"Acreditando na magia que existe na educação! Buscando ser a mudança que quero ver no mundo"!
CONTATOS: sunamitamagalialbuquerque@hotmail.com /sunamitanativaoliveira@gmail.com

sábado, 22 de agosto de 2009

22 de agosto - DIA DO FOLCLORE



























UM BANHO DE CULTURA POPULAR
NO CIRCUITO DO FRIO EM GRAVATÁ



Bandas com artistas populares, como Valter Lins da cidade de Bezerros, músicos pernambucanos consagrados, como NILDINHO DA PARAÍBA com sua sanfona e o forró pé-de-serra, Bacamarteiros de Brejo da Madre de Deus, Maracatus, Blocos carnavalescos, enfim, diversas representações da Cultura Popular Pernambucana, nordestina, se apresentaram neste dia tão representativo para a história de nosso povo. Cada um, com suas peculiaridades, engrandeceram e exaltaram a identidade cultural desta tão rica nação, nascida da fusão de três povos.


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A GRIPE CONTINUA AGINDO


É Sempre Bom Se Prevenir...


A Pedido De Um Amigo De Pesquisas No Tempo Do Nosso Saudoso

E Querido Corsini, Do Qual Fui Amigo (Nos Anos 70) E Discípulo

No Começo Dos Anos 80 Em Imunologia E Genética (Unicamp),

Vou Repassar A Todos A Maneira Mais Correta E Saudável De Enfrentar

Essa Influenza A (Erroneamente Chamada De Gripe Suína).

O Melhor Que Vc Pode Fazer É Reforçar O Seu Sistema Imunológico

Através De Uma Alimentação Correta E Saudável,

No Sentido De Manipular Sua Imunidade,

Preparando Suas Células Brancas Do Sangue (Neutrófilos) E Os Linfócitos (Células T)

As Células B E Células Matadoras Naturais. Essas Células B

Produzem Anticorpos Importantes Que Correm Para Destruir Os Invasores Estranhos,

Como Vírus, Bactérias E Células De Tumores.
As Células T Controlam Inúmeras Atividades Imunólogicas E Produzem

Duas Substâncias Químicas Chamadas Interferon E Interleucina,

Essenciais Ao Combate De Infecções E De Tumores.
Bem Vamos Ao Que Interessa, Ou Seja Quais Alimentos São Importantes

(Estimulam A Ação Do Sistema Imunológico E Potencializam Seu Funcionamento).

  • Antes De Mais Nada, Tome Pelo Menos Um Litro E Meio De Água Por Dia,
  • Pois Os Vírus Vivem Melhor Em Ambientes Secos E Manter Suas Vias Aéreas Úmidas
  • Desestimulam Os Vírus. Não A Tome Gelada,
  • Sempre Preferindo Água Natural E De Preferência Água Mineral De Boa Qualidade.

  • Não Tome Leite, Principalmente Se Estiver Resfriado Ou Com Sinusite,
  • Pois Produz Muito Muco E Dificulta A Cura.

  • Use E Abuse Do Iogurte Natural, Um Excelente Alimento Do Sistema Imunológico.

  • Coloque Bastante Cebola Na Sua Alimentação.

  • Use E Abuse Do Alho Que É Excelente Para O Seu Sistema Imunológico.

  • Coloque Na Sua Alimentação Alimentos Ricos Em Caroteno
  • (Cenoura, Damasco Seco, Beterraba, Batata Doce Cozida, Espinafre Cru, Couve)
  • E Alimentos Ricos Em Zinco (Fígado De Boi E Semente De Abóbora).

  • Faça Uma Dieta Vegetariana (Vegetais E Frutas).

  • Coloque Na Sua Alimentação Salmão, Bacalhau E Sardinha,
  • Excelentes Para O Seu Sistema Imunológico.

  • O Cogumelo Shiitake Também É Um Excelente Anti-Viral,
  • Assim Como O Chá De Gengibre Que Destrói O Vírus Da Gripe.

  • Evite Ao Máximo Alimentos Ricos Em Gordura
  • (Deprimem O Sistema Imunológico),
  • Tais Como Carnes Vermelhas E Derivados.
  • Evite Óleo De Milho, De Girassol Ou De Soja Que São
  • Óleos Vegetais Poli-Insaturados.

Importante: Mantenha Suas Mãos Sempre Bem Limpas

E Use Fio Dental Para Limpar Os Dentes, Antes Da Escovação.
Com Esses Cuidados Acima E Essa Alimentação...

Os Vírus Nem Chegarão Perto De Vc.


Abraços
6 De Maio De 2009
(Uma Pequena Contribuição Para Vc Enfrentar Essa E Qualquer Gripe

Que Porventura Apareça No Seu Caminho).

Se Achar Útil Por Favor Repasse Aos Seus Amigos...


Prof. Dr. Odair Alfredo Gomes
Laboratório Morfofuncional
Faculdade De Medicina - Unaerp
Fone: 36036744 Ou 36036795

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Enviado por Edson Hely Silva - Doutor em História pela USP, Pesquisador, Professor do Colégio de Aplicação da UFRPE.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

EUCLIDES DA CUNHA, A GUERRA DE CANUDOS E O BRASIL REAL

Ao Mestre Ariano Suassuna com sua Aula espetáculo: A onça malhada, a favela e o Arraial




Ariano Suassuna e a Educadora Sunamita Oliveira
Foto: Ednaldo Lourenço (Boneco)


No dia 15 de agosto, completou-se 100 anos da morte do jornalista e escritor do célebre livro “Os sertões”, dentre outros significativos títulos - Euclides da Cunha. Infelizmente, pouco se falou a respeito desta data, através da imprensa e muito menos nas escolas, em sua maioria. Pouquíssimos alunos, se indagados hoje, saberiam responder quem foi Euclides da Cunha, muito menos, a contribuição de seu trabalho para que possamos entender o Brasil.


No último dia 17, durante a aula espetáculo realizada em Gravatá, o Mestre Ariano Suassuna afirmou: “Quem não entende o que aconteceu em Canudos, não entende o Brasil”. Esta afirmação se legitima na grandiosidade da obra de Euclides da Cunha, que demonstrou a lisura de seu caráter e conduta ao mudar sua posição de mero expectador de um massacre, passando a apoiar a população vitimizada por uma guerra armada, porque a guerra da sobrevivência, eles já travavam havia tempos.


Engenheiro, jornalista, escritor e poeta, Euclides da Cunha foi o repórter enviado pelo jornal O Estado de S. Paulo para cobrir a Guerra de Canudos (1896-1897). Defensor da República, Euclides acreditava, no início, que Canudos era um movimento em prol da Monarquia, mas ficou chocado com o que viu naquele cenário. Não era nada do que pensava. Tratava-se da manifestação de um povo em busca de melhores condições de vida. Vítimas da seca, da falta de perspectivas e da miséria, depois de enfrentarem por quatro vezes o exército, acabaram sucumbindo. O escritor relata tudo o que presenciou no livro Os Sertões, considerada sua grande obra.

A descrição que Euclides da Cunha faz em seu livro é magistral. Ele fala da natureza, do clima, das dificuldades do homem do sertão... É uma parte difícil, mas importante porque vai justamente esclarecer porque a população vivia naquelas condições. Enfim, em sua obra ele consegue mostrar toda a complexidade da Guerra de Canudos.

Nascido em 20 de janeiro de 1866, Euclides da Cunha envolve-se logo cedo com o jornalismo, aos 17 anos de idade, quando em conjunto com sete colegas funda o jornal O Democrata. Aos 22 anos, protagoniza o Episódio da baioneta ou Episódio do sabre. Durante desfile em homenagem ao então ministro da guerra, o conselheiro Tomás Coelho, em protesto contra a monarquia, Euclides sai da fila de cadetes e tenta quebrar sua baioneta, jogando-a depois aos pés do ministro. Euclides foi desligado do Exército, salvando-se do enforcamento graças à intervenção de seu pai junto ao Imperador D. Pedro II.

Com 31 anos de idade, já no jornal O Estado de S. Paulo, escreve dois artigos sobre Canudos. Mais tarde, em 1902 é lançada a obra Os Sertões. No ano seguinte, toma posse na Academia Brasileira de Letras e no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
Em 1904, com 38 anos de idade, parte para o Amazonas, como integrante da Comissão de Reconhecimento do Alto Purus. Na manhã de 15 de agosto de 1909, com 43 anos, Euclides vai armado ao subúrbio carioca da Piedade, na residência de Dilermando de Assis, amante de sua esposa. Eles trocam tiros e Euclides morre. O episódio fica conhecido como A Tragédia da Piedade.

Euclides da Cunha deve ser tema obrigatório em nossas escolas, pela grandeza da obra, e não apenas nas aulas de história. Conhecer a história do Brasil é dever moral de todos e qualquer cidadão brasileiro.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL - AGRICULTURA ORGÂNICA

60 alunos da Escola John Kennedy visitam o distrito de São Severino, com sua exuberante natureza e conhecem a produção de orgânicos
















Ontem, dia 19, os alunos da 2ª C, 3ª C, 4ª B e 4ª C, visitaram o distrito de São Severino, cumprindo mais uma etapa do Projeto de Educação Ambiental desenvolvido na escola desde o início do ano. O Projeto, que se divide em três eixos temáticos, aborda questões pertinentes a sobrevivência da espécie humana em (des)harmonia com todo o meio.

Os eixos temáticos, ou sub-projetos são: " Sabor e Saúde", que aborda a alimentação humana no quesito quantitativo e qualitativo. "Quanto vale o que você come", apresenta e discute questões relativas aos valores nutricionais dos alimentos e, "Saber e Sabor - os saberes e sabores do Brasil", onde os alunos aprendem toda mudança ocorrida nos hábitos brasileiros a partir da colonização, com a influência dos europeus, dos nossos indígenas e dos africanos trazidos como escravos.

Uma das grandes questões do Projeto trata da valorização do homem do campo, haja vista sermos uma população de maioria rural. Nosso principal objetivo não é apenas discutir a temática ruralista, mas demonstrar que a vida nas metrópolis e nos grandes centros estão diretamente ligadas e dependentes da Zona Rural. Que sem o homem no campo, não há como existir a cidade. A vida na cidade é uma grande utopia. Precisamos tornar possível a manutenção das pessoas na zona rural, vivendo com dignidade, a fim de que se evite um colapso nas cidades.

A qualidade de vida das pessoas que moram na zona rural, a nível de poluição e estresse ésem dúvida inigualável a das pessoas que moram na zona urbana. O que falta, são políticas sérias que permitam ao homem do campo meios de produção e desenvolvimento sustentável.

É dever da escola apresentar saídas para se obter qualidade de vida, através de uma alimentação saudável, como a obtida na agricultura orgânica e familiar, que não agride o meio ambiente do qual somos parte.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

MOBILIZAÇÃO EM NOME DO MEIO AMBIENTE



ALUNOS DA ESCOLA JOHN KENNEDY PLANTAM 320 MUDAS DE ÁRVORES NO LEITO DO RIO IPOJUCA: RECOMPOSIÇÃO DA MATA CILIAR














Nesta segunda-feira(17), toda equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente junto com alunos da 2ª, 3ª e 4ª séries da Escola John Kennedy, realizaram o replantio de um trecho do leito do rio Ipojuca, nas proximidades da Ponte da Fábrica, como uma das etapas do Projeto de Educação Ambiental que vem sendo desenvolvido desde o início do ano.
Os alunos escutaram atentos as observações feitas pela professora Macione Pessoa, assessora da secretaria, bem como do próprio secretário Arãozito, que fez questão de comparecer ao evento, enfatizando em sua fala, a importância deste trabalho.
Os alunos plantaram diversas espécies nativas, além de realizar a limpeza do terreno, catando o lixo que se encontrava no local. A animação da turma foi surpreendente! No final do plantio perguntaram se havia mais, e lamentaram quando acabou o plantio.

O próximo passo a ser realizado pela turminha é o de conscientizar os moradores das margens do rio para preservar as espécies plantadas, bem como, aumentar o número de árvores em toda extensão do rio, recompondo a devastada Mata Ciliar.

Dentre as espécies plantadas: craieira, pau-brasil, andiroba, oiti, barriguda, castanheira.

*NINGUÉM PODE REFAZER O COMEÇO, MAS TODOS PODEM FAZER UM NOVO FINAL!!

domingo, 16 de agosto de 2009

REDAÇÃO: O SÍMBOLO DA MINHA CIDADE-GRAVATÁ


Aos vencedores do Concurso de redação, tanto alunos quanto educadores, realizado no mês de junho, e premiado hoje, sobre o símbolo da cidade de Gravatá, nossos PARABÉNS!

Conheça os feras:

1ª a 4ª séries:
1º lugar: Isabela Calado - Escolinha da Monica

2º lugar: Maria Vitória - ODIP

3º lugar: Ramony Geovana - Escola Jesus Pequenino



5ª a 8ª séries:
1º lugar: Jadiel Vicente - Escola Edgar Nunes Batista

2º lugar: Taís Henrique - Escola Capitão José Primo

3º lugar: Maria Amanda - Escola Pequeno Príncipe


Normal Médio
1º lugar: Mariana Miranda - CEEGRA

2º lugar: Ana Renata Guedes - Escola Estadual Devaldo Borges

3º lugar: Hígor Felipe - Escola Batista Betânia


*UM PAÍS SE CONSTRÓI COM HOMENS E LIVROS.(Monteiro Lobato)


LEIA!
QUEM LÊ MUITO, ESCREVE MELHOR!!

O MESTRE ARIANO SUASSUNA EM GRAVATÁ!!!

Ariano Suassuna dará aula espetáculo em Gravatá



Um dos mais importantes escritores de Brasil estará abrindo a Festa da Estação. Qualquer um pode participar mas são apenas 500 vagas



Nesta segunda feira, dia 17, o escritor, poeta e dramaturgo Ariano Suassuna fará uma aula espetáculo em Gravatá.
O evento faz parte da abertura da Festa da Estação que vai até o próximo sábado. Participam estudantes, artesãos, artistas, representantes do governo e legislativo.
São apenas 500 vagas e a aula será na Escola Professor Antônio Farias às 20h.
Quem quiser assistir basta procurar a Secretaria de Turismo a partir das 7h30 e solicitar uma senha.


Disponível no site da Prefeitura de Gravatá- www.prefeituradegravata.com.br


*PELA PRIMEIRA VEZ, ESTA HUMILDE FÃ TERÁ A OPORTUNIDADE DE ASSISTIR UMA DAS AULAS-ESPETÁCULO DO GRANDE ESCRITOR E JÁ IMORTAL ARIANO SUASSUNA.

MINHA TORCIDA PARA QUE A PREFEITURA MUNICIPAL DE GRAVATÁ APROVEITE A VISITA E SE INSPIRE PARA PRESTAR UMA JUSTA HOMENAGEM AO MESTRE, EM VIDA, DANDO SEU NOME A UMA DAS ESCOLAS MUNICIPAIS QUE CARREGA O FARDO DE TER O NOME DE UM AMERICANO! Aff...


sexta-feira, 14 de agosto de 2009

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

ALUNOS DA 4ª SÉRIE DA ESCOLA JOHN KENNEDY REALIZAM MAPEAMENTO DO RIO IPOJUCA














Como uma das etapas do projeto que vem sendo desenvolvido desde o início do ano, que tem como carro-chefe os cuidados ao meio ambiente, os alunos da 4ª série "C", da Escola Municipal John Kennedy, visitaram 04 pontos da cidade, por onde passa o Rio Ipojuca, sendo cortado por pontes.

Os alunos desenharam mapas e anotaram as principais características destas construções, elencando os impactos causados pelo crescimento desordenado da população, a derrubada da Mata Ciliar para construção de residências, além da substituição da vegetação original por capim, em sua maioria.

As crianças também registraram a quantidade de esgotos, presente em todo percurso feito, desde a conhecida Ponte da Rua do Norte até a mais nova construção, na Ponte Preta, que liga a Perimetral Urbana ao centro da cidade.Além da constatação dos impactos causados pela ausência da mata ciliar e da poluição gerada pelo não tratamento dos esgotos e pela população que joga lixo no rio, os alunos verificaram que a cada dia aumenta o número de residências próximas ao rio, e curiosamente, não são apenas pessoas humildes que invadem as margens do rio, existem muitas casas de pessoas com um certo poder aquisitivo que, também estão invadindo as margens do rio, onde antes era ocupada por árvores de diversas espécies.

O segundo passo agora, será realizar o replantio de um trecho da Mata Ciliar, no perímetro próximo a escola. Aproximadamente 200 mudas, de espécies nativas, serão plantadas segunda-feira (17), junto com os alunos da 2ª e 3ª séries.

Após essa etapa, os alunos realizaram um trabalho de conscientização e sensibilização com os moradores das margens do rio, para que plantem árvores e preservem as que já estão plantadas.

A tarde de trabalho terminou na Sorveteria Gullas, onde todos os alunos se deliciaram com um sorvete de frutas, para poder dar sequência ao trabalho com mais doçura e ânimo!

Estamos preparando seres humanos melhores para deixar para nosso planeta
!!





quinta-feira, 13 de agosto de 2009

TODOS CONTRA A GRIPE!!



A Faculdade do Vale do Ipojuca, através do curso de enfermagem, realizará no Maria José Recepções 1, nos dias 18 e 19 de agosto de 2009, a I Jornada de imunização de Caruaru. Durante os dois dias de Jornada, os profissionais de saúde participarão de conferências, mesas redondas e debates sobre vacinas, tema central da discussão, e os sub-temas:

  • Vacinação para todos

  • Conceitos fundamentais

  • Calendários vacinais e suas diferenças

  • As vacinas e suas particularidades

  • Novas abordagens para o desenvolvimento de vacinas

  • A importância da Enfermagem nas imunizações

  • Efeitos adversos

Programação detalhada do evento


18 de agosto de 2009 - 19:00h - ABERTURA

VACINAÇÃO PARA TODOS”

ENTENDENDO OS CALENDÁRIOS

  • Calendários disponíveis e suas diferenças

  • A maleabilidade dos calendários

  • Aspectos gerais (Intervalo de doses; Reforços; Intercambiabilidade; Aplicação simultânea)

  • Proteção Individual e Coletiva

  • Serviços de vacinação

  • SI-PNI- sistema de informação do programa nacional de imunização


19 de agosto de 2009 – 9:00h

CONCEITOS FUNDAMENTAIS”

  • Memória imunológica

  • Tipos de vacinas e mecanismos de ação

  • Composição das vacinas

  • Combinações e associações

  • Novas abordagens para o desenvolvimento das vacinas

DOENÇAS E VACINAS”

  • dT

  • DTP

  • Hepatite B

  • HPV

  • Poliomielite

  • Raiva

  • Rotavírus

  • Rubéola

  • Tetravalente

  • Tríplice viral

  • Tuberculose


19 de agosto de 2009 – 14:00h

INFLUENZA A - SUBTIPO H1N1”


VACINAÇÃO EM SITUAÇÕES ESPECIAIS”

  • Prematuros

  • Vacinação em gestantes

  • Imunodeficiências primárias


ASPECTOS PRÁTICOS DAS IMUNIZAÇÕES”


BLOQUEIO VACINAL E A IMPORTÂNCIA DA ENFERMAGEM NAS IMUNIZAÇÕES”

Ética enviesada da sociedade branca desvia enfrentamento do problema negro


Há uma freqüente indagação sobre como é ser negro em outros lugares, forma de perguntar, também, se isso é diferente de ser negro no Brasil. As peripécias da vida levaram-nos a viver em quatro continentes, Europa, Américas, África e Ásia, seja como quase transeunte, isto é, conferencista, seja como orador, na qualidade de professor e pesquisador. Desse modo, tivemos a experiência de ser negro em diversos países e de constatar algumas das manifestações dos choques culturais correspondentes. Cada uma dessas vivências foi diferente de qualquer outra, e todas elas diversas da própria experiência brasileira. As realidades não são as mesmas. Aqui, o fato de que o trabalho do negro tenha sido, desde os inícios da história econômica, essencial à manutenção do bem-estar das classes dominantes deu-lhe um papel central na gestação e perpetuação de uma ética conservadora e desigualitária. Os interesses cristalizados produziram convicções escravocratas arraigadas e mantêm estereótipos que ultrapassam os limites do simbólico e têm incidência sobre os demais aspectos das relações sociais. Por isso, talvez ironicamente, a ascensão, por menor que seja, dos negros na escala social sempre deu lugar a expressões veladas ou ostensivas de ressentimentos (paradoxalmente contra as vítimas). Ao mesmo tempo, a opinião pública foi, por cinco séculos, treinada para desdenhar e, mesmo, não tolerar manifestações de inconformidade, vistas como um injustificável complexo de inferioridade, já que o Brasil, segundo a doutrina oficial, jamais acolhera nenhuma forma de discriminação ou preconceito. 500 anos de culpa
Agora, chega o ano 2000 e a necessidade de celebrar conjuntamente a construção unitária da nação. Então é ao menos preciso renovar o discurso nacional racialista. Moral da história: 500 anos de culpa, 1 ano de desculpa. Mas as desculpas vêm apenas de um ator histórico do jogo do poder, a Igreja Católica! O próprio presidente da República considera-se quitado porque nomeou um bravo general negro para a sua Casa Militar e uma notável mulher negra para a sua Casa Cultural. Ele se esqueceu de que falta nomear todos os negros para a grande Casa Brasileira. Por enquanto, para o ministro da Educação, basta que continuem a frequentar as piores escolas e, para o ministro da Justiça, é suficiente manter reservas negras como se criam reservas indígenas. A questão não é tratada eticamente. Faltam muitas coisas para ultrapassar o palavrório retórico e os gestos cerimoniais e alcançar uma ação política consequente. Ou os negros deverão esperar mais outro século para obter o direito a uma participação plena na vida nacional? Que outras reflexões podem ser feitas, quando se aproxima o aniversário da Abolição da Escravatura, uma dessas datas nas quais os negros brasileiros são autorizados a fazer, de forma pública, mas quase solitária, sua catarse anual?


Hipocrisia permanente


No caso do Brasil, a marca predominante é a ambivalência com que a sociedade branca dominante reage, quando o tema é a existência, no país, de um problema negro. Essa equivocação é, também, duplicidade e pode ser resumida no pensamento de autores como Florestan Fernandes e Octavio Ianni, para quem, entre nós, feio não é ter preconceito de cor, mas manifestá-lo. Desse modo, toda discussão ou enfrentamento do problema torna-se uma situação escorregadia, sobretudo quando o problema social e moral é substituído por referências ao dicionário. Veja-se o tempo politicamente jogado fora nas discussões semânticas sobre o que é preconceito, discriminação, racismo e quejandos, com os inevitáveis apelos à comparação com os norte-americanos e europeus. Às vezes, até parece que o essencial é fugir à questão verdadeira: ser negro no Brasil o que é? Talvez seja esse um dos traços marcantes dessa problemática: a hipocrisia permanente, resultado de uma ordem racial cuja definição é, desde a base, viciada. Ser negro no Brasil é frequentemente ser objeto de um olhar vesgo e ambíguo. Essa ambiguidade marca a convivência cotidiana, influi sobre o debate acadêmico e o discurso individualmente repetido é, também, utilizado por governos, partidos e instituições. Tais refrões cansativos tornam-se irritantes, sobretudo para os que nele se encontram como parte ativa, não apenas como testemunha. Há, sempre, o risco de cair na armadilha da emoção desbragada e não tratar do assunto de maneira adequada e sistêmica.


Marcas visíveis


Que fazer? Cremos que a discussão desse problema poderia partir de três dados de base: a corporeidade, a individualidade e a cidadania. A corporeidade implica dados objetivos, ainda que sua interpretação possa ser subjetiva; a individualidade inclui dados subjetivos, ainda que possa ser discutida objetivamente. Com a verdadeira cidadania, cada qual é o igual de todos os outros e a força do indivíduo, seja ele quem for, iguala-se à força do Estado ou de outra qualquer forma de poder: a cidadania define-se teoricamente por franquias políticas, de que se pode efetivamente dispor, acima e além da corporeidade e da individualidade, mas, na prática brasileira, ela se exerce em função da posição relativa de cada um na esfera social. Costuma-se dizer que uma diferença entre os Estados Unidos e o Brasil é que lá existe uma linha de cor e aqui não. Em si mesma, essa distinção é pouco mais do que alegórica, pois não podemos aqui inventar essa famosa linha de cor. Mas a verdade é que, no caso brasileiro, o corpo da pessoa também se impõe como uma marca visível e é freqüente privilegiar a aparência como condição primeira de objetivação e de julgamento, criando uma linha demarcatória, que identifica e separa, a despeito das pretensões de individualidade e de cidadania do outro. Então, a própria subjetividade e a dos demais esbarram no dado ostensivo da corporeidade cuja avaliação, no entanto, é preconceituosa.
A individualidade é uma conquista demorada e sofrida, formada de heranças e aquisições culturais, de atitudes aprendidas e inventadas e de formas de agir e de reagir, uma construção que, ao mesmo tempo, é social, emocional e intelectual, mas constitui um patrimônio privado, cujo valor intrínseco não muda a avaliação extrínseca, nem a valoração objetiva da pessoa, diante de outro olhar. No Brasil, onde a cidadania é, geralmente, mutilada, o caso dos negros é emblemático. Os interesses cristalizados, que produziram convicções escravocratas arraigadas, mantêm os estereótipos, que não ficam no limite do simbólico, incidindo sobre os demais aspectos das relações sociais. Na esfera pública, o corpo acaba por ter um peso maior do que o espírito na formação da socialidade e da sociabilidade. Peço desculpas pela deriva autobiográfica. Mas quantas vezes tive, sobretudo neste ano de comemorações, de vigorosamente recusar a participação em atos públicos e programas de mídia ao sentir que o objetivo do produtor de eventos era a utilização do meu corpo como negro -imagem fácil- e não as minhas aquisições intelectuais, após uma vida longa e produtiva. Sem dúvida, o homem é o seu corpo, a sua consciência, a sua socialidade, o que inclui sua cidadania. Mas a conquista, por cada um, da consciência não suprime a realidade social de seu corpo nem lhe amplia a efetividade da cidadania. Talvez seja essa uma das razões pelas quais, no Brasil, o debate sobre os negros é prisioneiro de uma ética enviesada. E esta seria mais uma manifestação da ambiguidade a que já nos referimos, cuja primeira consequência é esvaziar o debate de sua gravidade e de seu conteúdo nacional. Olhar enviesado
Enfrentar a questão seria, então, em primeiro lugar, criar a possibilidade de reequacioná-la diante da opinião, e aqui entra o papel da escola e, também, certamente, muito mais, o papel frequentemente negativo da mídia, conduzida a tudo transformar em "faits-divers", em lugar de aprofundar as análises. A coisa fica pior com a preferência atual pelos chamados temas de comportamento, o que limita, ainda mais, o enfrentamento do tema no seu âmago. E há, também, a displicência deliberada dos governos e partidos, no geral desinteressados do problema, tratado muito mais em termos eleitorais que propriamente em termos políticos. Desse modo, o assunto é empurrado para um amanhã que nunca chega. Ser negro no Brasil é, pois, com freqüência, ser objeto de um olhar enviesado. A chamada boa sociedade parece considerar que há um lugar predeterminado, lá em baixo, para os negros e assim tranquilamente se comporta. Logo, tanto é incômodo haver permanecido na base da pirâmide social quanto haver "subido na vida".
Pode-se dizer, como fazem os que se deliciam com jogos de palavras, que aqui não há racismo (à moda sul-africana ou americana) ou preconceito ou discriminação, mas não se pode esconder que há diferenças sociais e econômicas estruturais e seculares, para as quais não se buscam remédios. A naturalidade com que os responsáveis encaram tais situações é indecente, mas raramente é adjetivada dessa maneira. Trata-se, na realidade, de uma forma do apartheid à brasileira, contra a qual é urgente reagir se realmente desejamos integrar a sociedade brasileira de modo que, num futuro próximo, ser negro no Brasil seja, também, ser plenamente brasileiro no Brasil.

____________________
* Artigo escrito por Milton Santos, geógrafo, professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP


Fonte: Folha de S.Paulo

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

CULTURA AFRO-BRASILEIRA


País ganha primeiro quilombo urbano

Associação de Porto Alegre pode garantir 6,5 mil metros quadrados e vira referência para comunidades negras

Elder Ogliari


A Associação Quilombo da Família Silva, em Porto Alegre, primeiro quilombo urbano a ser reconhecido no País, pode receber ainda este ano a titulação definitiva de uma área de 6,5 mil metros quadrados e confirmar a sua condição de referência para outras comunidades negras que lutam pelo mesmo direito.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já tem a posse formal de parte do terreno e aguarda o encerramento da discussão sobre os valores depositados para os proprietários da outra parte para transferir a titularidade aos quilombolas. Os desapropriados reivindicam na Justiça a atualização de alguns valores da indenização e juros.

A associação busca agora seu CNPJ para se habilitar ao título e, conforme uma de suas integrantes, Lígia Maria da Silva, 51 anos, nascida e criada no quilombo, sonha em receber o documento das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda neste ano. "O título é coletivo, com cláusulas que o tornam imprescritível, impenhorável e inalienável", ressalta o coordenador de projetos especiais da superintendência do Incra no Rio Grande do Sul, José Rui Tagliapietra.

Com 15 casas de madeira, nas quais moram 15 famílias e 70 pessoas, o Quilombo Silva é um enclave em meio a mansões e condomínios de luxo no bairro Três Figueiras, um dos mais valorizados da capital gaúcha. Cada passo que o grupo deu para conquistar sua terra acabou chamando a atenção e, pelo sucesso, incentivando a luta de outros que já trilhavam ou que optaram por seguir o mesmo caminho.

"O Quilombo Silva é um divisor de águas", afirma o advogado Onir de Araújo, participante da equipe de coordenação do Movimento Negro Unificado no Rio Grande do Sul. "O fato de o grupo assumir identidade étnica para garantir seu espaço físico e de ter sido vitorioso em sua luta provocou impactos em todo o País", avalia. "O pessoal nos procura para saber como conseguir avançar na luta deles", conta, orgulhoso, o quilombola Lorivaldino da Silva, 49 anos.

História

A história do Quilombo Silva começa nos anos 40 do século passado, quando quatro antepassados das famílias atuais migraram de São Francisco de Paula, no interior, para Porto Alegre. Na capital, se instalaram num terreno distante do centro, onde cultivavam frutas, hortaliças e ervas medicinais e de onde saiam eventualmente para vender seus produtos ou prestar serviços nos bairros.

A expansão da cidade acabaria por cercar os Silvas, sobretudo nos anos 80, quando o bairro em que vivem se valorizou, atraindo famílias abastadas. Desde os anos 60 havia disputas judiciais entre proprietários, que reivindicavam a posse e estiveram a ponto de conseguir o despejo dos Silvas por pelo menos duas vezes, e moradores do terreno, que moviam ações de usucapião.

Em 2003, depois do decreto presidencial que estabeleceu que podem ser definidas como quilombos as comunidades portadoras de uma tradição de resistência da população negra, os Silvas se fortaleceram. Em 2004, a Fundação Cultural Palmares incluiu a comunidade no Cadastro de Remanescente de Quilombos, primeiro passo para o reconhecimento. Na sequência, o Incra elaborou o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) e em dezembro de 2006 o Ministério do Desenvolvimento Agrário publicou portaria reconhecendo a povoação como primeiro quilombo urbano do País. Isso abriu caminho para a posterior desapropriação da área.

Situação

O progressivo reconhecimento já mudou parcialmente as condições do quilombo. Antes o esgoto corria sob os pés de crianças e adultos, água potável era artigo de luxo e a população contava com apenas um sanitário comunitário. Por dificuldades cadastrais, os moradores também sofriam para ter acesso a atendimento médico e remédios da rede pública. Entre 2002 e 2003, duas irmãs, Zeneide e Ana Cristina, morreram de tuberculose. Agora, as famílias contam com rede de saneamento básico e banheiros particulares, dentro das residências, construídos pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Além disso, por intervenção do Ministério Público, foram cadastrados e passaram a ser atendidos pelo Posto de Saúde da Vila Jardim. "Nunca mais morreu ninguém", diz, aliviada, Lígia.

Na nova condição, com terra, posse, documentos e reconhecimento, os quilombolas estão se preparando para buscar ajuda de outros programas sociais, como os que incentivam a construção de moradias. "Falta melhorar as casas", constata Lígia. "A chuva inunda tudo, entra água pelo telhado e até pelas paredes", emenda Ângela Maria da Silva.

"Alunos da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) já fizeram um projeto voluntariamente e esse é nosso próximo sonho", completa Lorivaldino, referindo-se a um plano esboçado por estudantes de engenharia que prevê a construção de casas com três dormitórios, galpão, creche e calçadas.

Os moradores do Quilombo Silva queixam-se do custo da alimentação, mas reconhecem que, na localização em que estão, têm vantagens como proximidade de escolas para as crianças e oferta de trabalho em áreas como serviços domésticos, jardinagem, pintura e consertos diversos nas mansões das redondezas. A comunidade cresceu. Em 2003, tinha 9 famílias e 37 pessoas. Hoje, por casamentos de jovens e nascimento de crianças, conta com 15 famílias e 70 pessoas.

Fonte:
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Enviado por Edson Hely Silva - pesquisador, professor do Colégio de Aplicação da UFPE

terça-feira, 11 de agosto de 2009

OPINIÃO: MARTIN CARNOY

"Professores brasileiros precisam aprender a ensinar"

Para economista, é preciso supervisionar o que ocorre na sala de aula no Brasil; problema também afeta escola particular

Letícia Moreira/Folha Imagem

Martin Carnoy durante entrevista e, São Paulo sobre estudo em que compara os sistemas de educação do Brasil, Chile e Cuba

MARIA CRISTINA FRIAS
ROBERTA BENCINI
DA REPORTAGEM LOCAL

"POR QUE alunos cubanos vão tão melhor na escola do que brasileiros e chilenos, apesar da baixa renda per capita em Cuba?" A pergunta norteou estudo do economista Martin Carnoy, professor da Universidade Stanford, que filmou e mensurou diferenças entre atividades escolares nos três países. No Brasil, o professor encontrou despreparo para ensinar e atividades feitas pelos alunos sem controle. "Quase não há supervisão do que ocorre em classe no Brasil."
Para ele, o problema também atinge a rede particular. "Pais de escolas de elite pensam que estão dando ótima instrução aos filhos, mas fariam melhor se os colocassem em uma escola pública de classe média do Canadá." Carnoy sugere filmar o desempenho dos professores. "Não basta saber a matéria. É preciso saber como ensiná-la." Ele esteve no Brasil na semana passada para lançar o livro "A Vantagem Acadêmica de Cuba", patrocinado pela Fundação Lemann.

FOLHA - O que mais chamou a sua atenção nas aulas no Brasil?
MARTIN CARNOY
- Professoras contratadas por indicação do secretário de Educação do município, que dirigem a escola e vão lá de vez em quando; 60% das crianças repetem o ano, e professoras pensam que isso é natural porque acham que as crianças simplesmente não conseguem aprender. Fiquei impressionado, o livro [didático usado na sala de aula] era difícil de ler. Precisaria ter alguém muito bom para ensinar aquelas crianças com ele. Ficaria surpreso se qualquer criança conseguisse passar [de ano]. Vi escolas na Bahia, em Mato Grosso do Sul, em São Paulo, no Rio... [entre outros].

FOLHA - Qual a metodologia do estudo?
CARNOY
- Como economista, usei dados macro para explicar as diferenças entre os países nos testes de matemática e linguagem. Fizemos análises com visitas a escolas e filmamos classes de matemática e analisamos as diferenças entre as atividades em classe. Há uma grande diferença, pais cubanos têm renda baixa, mas são altamente educados, em comparação com os do Brasil. O estudo foi finalizado em 2003 e depois comparamos Costa Rica e Panamá. Na Costa Rica, há coisas engenhosas, aulas com duas horas, em que se pode realmente ensinar algo. Supervisionar a resolução de problemas de matemática e, principalmente, discutir resultados e erros. Os alunos cubanos têm aulas acadêmicas das 8h às 12h30. Depois, almoço. Voltam às 14h e ficam até as 16h30, quando têm uma sessão de TV por 40 minutos. A seguir, artes e esportes, mas com o mesmo professor.

FOLHA - Ter o mesmo professor durante quatro anos (como os cubanos) é uma vantagem?
CARNOY
- Quatro anos, pelo menos. Mas os alunos não mudam de um ano para outro. No Brasil, se alunos e professores mudam muito de escola, como fazer isso? Se a ideia é tão boa, se funciona, deveríamos fazer algo para que pelo menos professores não mudassem tanto.

FOLHA - Qual a sua avaliação sobre a proposta da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo que vincula o aumento de salário à permanência do professor na mesma escola e à aprovação em testes?
CARNOY
- Sugeri ao secretário Paulo Renato que acrescentasse um teste: filmar o professor, como no Chile. Professores de outra escola avaliam os videoteipes. Professores podem ser bons nos testes, mas péssimos para ensinar. Se você tiver um professor experiente que foi bem ensinado a ensinar e teve um bom desempenho com os alunos, a diferença é visível em relação a uma pessoa sem experiência, como eu. Profissionais que viram as fitas disseram que há grande diferença entre o professor cubano e o brasileiro.

FOLHA - A Secretaria da Educação pretende oferecer curso de treinamento de professores de quatro meses. Em Cuba, dura 18 meses, para o nível médio. O que é importante num treinamento?
CARNOY
- [Em Cuba] São oito meses para a escola fundamental. Mas são para os professores que não foram à faculdade. Você deve se lembrar que houve escassez de professores, com o incremento do turismo, que atrai pelo pagamento em dólares. Tiveram de produzir muitos professores, muito rapidamente. Então, pegaram os melhores estudantes do ensino médio e lhes ofereceram cinco anos de universidade nos finais de semana. O que é importante nesses cursos de treinamento é ensinar como dar o currículo, como ensinar matemática. O Estado deve estabelecer padrões claros, como na Califórnia. Isso é o que tem de ser ensinado em matemática no terceiro ano. No Chile, há um currículo nacional, mas não ensinam aos estudantes de pedagogia como ensinar o currículo.

FOLHA - O sr. dá muita importância ao diretor...
CARNOY
- E também à supervisora, que em muitas escolas no Brasil não fazem nada, não entram em sala. Em Cuba, diretores e vice-diretores ou supervisoras assistem às aulas. Nos primeiros três anos de serviços de um professor, eles entram muito, ao menos duas vezes por semana. São tutores que asseguraram que a instrução siga o método e o nível requeridos pelos padrões estabelecidos.

FOLHA - Os bônus a professores, como ocorre no Estado de São Paulo, são um bom caminho?
CARNOY
- Não há boas evidências de que esse sistema de estímulo funciona. O modelo usado em São Paulo, em que todos os professores ganham mais dinheiro se a escola atingir a meta, pode funcionar. Tentaram isso na Carolina do Sul, no final dos anos 80. Foi um grande sucesso por poucos anos e, depois, deixou de sê-lo porque não houve mais melhora. Eles só atingiram um certo limite e não conseguiram mais progredir. Há o efeito inicial do esforço e depois, quando as pessoas têm que saber melhor como aprimorar o desempenho dos alunos, nada acontece. E não existe mais na Carolina do Sul. O que tem sido feito, em geral, nos EUA não é bônus, mas punição. Se a escola fracassa em atingir a sua meta em três anos, como na Flórida, os estudantes podem receber vouchers e frequentar escolas particulares, em vez de públicas. A forma como estão fazendo em São Paulo não é a melhor. Eles medem neste ano como a segunda série aprende e, no próximo, quanto a segunda série aprende. Mas não os mesmos alunos. Escolas pequenas têm mais chance de receber bônus do que grandes. Se a escola cai, não há punição. Só não recebe bônus. Não estou defendendo punição, só digo que eles [bônus] são mal mensurados. Você pode fazer como em São Paulo, mas não dar bônus todo ano, e sim a cada dois anos. E aí poderá ver o que se ganhou com os alunos que se mantiveram na escola e ter as médias, mas com as mesmas crianças através das séries. O problema da falta de professores é mais grave porque é sobretudo um absenteísmo autorizado, não é ilegal. Em Cuba, professores e alunos faltam pouco. É tudo controlado.

FOLHA - Melhorar o ensino público provocaria uma avanço na educação como um todo, inclusive nas escolas particulares?
CARNOY
- Pais de escolas de elite pensam que estão dando ótima instrução aos filhos, mas fariam melhor se os colocassem em uma escola pública de classe média do Canadá. Mesmo os melhores docentes brasileiros são menos treinados do que os de Taiwan. Os melhores professores no Brasil têm em média desempenho abaixo da média do professorado de países desenvolvidos. Investir e melhorar a escola pública, que é a base de comparação dos pais, elevaria o resultado das melhores escolas particulares também. Professores são bons em pedagogia, mas não no conhecimento a ser ensinado. Não treinam muito matemática e não sabem como ensiná-la.

FOLHA - O que do modelo cubano não pode ser transposto considerando que Cuba vive sob ditadura?
CARNOY
- Há, de fato, uma falta de criatividade [no ensino]. Não se pode questionar, ser contra a Revolução. Mas as crianças sabem que estão aprendendo o esperado. São bons em matemática, sabem ler bem e aprendem muita ciência, mesmo nas escolas rurais ou de bairros urbanos de baixa renda. O Brasil tem a capacidade de enfrentar esses problemas [ter crianças bem nutridas, com bom atendimento médico]. Por que em uma sociedade com uma renda per capita que não é tão baixa não se faz isso? Acho que tem de ser construído um sistema de supervisão, com pessoas capazes de ensinar e treinar novos professores a ensinar. Os professores no Brasil estudam muito linhas de pedagogia e menos como ensinar. Podem esquecer tudo aquilo de Paulo Freire, um amigo. Devem ler sua obra como exercício intelectual, mas queremos que professores saibam ensinar.

FOLHA - Não é possível conciliar na América Latina bom ensino com autonomia, democracia?
CARNOY
- A melhor escola é a que tem professores com democracia. Mas temos de ter um acordo de quais são os nossos objetivos. Tony Alvarado é um supervisor em Manhatan que trocou metade dos professores e dos diretores para melhorar a qualidade das escolas. Ele disse aos professores: "Este é o programa. Vão implementá-lo comigo ou não? Têm uma semana para pensar. Se não quiserem, são livres para sair".

FOLHA - No Brasil seria mais difícil...
CARNOY
- Seria muito mais fácil! Um quarto do professorado muda de escola todo ano! Em Nova York, não se demitiu. Alvarado mandou-os para outros bairros. Precisa, no início, de um certo autoritarismo. Porque alguém tem de dizer o que fazer no início. E depois, sim, há uma democracia. Os diretores devem se preocupar com os direitos das crianças. Em Cuba, é o Estado. Aqui, os sindicatos de professores preocupam-se com os direitos dos associados - e estão em certos em fazê-lo. Mas e as pobres crianças que não têm sindicatos para defender seus direitos à educação?

Frases

Mesmo os melhores docentes brasileiros são menos capacitados do que os docentes de Taiwan

Um dos problemas mais graves no Brasil é o absenteísmo do docente. E pior, o absenteísmo autorizado


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* Enviado pelo Professor Dr. Edson Hely Silva, pesquisador, professor do Colégio de Aplicação da UFPE

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