que havia ameaça de fome, a tribo emigrava em busca de terras mais férteis, mais abundantes e de regiões que apresentassem numerosas caças. Essa mobilidade garantia o equilíbrio alimentar para o grupo e pode explicar a força e a resistência físicas dessa população.

Exemplos da contribuição indígena

A contribuição dos costumes indígenas na alimentação atual é, sem dúvida, imensa.Citamos alguns exemplos:
* O uso da polpa do buriti no preparo de refrescos e outros alimentos.
* O uso da mandioca na produção dos mais variados alimentos:tapioca, farinhas, cauim (vinho indígena).
* Refresco de guaraná. Os aborígenes costumavam tomar essa bebida para ter disposição para caçar. Acreditavam também que o guaraná curava febres, dores de cabeça e cãibras. O seu efei -to diurético já era conhecido.
* A paçoca, alimento preparado com carne assada e farinha de mandioca esmagados numa espécie de pilão. Tornou-se o farneldos bandeirantes por ser próprio para as viagens pelo sertão.
* O hábito de comer camarão, lagosta e caranguejo com molho seco de pimenta. Tal costume foi herdado tanto dos índios quanto dos africanos.
* A moqueca. Para os índios referia-se unicamente ao modo de preparo dos peixes, feitos então no moquém (utensílio para cozinhar peixe). Hoje em dia, tem grande variedade de ingredientes, seja no tipo de molho, tempero ou carne utilizada.
* O caruru, um prato à base de vegetais como o quiabo, mostarda ou taioba, que acompanha os mais diferentes tipos de carne, como peixe, cozidos, charque, galinha, siri etc.
* Mingau, pirão, beiju, pimenta (amarela e vermelha), chimarrão.

A cozinha brasileira sofreu uma série de influências, mas a culinária indígena não se dissolveu na aculturação, como a culinária negra, hoje dificilmente legítima. A comida indígena permaneceu relativamente fiel aos modelos quinhentistas e aos padrões da própria elaboração das farinhas, assados de carne e peixe, bebidas de frutas.
ALIMENTO TAMBÉM É CULTURA!
E VIVA NOSSOS ÍNDIOS!
VIVA SANTO ANTÔNIO, SÃO JOÃO E SÃO PEDRO!! VIVA!!
________________________
Fonte:

NUT/FS/UnB – ATAN/DAB/SPS

domingo, 21 de junho de 2009

DEPOIS DO RONCADOR XINGU - EXPEDIÇÃO VILLAS-BÔAS PELO BRASIL

Por Paulo Celso Villas-Bôas


Prezados preservasionistas, depois de muito estudar e viver os problemas da floresta amazônica cheguei a decisão de abandonar tudo o que o bem estar da civilização nos propõe, casa, empreendimentos, carros, piscina, em suma todo o conforto em que nos da sociedade civil organizada lutamos para usufruir.

Há quatro décadas atrás o meu sonho era estar com os irmãos VILLAS-BÔAS na Serra do Roncador do Xingu, nesta época estava com os meus dezessete anos, cheguei a sair de São Paulo, para alistar-me em Campo Grande-MS , então MT, e de lá com o exercito chegaria a Cuiabá e para o Parque Nacional do Xingu seria um pulo (mera ilusão).

Há dois anos, assistindo tanto descaso e vivenciando os problemas ambientais, e participando deste povo sofrido, que são os amazônidas, hoje conta 21 milhões de habitantes.

Nosso alerta, é que devemos entender e saber como mudar o processo, sem o engessamento amazônico, pois há interesse de todas as partes, e que fazemos parte deste processo como consumidor final. Em todo ponto desta Amazônia existe um ser vivente com suas famílias, o qual vocês estão protagonizando tão bem a história deste dois Estados, os colonos (miseráveis) e os famosos coronéis (aristocrata). Vários governos trouxeram para cá gente do nordeste propagando a terra prometida e os deixando a beira das estradas e regiões a sorte da vida.

Há o interesse das já instaladas mineradoras, fazendeiros, agricultores, indústrias, e muito empreendedor responsável. O que não admitimos é o descaso dos que fiscalizam e dos irresponsáveis e criminosos que nunca vão se importar com a Lei, pois são tantas e ineficientes para tantas atrocidades que acontecem e continuaram a acontecer com a nossa floresta. Não adianta prisões nem multas para estes criminosos. Principalmente os organismos internacionais que de lá torcem para que fiquemos brigando uns com os outros e que possivelmente será mais um protesto . E nós não queremos isto. Queremos somar com forças expressivas como a sensibilidade dos artistas brasileiros, que amam e querer a preservação da floresta.

O nosso projeto é de que uma expectativas em 8 anos rodaremos todo território nacional conscientizando cada comunidade para o conservantismo desta exuberaste e majestosa floresta.

Hoje nossa área cientifica com pesquisas de grande valor quer na área florestal, agrária ou pecuária, juntamente com as nossas universidades, temos sim a solução para tão arrepiantes descasos para os ávidos e inescrupulosos pecuaristas, madeireiros que infiltrados em uma corrente dos sem leis, mancham os que nelas lutam e pagam seus impostos, e tem sim sua participação para o crescimento do nosso país,

A nossa proposta é o inverso de tudo isto, e fazermos Leis mais severas com o processo capitalista sem que este deixem de investirem aonde queremos que é na floresta.

Os investidores que plantarem em áreas degradadas, não só podem cortar 20 % do que plantarem como manda a Lei, mas sim a cortarem 50% com manejo florestal, dos 100% plantados; mas em contra partida terão que plantar três hectares para cada hectare derrubado em outras regiões degradada ou alterada. Tudo com o manejo florestal.

Vamos dar incentivos para que eles tenham retorno que querem e depositem o dinheiro onde queremos: Na floresta . Não ao contrato como o governo quer nas terras publicas ou não! Com este manejo florestal para cada hectare derrubado plantem dois hectares .

Nas plantações de eucaliptos ou outra cultura de ciclo rápido, para celulose ou fornos de usinas que são necessários: dos 100% plantados e 100% derrubados, a cada hectare derrubado plante três hectares de árvores frutíferas e madeiras de lei em terras alteradas ou degradadas em todo território nacional; seja, na Floresta Amazônica, na Mata Atlântica ou outra extensão de terras alteradas.

E quando for criminoso com derrubada e queima de floresta, a cada hectare destruído, plante seis hectares.

Seria mais benéfico se quem desmatasse, replantasse, e que este criminoso fique obrigado por Lei a freqüentar simpósios, palestras sobre meio-ambiente e instituições de pesquisa por 10 anos, vigiados por Ong's e o Ministério Público .
Temos certeza de que as Federações das indústrias e agros-negócios, com seus associados bem intencionados, que querem e respeitam a Lei estarão do nosso lado.

Temos a certeza de que, se receber apoio, da sociedade civil organizada, de vocês artistas, não mais nos decepcionaremos e ficaremos desiludidos com a evolução que assola qualquer mundo capitalista ou não, pois todos precisam do bem comum que temos. Nos preocupando com a fauna e a flora já fomos taxados de obstruir o progresso do país. Portanto conclamo a força que vocês exercem na opinião pública, em não deixar nosso CLAMOR seja apenas um discurso, ou simples protesto. Unamos nossas forças aliados a um projeto que possa também chamar a atenção não só da sociedade, mas dos governantes e dos que ditam as Leis, em que o bem maior (as florestas) esta acima dos interesses nacionais, que haja ORDEM E PROGRESSO. Dessa forma teremos a situação inversa de tudo o que reportarmos a respeito do ecossistema e sua biodiversidade.

Peço o seu voto de confiança em nos ajudar a colocar em pratica este ambicioso projeto, rodaremos Estados, cidades, colônias, ribeirinhos, campos, registrando tudo de errado e de bom que este território tem, e colhendo assinaturas para que este processo seja invertido.

DIZ A LEI:

“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

O art. 170, VI da Constituição Federal prevê que:

A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:

PARAGRAFO VI

“Defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação.”

Precisamos mostrar para a sociedade que

PRESERVAÇÃO faz com CONSERVAÇÃO , respeitando as Leis; e EDUCANDO a sociedade.

Paulo Celso VILLAS-BÔAS

A todos que estiverem de acordo com nossa proposta, favor entrar no fórum do Portal Expedição VILLAS-BÔAS pelo Brasil e deixe lá o seu apoio ou recado.

Estamos querendo que todos os Ambientalistas – Institutos de Pesquisas – Universidades – Ong´s que tenham propostas para uma nova conscientização a serem implementadas no nosso projeto com propostas direta e indireta as comunidades visitadas com Cursos – Conscientização ecológicas. Entrem em contato conosco.

Esta luta é não é da Expedição VILLAS-BÔAS pelo Brasil, e sim de todos nós brasileiros que ama esta pátria.

www.expedicaovillasboas.com.br

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails