"Acreditando na magia que existe na educação! Buscando ser a mudança que quero ver no mundo"!
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sábado, 11 de abril de 2009

HOLOCAUSTO INDÍGENA

É perceptível, público e notória a comoção das pessoas diante das imagens do Holocausto Judeu,bem como a solidariedade para com o povo de Israel; alguns até hoje vão as lágrimas ao contemplar as fotos da carnificina que os judeus foram submetidos.

Confesso que tais imagens também me causam comoção. Como não se emocionar diante da imagem de tantos corpos amontoados, dos sobreviventes no último estágio da dignidade humana? Quem não chorou, ou pelo menos sentiu um nó na garganta com "A lista de Schindler"? Nada mais justo. Foram mais de 6 milhões de vidas ceifadas.
Mas, o que me estarrece é saber que estes mesmos telespectadores da saga judaica, não tem a mesma abnegação diante dos contínuos massacres de seu próprio povo. Do povo que carrega em seu DNA a origem deste país, portanto, a história de cada um de nós.
O que será preciso para mudarmos este quadro de omissão e completo descaso por parte da sociedade, quanto a causa indígena? Será que precisaremos expor fotografias de corpos mutilados para sensibilizar a opinião pública?(grifo meu)


E você, professor/a, até quando vai continuar caricaturando e/ou fantasiando seus alunos de índios americanos?


Pare, Leia e Pense.


- Desde o início, o massacre dos nativos americanos foi “abençoado por Deus”. Nos “Contos Astecas sobre a Conquista”, colhidos pelo clero franciscano, lê-se que Cortés era apoiado pelo Estado Pontifício: “Esta era a vontade do papa, que dera seu consentimento à vinda deles”.
- No México, só a título de exemplo, a população passou de 12 milhões, em 1519, a menos de 1,3 milhão na metade de 1600.
- No início do século XVI, a população nativa do continente centro e sul-americano girava em torno de setenta milhões de pessoas. Na metade do século XVII, havia sido reduzida a sete milhões.
- Cortés, para coibir uma rebelião popular, convocou sessenta caciques (dignatários astecas) e ordenou que cada um levasse consigo o próprio herdeiro. Então, mandou queimá-los vivos na presença de seus parentes…
- Um povo nativo, guiado pelo chefe indígena Hatuey, tentou se rebelar contra a escravidão. Tentaram uma fuga em massa, mas foram novamente capturados pelos espanhóis. Hatuey foi queimado vivo.
- Os espanhóis eram criativos. Chegaram a construir forcas enormes em que os pés mal tocavam o chão (para evitar o sufocamento) e penduraram em cada uma - em honra do redentor e dos 12 apóstolos- grupos de treze indígenas, colocando embaixo lenha e brasas e queimando-os vivos.
- Em outras ocasiões inventavam outras gracinhas: “Os espanhóis arrancavam o braço de um, a perna ou a coxa de outro, para de um só golpe a cabeça de alguém, de modo não muito diferente de como faz um açougueiro… Vasco de Balboa fez quarenta dessas pessoas serem devoradas pelos cães”.
- Em 1517,nas ilhas caribenhas, “alguns cristãos encontraram uma índia que segurava uma criança em um braço, dando-lhe de mamar. Como os cães… estavam famintos, tiraram o menino dos braços da mãe e o jogaram vivo como alimento para os cães, que o fizeram em pedaços diante dos olhos da mulher (…).
- Las Casas, bispo católico, presenciou um verdadeiro massacre em Caonao, Cuba, . Uma centena de espanhóis armados, para verificar se suas espadas estavam bem afiadas, “começaram a estripar, perfurar e massacrar ovelhas e cordeiros, homens e mulheres, idosos e crianças que estavam tranqüilamente sentados ali perto… Las Casas escandalizado, denuncia o caso à coroa espanhola.
- O viajante Pietro Martire assim descreve a expedição de Vasco de Nuñez de Balboa: “Assim como os açougueiros cortam em pedaços a carne de bois e das ovelhas para vendê-las penduradas em ganchos, os espanhóis arrancavam com um só golpe o traseiro de um, a coxa de outro, as costas de outro ainda. … Vasco mandou os cães esquartejarem quarenta deles”.
- Ainda em 1550, o monge Jerônimo de San Miguel denunciou que os espanhóis “queimaram vivos alguns índios, arrancaram mãos, nariz, língua e membros de outros; outros foram jogados aos cães; mulheres tiveram os seios cortados…” Talvez o massacre dos nativos do novo mundo tenha humanizado alguns poucos cristãos (grifo meu).
- O bispo de Yucatán, Diego de Landa, disse ter visto “uma grande árvore com galhos onde um capitão havia enforcado várias índias; e em seus tornozelos pendurara, pela garganta, seus filhos.
- E se durante o transporte os indígenas, arrastados com a corda no pescoço, não andassem animados como seus companheiros, os espanhóis cortavam sua cabeça, para não precisar parar para desamarrá-lo.
- Um cronista de 1570 fala de um “oidor” (juiz) “que afirmava em público, de cima de seu tablado e em voz alta, que se faltasse água para irrigar as fazendas dos espanhóis, seria utilizado o sangue dos indígenas”.




Fonte: O LIVRO NEGRO DO CRISTIANISMO - Dois Mil Anos de Crimes em Nome de Deus; Autores: Jacopo Fo, Sergio Tomat, Laura Malucelli, tradução de Monica Braga, Ediouro, Rio de Janeiro, 2007.
Extraído do site: http://maniadehistoria.ning.com/

Prof. Luís Carlos Silva Lins

OS ÍNDIOS DE PERNAMBUCO

Com a brilhante e imprescindível ajuda do Prof. Edson Hely Silva, da UFPE, conseguimos atualizar as informações acerca da localização, identidade e população dos índios pernambucanos.
O Prof. Edson tem dedicado seu tempo e estudos aos Xukuru do Ororubá, em Pesqueira, cuja saga, este blog divulgará com a maior riqueza de detalhes possível, a começar pela apaixonada Carta de Agnaldo Xukuru, que se encontra sob custódia da justiça no presídio Juiz Plácido de Souza, em Caruaru. Outros 26 índios Xukuru foram condenados pela justiça, e podem ser presos a qualquer momento, de acordo com informações do Prof. Edson Silva.
Pelo jeito, nesses 509 anos de pós-colonização, os bugreiros mudaram apenas de nome e, adquiriram outros status. E o mais interessante é que agora eles não estão mais sendo patrocinados pela coroa portuguesa, mas são pagos com dinheiro público!
CIVILIZADOS? NÓS?






sexta-feira, 10 de abril de 2009

ENTRAMOS NA MÁQUINA DO TEMPO?


Seria cômico, se não fosse trágico, o embarque (ou permanência) da dita sociedade civilizada, aos remotos anos de 1500, período, segundo nos contam os registros históricos em que europeus aventureiros, tidos como desbravadores, aportaram em uma terra repleta de riquezas minerais e vegetais, mas com um incoveniente - a presença de um povo "inculto, atrasado, desprovidos de inteligência, desalmados, agressivos, não-cristãos, etc, etc...", ou seja, dispensáveis a nova aquisição da Coroa Portuguesa. Dar cabo deles tornou-se questão de honra. Não podiam atrapalhar o PROGRESSO!

E assim, utilizaram-se de facões, pólvora, gripe, sarampo, sífilis... não importava o tamanho nem a idade do ser em questão. E dessa forma, mais de três milhões deles acabaram-se assim!


É provável que você diga: já ouvi esta história mais de um milhão de vezes! -Pois bem. Leia com atenção o próximo texto e responda para você mesmo:a quantos passos estamos de 1500? e os bugreiros, colonizadores, bandeirantes... não mudaram apenas os nomes?




XICÃO XUKURU: “Ele foi plantado para que dele nasça novos guerreiros”




O dia 20 de maio é de luto para o povo Xukuru do Ororubá em Pesqueira. Era uma quarta-feira, um dia como outro qualquer da feira semanal na cidade, momento em que os índios xukurus descem de suas aldeias na Serra do Ororubá para comercializar seus produtos, comprar os gêneros que necessitam, resolver alguma pendência, etc. Nesse dia em 1998, quando o Cacique Xicão estacionava o carro na frente da casa de sua irmã, no Bairro Xukurus, um estranho se aproximou e a queima roupa disparou vários tiros assassinando o Cacique ainda dentro do veículo, fugindo o pistoleiro em seguida.
Com o Cacique Xicão, o povo Xukuru a partir dos anos 1980 retomou a mobilização por suas terras secularmente invadidas por fazendeiros. Após a participação na campanha da Assembléia Nacional Constituinte, com a expressiva liderança e atuação do Cacique, motivados pelas conquistas na Constituição de 1988, os Xukuru articulados com setores da sociedade civil, como o CIMI (Conselho Indigenista Missionário, órgão anexo à CNBB), iniciaram a retomada de seu território tradicional, reocupando áreas de várias fazendas.
A liderança de Xicão atraiu a ira dos fazendeiros, muitos deles membros da oligarquia de Pesqueira. Ele passou a receber várias ameaças de morte. Mesmo após o brutal assassinato de Xicão e posteriormente do líder Chico Quelé em agosto/2001, embora bastante abalado, o povo Xukuru continuou por meio da articulação interna, o processo de organização e mobilização pela conquista de seus direitos, de suas terras hoje reocupadas em cerca de 85%.
Por essa razão, o 20 de maio é também um dia de reconhecimento e afirmação indígena, de protesto em memória do Cacique Xicão, pela impunidade das violências contra os povos indígenas e suas lideranças. Nesse sentido, anualmente ocorre a Assembléia do povo Xukuru quando são discutidos os problemas e elegidas as prioridades de trabalho para os próximos meses. Após um ato religioso no centro da mata na Aldeia Pedra D’ Água, local em que Xicão foi “plantado”, é realizada uma grande caminhada, com a participação massiva dos Xukuru, além de indígenas de outras delegações de várias partes do Brasil, aliados e muitas pessoas solidárias com os povos indígenas, que descem da Serra do Ororubá, passam pelas ruas centrais de Pesqueira e vão até o local onde Xicão foi assassinado, onde um multidão fazem um ato público em sua memória.
A leitura da trajetória de atuação do Cacique Xicão nos faz lembrar de outras lideranças, a exemplo de Margarida Maria Alves, camponesa, líder sindical em Alagoa Grande/PB, assassinada a mando de fazendeiros nos anos de 1980, que afirmava “morro, mas não fujo da luta!”. Como Santos Dias, líder operário, assassinado pela polícia, na mesma época, durante uma greve dos metalúrgicos em São Paulo, e de tantas outras lideranças mortas na defesa de uma sociedade plural, de igualdade, justiça e dignidade para todos/as.
A persistência do Cacique Xicão, de Chico Quelé, o empenho, a luta, suas vidas e de tantos outros/as que lutaram pelo reconhecimento dos direitos indígenas, da justiça e vida plena, não foi em vão: “Do sangue de Margarida, margaridas!” e como dizem os Xukuru sobre Xicão, “ele não foi enterrado, ele foi plantado, para que dele nasça novos guerreiros!”.
Somos chamados/as para testemunhar a concretização dessas afirmações no próximo dia 20 de maio indo a Pesqueira.



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Edson Silva é professor no Col. de Aplicação/CENTRO DE EDUCAÇÃO-UFPE.
E-mail: edson.edsilva@gmail.com

BRASILEIROS, PERNAMBUCANOS E ÍNDIOS SIM, SENHOR!


Para uma outra abordagem da temática indígena no Ensino de História: superando equívocos, preconceitos e omissões.



Por Edson Silva *



As pesquisas e reflexões históricas que ora vem sendo realizadas sobre os povos indígenas no Nordeste, a partir de abordagens que incorporam as discussões interdisciplinares mais recentes, além de possibilitarem rever uma história linear, ufanista, como uma grande conquista, estão contribuindo para um maior conhecimento das relações coloniais. Onde os indígenas foram e são atores/sujeitos, contribuindo também para compreensão do processo histórico de emergência étnica na Região e da atualidade dos povos indígenas no Nordeste.
Nos últimos anos, os povos indígenas no Nordeste, assim como em todo o Brasil fortaleceram suas organizações, intensificaram as mobilizações pelo reconhecimento étnico enquanto povos diferenciados, pela demarcação e retirada dos invasores de suas terras, pelas conquistas e garantia dos seus direitos a uma assistência de saúde e educação diferenciadas. Esses povos ocupam um inegável lugar no cenário político, obrigando-nos a rever a História, superar equívocos, preconceitos e omissões e a tradicional idéia errônea de uma homogeneidade cultural no Brasil. O Ensino de História deve incorporar essas discussões, ou do contrário continuará reproduzindo imagens ultrapassadas, descabidas e violentas sobre/contra os povos indígenas.
A seguir estão sugestões a serem discutidas e implementadas no sentido de contribuir de forma efetiva com o fim dos equívocos, preconceitos e omissões no ensino sobre a temática indígena. Essas propostas devem estar baseadas antes de tudo nos esforços do conhecimento da situação em que vivem e a superação de toda e qualquer forma de discriminações contra os povos indígenas, bem como e pelo reconhecimento de seus direitos históricos:


· Incluir a temática indígena nas capacitações, estudos e treinamentos periódicos do professorado, a ser abordada na perspectiva da pluralidade cultural historicamente existente no Brasil e na sociedade em que vivemos: através de cursos, seminários, encontros de estudos específicos e interdisciplinares destinados ao professorado e demais trabalhadores/as em educação, com a participação de indígenas e assessoria de especialistas reconhecidos.


· Promover estudos específicos para que o professorado de História possa conhecer os povos indígenas no Brasil, possibilitando uma melhor abordagem ao tratar da temática indígena em sala de aula, particularmente nos municípios onde atualmente habitam povos indígenas.


· Estimular e apoiar professores/as que possuam interesses em aprofundar através de cursos de pós-graduação os estudos sobre os povos indígenas.


·Intensificar a produção, com assessoria de pesquisadores/as especialistas, de vídeos, cartilhas, subsídios didáticos sobre os povos indígenas para serem utilizados em sala de aula. Proporcionar o acesso a publicações: livros, periódicos, etc., como fonte de informação e pesquisa sobre os povos indígenas.


· Promover momentos de intercâmbios entre os povos indígenas e os estudantes durante o calendário letivo, através de visitas previamente preparadas do alunado às aldeias, bem como de indígenas às escolas. IMPORTANTE: ação a ser desenvolvida principalmente nos municípios onde atualmente moram os povos indígenas, como forma de buscar a superação dos preconceitos e as discriminações.


· Ampliar o “Dia do Índio” para uma “Semana dos Povos Indígenas” a ser promovida com exposições de trabalhos e pesquisas interdisciplinares realizadas pelo alunado, exibição de vídeos, fotografias, debates com a participação de indígenas, estudiosos/as, instituições indigenistas, etc., como forma de proporcionar maior conhecimento sobre a situação e diversidade sociocultural dos povos indígenas.


· Discutir e propor o apoio aos povos indígenas, através do estímulo ao alunado, com a realização de abaixo-assinados, cartas às autoridades com denúncias e exigências de providências para as violências contra os povos indígenas, assassinatos de suas lideranças, etc. Estimulando assim através de manifestações coletivas na sala de aula, o apoio às campanhas de demarcação das terras e garantia dos direitos dos povos indígenas.


· Enfim, promover ações pautadas na perspectiva da diversidade cultural e dos direitos dos povos indígenas, bem como do reconhecimento de que o Brasil é um país pluricultural e pluriétnico.



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*Doutor em História Social pela UNICAMP. Mestre em História pela UFPE. Leciona História no CENTRO DE EDUCAÇÃO/Col. de Aplicação/UFPE. Pesquisador da história indígena em Pernambuco, com vários artigos publicados sobre o tema. Assessor para área de História na formação dos/as professores/as indígenas em Pernambuco e no Projeto PROFORMAÇÃO/MEC/SEDUC-PE. E-mail: edson.edsilva@gmail.com

quarta-feira, 8 de abril de 2009

EXISTEM ÍNDIOS EM PERNAMBUCO?

1. Xukuru 2. Kapinawá 3. Kambiwá 4. Atikum 5. Truká 6. Pankararu 7. Tuxá 8. Fulni-ô (ainda há os Pankaiuká,Pankará e Pipipã)


Ao contrário do que muita gente pensa, há no estado de Pernambuco 11 etnias indígenas, e muito mais próximos de nós do que imaginamos, como poderá ser conferido nestes mapas.



Atualmente, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), vivem em Pernambuco um total de 25.726 remanescentes dos povos indígenas que primitivamente habitavam no Estado.

Eles estão assim distribuídos:

*Pankararu, 4.062 pessoas;

*Kambiwá, 1.400;

*Atikum, 4.506;

*Xucuru, 8.502;

*Fulni-Ô, 3.048;

*Truká, 2.535;

*Tuxá, 47;

*Kapinawá, 1.035;

*Pipipãs, 591 pessoas.

Sobrevivendo em situação precária e, muitas vezes, sendo mortos em emboscadas como vem ocorrendo desde 1986 com os Xucurus, no município de Pesqueira, esses remanescentes indígenas ainda guardam um pouco da cultura dos índios pernambucanos, massacrados ao longo dos séculos.

Veja, aqui, um resumo da história de cada uma dessas tribos de Pernambuco:

- As tribos Fulni-Ô: Também conhecidos como Carnijó ou Carijó, vivem do artesanato e agricultura de subsistência no município de Águas Belas. Conservam o idioma Yathê e alguns rituais como o Ouricuri.

- Kambiwá: O grupo ocupa uma área de 27 mil hectares de terra entre os municípios de Ibimirim, Inajá e Floresta, desenvolvendo agricultura de subsistência.Pankararu: Seus remanescentes estão distribuídos em 14 mil hectares de terra entre os municípios de Tacaratu, Jatobá e Petrolândia, conservando algumas de suas festas tradicionais como a Festa do Menino do Rancho e o Flechamento do Umbu.

- Atikum: Esses índios ocupam uma área de 16 mil hectares no município de Carnaubeira da Penha, vivem da agricultura de subsistência.

- Xucuru: Vivem na região da Serra do Ororubá, município de Pesqueira, conservam algumas festas religiosas como a de Nossa Senhora da Montanha e praticam a agricultura de subsistência.

- Truká: Grupo de remanescentes indígenas que vivem da agricultura no município de Cabrobó.

- Kapinawá: Vivem na localidade de Mina Grande, no município de Buíque.

- Tuxá: Grupo de 41 índios assentados em um acampamento da Chesf, no município de Inajá, depois que suas terras foram inundadas pelo lago da hidrelétrica de Itaparica.

- Pipipã: Esses índios viviam nas caatingas entre os vales dos rios Moxotó e Pajeú e foram praticamente dizimados em meados do século XVIII. Atualmente, existe um pequeno grupo de remanescentes no município de Floresta, na região do Rio São Francisco.

- Os índios Pankará habitam os municípios de Carnaubeira da Penha e Floresta. Tem uma população de aproximadamente 1.025 pessoas. É a única tribo que tem uma mulher como cacique!

- Acerca dos Pankaiuká, sabe-se apenas que habitam no município de Jatobá, e o número de pessoas da tribo é desconhecido.

FONTES:

"A retomada Indígena" em:

(htpp://www2.uol.com.br/jc/sites/indios/cultura2.htm)

http://www.pe-az.com.br/indios/indios.htm

htpp://maniadehistoria.wordpress.com

Mapa 1: História - Pernambuco (Francisco M.P. Teixeira)

Mapa 2: Organização e pesquisa: a editora

terça-feira, 7 de abril de 2009

A LENDA DA MANDIOCA


Tirarem da morte a vida, do veneno produzirem alimento e o pão de cada dia, é algo que não facilmente conseguem os homens. O maravilhoso vegetal chamado de "mandioca" nos apresenta este fenômeno ou presta-se a realizá-lo.


Sua origem americana está fora de qualquer dúvida, ainda que seja cultivada na Ásia e na África tropical. A ciência incorporo-a na família das "euphorbiaceas", que se distinguem por seu suco leitoso, muitas vezes peçonhento, que vertem por incisão. Da raiz que lhe confere a importância da mais notável e proveitosa do Brasil, levanta-se um arbusto de dois metros, cujas folhas em ordem de dedos se parecem com mãos abertas.


Planta-se a mandioca, cavando a terra em montículos e colocando em cada um três ou quatro pauzinhos da vara, tendo porém, o cuidado de quebrá-los à mão ou cortá-los à faca, porque deitam leite onde nascem e se geram as raízes.


Ouçamos agora de Gabriel Soares como no século XVI, se preparava esta comida nacional:
"E para se aproveitarem, diz o narrador, os índios, depois de arrancar suas raízes, raspam-as muito bem até ficarem alvíssimas, o que fazem com cascas de ostras e depois de lavadas, ralam-as em uma pedra,espremem a seguir, esta massa em um engenho de palma (espécie de cesto cilíndrico) a que chamam de "tupitim" (tipiti) que lhe faz lançar a água, que tem, toda fora, ficando a massa enxuta, da qual se faz a farinha que se come, que cozem em alguidar, para isso feito, em o qual deitam esta massa, e a enxugam sobre o fogo, onde uma índia a mexe com um meio cabaço, com quem faz confeitos, até que fique enxuta e sem nenhuma humildade e fica como cuscuz, porém mais branda. Desta maneira se come e é muito doce e saborosa."
"Fazem desta massa os famosos "beijus", que é o mantimento que muito saboroso e inventado pelas mulheres portuguesas."
Por serem de mais fácil digestão, os produtos de mandioca foram preferidos por muitos ao pão de trigo.
Ninguém poderia supor ou adivinhar que a mandioca, a fartura do Brasil, fosse tão perigosa aos inexperientes. "Porque é a mais terrível peçonha que há no Brasil e quem quer que beba a água da mandioca, bebe e não escapa, por mais contra venenos que lhe dêem..."
Um abuso desse terrível veneno nos permite dar uma rápida vista aos costumes daquele tempo. No sumo espremido se criam uns vermes brancos que são peçonhentíssimos, com os quais, muitas índias mataram seus maridos e senhores. Também as mulheres brancas se aproveitaram deste meio contra seus maridos. Bastava lançar um destes vermes na comida de uma pessoa para que esta não escapasse da morte.
Apesar desta qualidade mortífera, chegou a ser o sustento e o pão quotidiano deste vasto país.Um cataplasma de mandioca preparada com o caldo, era considerado excelente remédio para abcessos. O suco era usado como vermífugo e aplicado a feridas antigas a fim de corroer o tecido afetado. Para alguns venenos e também para a mordedura de cobra, o suco da mandioca era considerado poderoso antídoto. Em estado natural, era ainda usado para limpar ferro. O tóxico da planta está localizado exclusivamente na raiz. Houve historiador que, não sem razão, tentara deduzir deste fato o alto grau da intelectualidade dos índios, ao menos dos seus antepassados.
Não é de admirar, pois, que procurassem para esta planta singular uma origem superior e que a encontraremos no domínio das lendas.


Sobre a origem da mavina, existe a seguinte lenda brasileira:


Em tempos remotos, revelou-se grávida a filha de um morubixaba nas margens do Amazonas. Seu pai, querendo punir o autor de tanta desonra, perguntou quem era seu pérfido amante.
A jovem respondeu que não tivera contato com homem algum. Admoestou-a o velho e empregou para tanto, rogos e ameaças, e por fim castigos severos. Mas a jovem persistiu na negativa.
O chefe tinha deliberado matá-la, quando em sonho, lhe apareceu, que lhe disse que a jovem era completamente inocente. Conteve-se, desta forma, o irritado morubixaba. Sua filha deu à luz a uma criança encantadora, branca, que com poucos meses falava e discorria perfeitamente. Não só a gente da tribo, como também a das nações vizinhas vieram visitá-la para ver esta nova e desconhecida raça. Passou a chamar-se de Mani. De inteligência aguda, Mani passou a ser querida por todos de sua tribo. Contudo, a criança não viveu muito tempo, e morreu logo ao primeiro ano de vida.
O chefe da tribo mandou enterrá-la ao lado de sua maloca. Diariamente regavam a sua sepultura, segundo antigo costume da tribo. Muito breve, brotou uma planta que, por inteiramente desconhecida, deixaram crescer. Floresceu e deu frutos. Os pássaros que deste comiam se embriagavam, fenômeno que, desconhecido dos índios, argumentou-lhes a admiração. Afinal fendeu-se a terra, cavaram-na e na forma de tubérculo ou raiz, limpando-a, viram que era muito branca, como o corpo de Mani. Acreditando ser a planta reencarnação da criança, deram-lhe o nome de Mani. Comeram-na e fizeram uma bebida fermentada que foi seu vinho.
Este vinho, preparado com a mandioca cozida, é o "cauim", bebida predileta dos índios do Brasil, no tempo do descobrimento, e segundo o Visconde de Beaurepaire-Rohan, era ainda o fim do século passado usada na Província do Espírito Santo.

Segundo uma lenda dos índios Bacairi do rio Xingú a mandioca nos veio por intermédio de Keri, o herói dos mitos desta tribo, do veado (cervus simplicicornus). O veado, por sua vez, recebeu do peixe bagadu (practocephalus) ou pirara.
O veado tinha sede e procurou a água. Achou então o bagadu em uma sanga em que entrara na enchente e de onde depois de baixar a água não pode sair. O bagadu com dificuldade respirava ainda. Então disse ao veado:

- Leva-me, faz uma corda de embira para me levar.

Feito isto, o veado o ligou sobre o dorso e assim o levou a beira do rio Beijú.

- Aqui queria descansar, disse o veado, pois teve medo de descer ao fundo do rio. O bagadu, porém não quis, então foram juntos e laçaram-se ao rio. O veado gostou do contato com a água, sendo assim, o bagadu levou-o a sua moradia. Chegados lá, bebeu o veado pogü, comeu também beiju (até então desconhecidos dele). O bagadu levou o veado a roça de madioca, tiraram ramos e ligaram três. Agora foram para casa.
- Amanhã vou me embora, disse o veado e dormiu a noite em casa do bagadu.

A seguinte madrugada, disse o bagadu:

- Leva os ramos da mandioca e planta-os.

O veado voltou para casa com seu filho, levando os ramos para casa. Descansaram um pouco, depois derrubaram árvores no mato, acenderam fogo, queimaram a lenha e plantaram. Então, o veado ficou o senhor das mandiocas. Keri o encontrou e pediu-lhe mandioca, pois até então tirava o seu beiju da terra vermelha no salto do Paranatinga.
Conversando ambos chegaram a brigar. O veado não quis largar a mandioca. Então Keri ficou bravo, segurou o veado pelo pescoço e assoprou, começou subitamente a possuir uma armação, Keri porém riu-se dizendo:

- Eis aqui como apareceu dono da mandioca e tomou-a, dando-a de presente as mulheres dos Bakairi mostrando-lhes como foi ensinado pelo veado que deviam fazer, para que não morressem do veneno. O veado tem agora sua armação com folhas e rói a casca dos ramos.

Os Bakairis estão convencidos que o veado ensinou a Keri e aos avós como se pode usar e comer a mandioca.



Texto pesquisado e desenvolvido por Rosane Volpatto (http://www.rosanevolpatto.trd.com/)

OS SABORES INDÍGENAS!!


A contribuição dos costumes indígenas na alimentação atual é, sem dúvida, imensa. Citamos alguns exemplos:



* O uso da polpa do buriti no preparo de refrescos e outros alimentos.
* O uso da mandioca na produção dos mais variados alimentos: tapioca, farinhas, cauim (vinho indígena).
* Refresco de guaraná. Os aborígines costumavam tomar essa bebida para ter disposição para caçar. Acreditavam também que o guaraná curava febres, dores de cabeça e cãibras. O seu efeito diurético já era conhecido.
* A paçoca, alimento preparado com carne assada e farinha de mandioca esmagados numa espécie de pilão. Tornou-se o farnel dos bandeirantes por ser próprio para as viagens pelo sertão.
* O hábito de comer camarão, lagosta e caranguejo com molho seco de pimenta. Tal costume foi herdado tanto dos índios quanto dos africanos.
* A moqueca. Para os índios referia-se unicamente ao modo de preparo dos peixes, feitos então no moquém (utensílio para cozinhar peixe). Hoje em dia, tem grande variedade de ingredientes, seja no tipo de molho, tempero ou carne utilizada.
* O caruru, um prato à base de vegetais como o quiabo, mostarda ou taioba, que acompanha os mais diferentes tipos de carne, como peixe, cozidos, charque, galinha, siri etc.
* Mingau, pirão, beiju, pimenta (amarela e vermelha), chimarrão.
* A cozinha brasileira sofreu uma série de influências, mas a culinária indígena não se dissolveu na aculturação, como a culinária negra, hoje dificilmente legítima. A comida indígena permaneceu relativamente fiel aos modelos quinhentistas e aos padrões da própria elaboração das farinhas, assados de carne e peixe, bebidas de frutas.

FONTES:

Cultura Indígena (http://www.culturaindigena.org.br/)

Manual do índio do Papa-Capim (Mauricio de Sousa)

Casa-Grande & Senzala (Gilberto Freyre)

LENDAS INDÍGENAS

A CRIAÇÃO DO SOL E DA LUA

(Índios do Amazonas)


Baíra foi quem criou o Sol e a Lua.
O Sol é homem.
A Lua é mulher.
Baíra fez o membro do Sol da raiz da paxiúba.
E fez da raiz do apuizeiro uma veia que pôs no sexo da Lua.
Dessa veia saía sangue.
E levou os dois para o céu.
O Sol, porque é homem, sai de dia.
A Lua, porque é mulher, sai de noite.
Os homens, na terra, são como Sol.
As mulheres são como a Lua.

Foi Curt Nimuendaju em 1923, o primeiro a fazer contato com a tribo guerreira dos Parintintin e os descrevia da seguinte forma:
-"Ao todo a maioria desses rostos é regularmente bonita com os seus traços firmes e a expressão agradável e inteligente. Havia fisionomias atrevidas, mas não ferozes e brutais. Nunca vi um Parintintin, francamente feio, e, em relação ao seu físico, esses índios pertencem aos mais simpáticos que conheço."
Os Parintintim viviam entre o rio Madeira e seus afluentes, Marmelos e Machado e tornaram-se, na infância de nossa história, o flagelo da população civilizada. Nas suas correrias anuais, esses indígenas derramaram terror, morte, saque, incêndios no meio do civilizado. Esses, em contrapartida, em represália, sempre se comportavam pior que seus adversários selvagens. Foi, inclusive, pensado em exigir-se seu total extermínio. Açularam contra eles seus velhos inimigos, os Mundurucu, mas apesar de todas as estratagemas, a força guerreira dessa valente tribo não diminuiu. Foi então, cogitada a sua pacificação, que foi confiada a Curt Nimuendaju, então funcionário do S.P.I., que foi aliás, uma escolha acertadíssima. Entretanto, em 17 de janeiro de 1923, sem recursos para concluir seu trabalho, foi dispensado.
Os índios Parintintin foram posteriormente conduzidos a "Três Casas", um seringal de propriedade de Manuel Sousa Lobo onde assentaram-se. Durante esse movimento foram acometidos de pneumonia e paludismo, ocorrendo inúmeras mortes.
Os parintintin, segundo a sua mitologia, tratava-se de um povo tangido do litoral atlântico que embrenhou-se na Amazônia, em fuga à sanha dos conquistadores lusos, franceses e holandeses.
Hoje, esse povo indígena, constituídos por apenas duas centenas de indivíduos, habitam duas reservas contíguas nos rios Ipixuna e Nove de Janeiro, afluentes do Rio Madeira nos municípios de Auxiliadora e Humaitá (AM). Vivem do abate de árvores, para o comércio de madeiras, comercializam castanhas, sacrificam os animais silvestres para as indústrias, sempre acompanhado no seu destino, de decepções e esperanças de um dia melhor, destino também do próprio Estado do Amazonas.

Bonitos, guerreiros sensuais, libidinosos, românticos, inteligentes e irônicos, todos esses aspectos são comprovados quando se obtêm contato com seus mitos e lendas.
Na lenda da origem do Sol e da Lua, é obtida uma visão simbólica do masculino/feminino. Sol e Lua, foram e ainda são, os adjetivos utilizados para denotar os pólos de uma unidade psicológica complexa. O Sol, por sua luz brilhante, estabelece uma relação perfeita com o princípio masculino, a razão. O masculino é censor, regulador, repressor, discriminador, racional, penetrante, organizador, valores que foram implantados e esculpidos pelas mãos de uma longa tradição coletiva. É o Sol que nos desperta da noite da inconsciência para a vida consciente.
O Sol então, nada mais é do que um arquétipo que estabelece padrões básicos de comportamento humano, que embora não funcione de maneira exatamente igual à todas as pessoas, existem pelo menos indícios dos mesmos em cada ser humano.
Já a Lua nos traz outros tipos de de valores que brotam do inconsciente, da natureza e do instinto. Esse astro, está associado a intuição, que não segue parâmetros lógicos. A Lua, como símbolo feminino é obscura, inexata, imprevisível, irregular, irracional, atemporal, valores que se manifestam via inconsciente, em sonhos, complexos, eventos espontâneos, anseios instintivos, e ainda através das inibições que se encerram nesses anseios.
O Sol e a Lua, como homem e mulher, formariam o casal cósmico que agenciariam a mudança e transformação da vida, pois embora pareçam tão diferentes, são na verdade complementares e ao somarem-se é alcançado o equilíbrio.
Toda a unilateralidade é perigosa. A consciência solar solitária, é um atributo fortemente negativo, pois pode assumir a forma ou a atitude de um tirano primitivo e com seus raios fustigantes de reprovação pode ressecar ou assassinar o ego. A consciência lunar também contém facetas malévolas. A Lua, tem suas fases e, na escura inflige um grande temor, pois nos causa uma alienação ou desagregação que nossa própria natureza, nos causando sintomas psicossomáticos e até mesmo enfermidades.
Só a alternância da consciência SOL/LUA nos proporciona a totalidade, ou seja, é através do embate dessas polaridades no seio de nossa consciência, que somos forçados a encarar e admitir o mistério do que significa ser plenamente humano.
Esses conceitos de "consciência solar" e "consciência lunar" são bastante conhecidos pela psicologia da atualidade, mas já eram percebidos e mencionados na mitologia indígena.
Assim como o Sol e a Lua, o homem e a mulher encontram várias formas de se relacionar, sem desrespeitar suas diferenças. A aceitação das diferenças é a condição básica para um relacionamento criativo.



Texto pesquisado e desenvolvido por
Rosane Volpatto
(www.rosanevolpatto.trd.br/lendas)

O CONTADOR DE HISTÓRIAS


O mundo dos índios é recheado de histórias. Elas falam de tudo o que existe no universo: os bichos, a Lua, o Sol, as plantas, o fogo... Todas são tão antigas quanto os povos que as contam e vêm sendo passadas de geração para geração há muito e muito tempo.


Estas narrativas são chamadas de mitos e estão longe de ser apenas um passatempo. Com elas os índios explicam o seu mundo, a sua origem e tudo em que acreditam.

Os mitos não estão parados no tempo. Eles mudam e se renovam para descrever a trajetória de cada povo.

Vamos conhecer algumas dessas histórias.



FONTE:

Manual do índio do Papa-Capim (Mauricio de Sousa)

domingo, 5 de abril de 2009

TODO DIA ERA DIA DE ÍNDIO!

TRABALHO DAS MULHERES NA ALDEIA

O dia começa bem cedinho na aldeia. Assim que clareia, os índios levantam-se e já vão cuidando dos seus afazeres. Como os homens, as mulheres também têm muitas tarefas.
São as índias que preparam toda a comida da sua família. Também apanham frutos na mata, plantam e colhem alimentos na roça.
Além de cuidar das refeições, as mulheres fabricam enfeites e tintas para o corpo, tecem redes, fazem cerâmica e carregam a bagagem da família quando estão em viagem.
Também é trabalho feminino não deixar que falte lenha e água em casa e cuidar das crianças. Até que o filho complete quatro anos, a mãe não se separa dele de jeito nenhum, carregando-o para cima e para baixo nas costas, numa tipóia. Ufa! E ainda não acabou.
À noite, enquanto os homens e as crianças dormem tranquilamente, as mulheres alimentam a fogueira para manter a sua família bem quentinha.
O serviço é sempre feito sem pressa e com muito gosto. De preferência, em grupo. Desse jeito, as índias põem a conversa em dia e tudo se torna mais divertido. Fica até difícil saber o que é trabalho e o que é lazer.
FONTE:
Manual do índio do Papa- Capim (Mauricio de Sousa)

ATÉ QUANDO SEREMOS OMISSOS E INDIFERENTES?




O QUE ESTAMOS FAZENDO AOS ÍNDIOS E A NÓS MESMOS?
(Foto: Índio da etnia Xetá - extintos)

Recentemente, li no blog do ex-presidente da FUNAI - Mercio Gomes, acerca dos problemas enfrentados pelos indígenas na TI Raposa Serra do Sol. A demarcação sofreu diversas ressalvas, e o presente tornou-se de gregos para troianos. Alie-se a estes fatores, as derrrubadas ilegais amazônia adentro, os garimpeiros, os grileiros, posseiros e agora, para meu pesar, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Embora tenha optado por ser petista, sou antes, bem antes, um ser pensante, emotivo, humano. o fato é que, as obras do PAC, no intuito de trazer o tal PROGRESSO para o país, no ímpeto de criar barreiras para a tal crise mundial, mais uma vez coloca em xeque valores morais. Será, talvez o antagonismo do lema rondoniano?
Ao custo de quantas vidas mais iremos avançar? E para onde estamos indo?



Quanto mais se cria condições para o brasileiro adquirir seu carro (nada mais justo!), mais se aumenta os índices de poluição do planeta; quanto mais vagas de estacionamentos nas cidades, menos árvores, mais calor; quanto mais rodovias, mais desmatamentos, desequilíbrio ambiental; quanto mais ouro enfeitando para dornar os vaidosos, mais rios poluídos; quanto mais se produz energia elétrica, mais se aumenta o consumo, que consequentemente, gera colapso... agora estamos falando de vidas humanas, não apenas de espécies ameaçadas de extinção (sem desmerecer o valor de cada vida!). Tal qual as bandeiras, no ano de 1500, estamos contribuindo para o aceleramento da extinção de brasileiros, que sequer tínhamos tomado conhecimento que existiam!


Se não está em nossas mãos o mercúrio que polui o rio, o revólver que atira e destrói vidas, ou as máquinas que atropelam quem tentar impedir o PROGRESSO, está em nossas mãos a INFORMAÇÃO, O CONHECIMENTO - A EDUCAÇÃO!



Acredite, é o suficiente para mudarmos o mundo!



Faça sua parte!!





Última índia bahuana - etnia aruac - 84 anos



(Seus filhos se tornaram evangélicos e se casaram com mulheres brancas - não falam mais o idioma aruac).



É digno de reflexão e discussão o fato de em pleno século XXI estarmos assistindo as mesmas cenas ocorridas nos séculos XVII, XVIII e XIX, da extinção de etnias indígenas. Como educadores, não podemos (nem devemos) ser omissos. A informação ainda é o melhor caminho para combater o preconceito e a discriminação.



FILOSOFIA DE VIDA



Carta do chefe Seattle



Em 1854, "O Grande Chefe Branco" em Washington fez uma oferta por uma grande área de território indígena e prometeu uma "reserva" para os índios.
A resposta do Chefe Seattle, aqui reproduzida na íntegra, tem sido considerada uma das declarações mais belas e profundas já feitas sobre o meio-ambiente:






“Como você pode comprar ou vender o céu, o calor da terra?

A idéia é estranha para nós.

Se nós não somos donos da frescura do ar e do brilho da água, como você pode comprá-los?

Cada parte da Terra é sagrada para o meu povo.
Cada pinha brilhante, cada praia de areia, cada névoa nas florestas escuras, cada inseto transparente, zumbindo,é sagrado na memória e na experiência de meu povo.
A energia que flui pelas árvores traz consigo a memória e a experiência do meu povo. A energia que flui pelas árvores traz consigo as memórias do homem vermelho.
Os mortos do homem branco se esquecem da sua pátria quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos nunca se esquecem desta bela Terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da Terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs, os cervos, o cavalo, a grande águia, estes são nossos irmãos. Os picos rochosos, as seivas nas campinas, o calor do corpo do pônei, e o homem, todos pertencem à mesma família.
Assim, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que
quer comprar nossa terra, ele pede muito de nós.

O Grande Chefe manda dizer que reservará para nós um lugar onde poderemos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Então vamos considerar sua oferta de comprar a terra. Mas não vai ser fácil. Pois esta terra é sagrada para nós.
A água brilhante que se move nos riachos e rios não é simplesmente água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que ela é o sangue sagrado de nossos ancestrais.

Se nós vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que ela é sagrada, e vocês devem ensinar a seus filhos que ela é sagrada e que cada reflexo do além na água clara dos lagos fala de coisas da vida de meu povo. O murmúrio da água é a voz do pai de meu pai.
Os rios nossos irmãos saciam nossa sede. Os rios levam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se vendermos nossa terra para vocês, vocês devem lembrar-se de ensinar a seus filhos que os rios são irmãos nossos, e de vocês, e consequentemente vocês devem ter para com os rios o mesmo carinho que têm para com seus irmãos.

Nós sabemos que o homem branco não entende nossas maneiras. Para ele um pedaço de terra é igual ao outro, pois ele é um estranho que chega à noite e tira da terra tudo o que precisa.

A Terra não é seu irmão, mas seu inimigo e quando ele o vence, segue em frente. Ele deixa para trás os túmulos de seus pais, e não se importa. Ele seqüestra a Terra de seus filhos, e não se importa.
O túmulo de seu pai, e o direito de primogenitura de seus filhos são esquecidos. Ele ameaça sua mãe, a Terra, e seu irmão, do mesmo modo, como coisas que comprou, roubou, vendeu como carneiros ou contas brilhantes. Seu apetite devorará a Terra e deixará atrás de si apenas um deserto. Não sei. Nossas maneiras são diferentes das suas. A visão de suas cidades aflige os olhos do homem vermelho. Mas talvez seja porque o homem vermelho é selvagem e não entende.
Não existe lugar tranqüilo nas cidades do homem branco. Não há onde se possa escutar o abrir das folhas na primavera, ou o ruído das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não entendo. A confusão parece servir apenas para insultar os ouvidos. E o que é a vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de um curiango ou as conversas dos sapos, à noite, em volta de uma lagoa. Sou um homem vermelho e não entendo.
O índio prefere o som macio do vento lançando-se sobre a face do lago, e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva de meio-dia, ou perfumado pelos pinheiros.
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo hálito – a fera, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo hálito. O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo há dias esperando a morte, ele é insensível ao mau cheiro.
Mas se vendermos nossa terra, vocês devem se lembrar de que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seus espíritos com toda a vida que ele sustenta.
Mas se vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la separada e sagrada, como um lugar onde mesmo o homem branco pode ir para sentir o vento que é adoçado pelas flores da campina.
Assim, vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Se resolvermos aceitar, eu imporei uma condição – o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e não entendo de outra forma. Vi mil búfalos apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os matou da janela de um trem que passava.
Sou um selvagem e não entendo como o cavalo de ferro que fuma pode se tornar mais importante que o búfalo, que nós só matamospara ficarmos vivos.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão do espírito. Pois tudo o que acontece aos animais, logo acontece ao homem. Todas as coisas estão ligadas.
Vocês devem ensinar a seus filhos que o chão sob seus pés é as cinzas de nossos avós. Para que eles respeitem a terra, digam a seus filhos que a Terra é rica com as vidas de nossos parentes. Ensinem a seus filhos o que ensinamos aos nossos, que a Terra é nossa mãe. Tudo o que acontece à Terra, acontece aos filhos da Terra. Se os homens cospem no chão, eles cospem em si mesmos.
Isto nós sabemos – a Terra não pertence ao homem –o homem pertence à Terra. Isto nós sabemos. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Todas as coisas estão ligadas.
Tudo o que acontece à Terra – acontece aos filhos da Terra. O homem não teceu a teia da vida – ele é meramente um fio dela. O que quer que ele faça à teia, ele faz a si mesmo.
Mesmo o homem branco, cujo Deus anda e fala com ele como de amigo para amigo, não pode ficar isento do destino comum.
Podemos ser irmãos, afinal de contas. Veremos. De uma coisa nós sabemos, que o homem branco pode um dia descobrir – nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar agora que vocês O possuem como desejam possuir nossa terra, mas vocês não podem fazê-lo. Ele é Deus do homem, e Sua compaixão é igual tanto para como homem vermelho quanto para com o branco. A Terra é preciosa para Ele, e danificar a Terra é acumular desprezo por seu criador. Os brancos também passarão, talvez antes de todas as outras tribos.
Mas em seu desaparecimento vocês brilharão com intensidade, queimados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e para algum propósito especial lhes deu domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não entendemos quando os búfalos são mortos, os cavalos selvagens são domados, os recantos secretos da floresta carregados pelo cheiro de muitos homens, e a vista das montanhas maduras manchadas por fios que falam.
Onde está o bosque?

Acabou.

Onde está a águia?

Acabou.

O fim dos vivos e o começo da sobrevivência.”

sábado, 4 de abril de 2009

INTERROMPEMOS NOSSA PROGRAMAÇÃO...


PARA REFLETIR NESSE FINAL DE SEMANA!!!




“...existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simplesmente uma variação do roubo. [...] Quando você mata um homem, está roubando uma vida [...] Está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça.”



Khaled Housseini (O caçador de pipas)

FILOSOFIA INDÍGENA

CRIANÇAS – DONAS DO MUNDO



Se ser criança é bom, melhor ainda ser uma criança indígena. É que, para os índios, ela é a dona do mundo.
Na aldeia, meninos e meninas não apanham e os adultos os ensinam com o maior carinho e paciência o que é certo e errado. Eles podem fazer quase tudo o que quiserem: correr, brincar, comer à vontade.
Os curumins aproveitam essa liberdade para se divertir. Qualquer coisa pode virar passatempo: as borboletas, o barro da beira dos rios, os galhos de uma árvore ou até mesmo as poças formadas pela chuva. Os indiozinhos também inventam brinquedos e jogos bem legais. Juntos, apostam corridas com pernas-de-pau, jogam pião, pulam corda e fazem cabo-de-guerra.
Muitas das nossas brincadeiras, aliás, foram inspiradas nas dos índios, só que há uma diferença entre elas. Na maioria das vezes, as crianças não ligam se vão ganhar ou perder. Elas procuram sempre o empate, pois a cooperação de todos é o que importa.
A garotada também participa dos afazeres da aldeia. Com arcos e flechas em miniatura, os meninos acompanham os pais nas caçadas e as meninas ajudam as mães a carregar água em suas pequenas vasilhas.
Em vez de se aborrecer com essas tarefas, as crianças sempre dão um jeito de transformá-las em lazer.
Assim, aprendem brincando os costumes do seu povo. E tem jeito mais gostoso de aprender do que esse?




FONTE:

Manual do Índio do Papa-Capim (Mauricio de Sousa)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

RELEITURA - UMA BOA OPÇÃO PARA AS AULAS DE ARTE!




Muitos de nós (inclusive eu), nos queixamos da dificuldade que temos em ministrar uma aula de uma disciplina com a qual não temos muita (ou nenhuma) afinidade. As atividades para as aulas de arte terminam muitas vezes tornando-se enfadonhas (quase aquele: cubra, ligue e pinte) e pouco produtivas.


Uma alternativa criativa é a releitura das obras de arte. Além de possibilitar aos alunos conhecerem um pouco sobre a vida dos grandes pintores, tanto brasileiros quanto estrangeiros, através da biografia, a releitura permite que o aluno crie, elabore seu desenho a partir de seu ponto de vista, o que é imprescindível para desenvolver a consciência e a criticidade.


Em virtude do mês do Índio (sim, porque aprender tanto sobre tão rica cultura em apenas um dia, é mediocridade demais), apresentamos a obra de Eckhout, pintor holandês que esteve no Brasil, com Maurício de Nassau por volta do ano de 1612 e, a paródia feita por Mauricio de Sousa.

Mãos à obra!
* PEQUENA BIOGRAFIA DE ALBERT ECKHOUT
O pintor holandês Albert Eckhout é um dos artistas estrangeiros que participaram de expedições científicas e de reconhecimento em terras brasileiras. Estes artistas registraram em desenhos e pinturas tudo o que viram por aqui: os habitantes e seus costumes, a flora e a fauna.
Não se sabe muito sobre a vida de Eckhout, mas sua obra ajuda a conhecer um pouco mais do Brasil daquela época. É o que acontece com o quadro o seu quadro mais conhecido Dança Tarairiu, que mostra índios dançando com tacapes e lanças.
FONTE:
História em Quadrões (Mauricio de Sousa)

PINDORAMA


No Brasil há mais de 200 povos indígenas. Cada um tem a sua maneira de ser. Falam pelo menos 150 línguas diferentes entre as diversas etnias. Habitam todo o território brasileiro, como você poderá constatar neste mapa junto com seus alunos. Aproveite para esclarecer algumas questões pertinentes a origem dos nossos aborígines.



As questões “quem são?”, “de onde vieram”?, para onde vão?” seguem sem resposta concreta cinco séculos depois do primeiro encontro. Os índios brasileiros permanecem um mistério para o homem branco. Não se pode afirmar com certeza de onde vieram, embora a teoria da migração via estreito de Bering continue sendo a mais ­provável – mesmo tendo perdido a primazia e, principalmente, a exclusividade. Quando teriam chegado à América também é assunto ainda polêmico: 12 mil, 18 mil ou 53 mil anis atrás? Ninguém sabe ao certo. Sabe-se apenas que aqui estavam.
De qualquer forma, sua simples presença já era um enigma. Quem seriam aqueles homens “nus, par­dos, bons narizes e bons corpos”, que negros não eram, nem mouros, nem hindus? Descenderiam de qual das doze tribos de Israel? Ou de qual dos três filhos de Noé? Teriam alma? Em caso afirmativo, como poderiam ter vivido tanto tempo à margem de Deus?
Cristóvão Colombo decidira chamá-los de índios – mas índios os portugueses sabiam que não eram. O que seriam então esses “negros da terra”? Bons selvagens, como sugeriu Pero Vaz de Caminha (e os filósofos Rousseau, Montaigne e Diderot ecoaram), ou antropófagos bestiais, como quiseram outros cronistas? Defini-los de que forma se alguns eram brutais e intratáveis, como os aimorés – que comiam carne humana “por mantimento e não por vingança ou pela antiguidade de seus ódios” –, e outros tão mansos e pacíficos, como os carijós, “o melhor gentio da costa”?
Passados pouco mais de 500 anos de convivência sempre conflituosa o índio continua sendo pouco mais do que um mito brasileiro. Afinal, são defensores da ecologia, como o caiapó Paulinho Paiakan, ou apenas selvagens “estupradores”... como Paulinho Paiakan? São pessimistas incuráveis, que se suicidam por puro desespero, como os guaranis-caiovás ou ­empresários bem sucedidos, como os caiapós? Podem ser três, como os xetás, ou 23 mil como os ticunas. Para onde vão? A resposta não de­pende deles.
A história brasileira não registra um único herói indígena – nem aqueles que ajudaram os portugueses a conquistar a terra, como Tibiriçá, que salvou São Paulo; ­Araribóia, que venceu os franceses, ou Felipe Camarão, que bateu os holandeses. Não há um só atleta ou escritor nativo. Houve um político indígena, o cacique Mário Juruna, mas ele foi abandonado em Brasília. Raoni é um herói, mas não no Brasil – é um herói de Sting, o "pop-star" cheio de boas intenções e má consciência. Raoni se tornou só uma imagem. Uma imagem tão incongruente quanto a do quadro “O Último Tamoio”... Nenhum jesuíta jamais chorou a morte do ultimo tamoio, que eram aliados dos franceses e foram traídos pelos padres. Haverá alguém para chorar pelo último ianomâmi?
Fontes:
Manual do Índio do Papa-Capim (Mauricio de Sousa)
www.culturabrasil.org

quinta-feira, 2 de abril de 2009

ÍNDIOS DE PERNAMBUCO: QUEM SÃO E ONDE ESTÃO



Texto para aula de História e Geografia - 2ª, 3ª e 4ª séries














































































(Imagens: Etnia Pipipã, Trucá, Truxá, Cacique Marcos Xucuru, índios Pankararu, Fulni-ô, Capinauá, Cambiuá, Aticum).



ATICUM – Localizados na Serra Umã, no município de Carnaubeira da Penha, os aticuns ocupam uma área de 16.290,18 hectares, somando uma população de quase 5 (cinco) mil índios distribuídos em 19 (dezenove) aldeias. A principal atividade do grupo é a agricultura, mas também há criação de animais.


CAMBIUÁ – Aproximadamente 3 (três) mil índios habitam 7 (sete) aldeias, situadas entre os municípios de Ibimirim, Inajá e Floresta, numa área de 31.495,31 hectares. Plantam milho, feijão de corda, feijão de arranca e mandioca, entre outros. Também são bons tecelões (redes, mantas e tapetes) e produzem artesanato com palha.


CAPINAUÁ – A sede da aldeia fica a 18 (dezoito) quilometros de Buíque, mas os 12.493,09 hectares pertencentes a etnia estão distribuídos também nas cidades de Tupanatinga e Ibimirim. O grupo ( cerca de 1.100 índios) vive da agricultura de subsistência ( milho, feijão, mandioca) e do artesanato com palha.


FULNIÔ – São cerca de 5.200 (cinco mil e duzentos) índios que vivem na cidade de Águas Belas. É a única etnia do Estado que conserva sua língua materna, o iatê. As terras somam 11.505,71 hectares, sendo a maioria na zona urbana. Tem como fontes de renda a agricultura e o artesanato.


PANCARARU – Em uma área de 15.203,35 hectares, esse povo está dividido entre os municípios de Tacaratu, Jatobá e Petrolândia. A base da economia é a agricultura de subsistência, além da fruticultura e confecção de artesanato, principalmente de palha. São cerca de 6 (seis) mil índios.


PIPIPÃ – Vivem a cerca de 4 (quatro) anos em aldeias próximas a cidade de Floresta e tem uma população de aproximadamente 2 mil pessoas. A principal atividade é a agricultura de subsistência. Ainda não tem o total de terras delimitadas.


TRUCÁ – Os quase 3.500 (três mil e quinhentos) índios estão localizados em Cabrobó. Sobrevivem da agricultura de subsistência ( principalmente arroz e cebola). São cerca de seis mil hectares de terra, mas menos da metade é usufruída pelos índios, pois há muitos posseiros.


TUXÁ – Os 50 (cinquenta) índios foram reassentados pela CHESF devido a inundação do lago de Itaparica, numa propriedade do município de Inajá. São 140 hectares.


XUCURU – É a maior etnia do Estado, com cerca de 8.500 (oito mil e quinhentos) índios vivendo em 23 (vinte e três) aldeias na Serra do Ororubá, numa área de 27.555,05 hectares, na cidade de Pesqueira. Além da agricultura, vendem bordados e renascenças.


Publicação:

Jornal do Commercio


Fontes: Fundação Nacional do Índio (Funai), Secretaria Estadual de Educação e professores das etnias.

DIA DE ÍNDIO - Sugestão de atividade

TODO DIA, ERA DIA DE ÍNDIO!




Os indígenas têm um modo de vida diferente do nosso.
Eles são muito mais ligados à terra.


Não trabalham com o objetivo de juntar dinheiro, bens, nem nada desse tipo.

Trabalham em suas lavouras para garantir o sustento da aldeia; fora isso, alimentam-se dos frutos das árvores e dos animais que caçam.
Para os índios, a terra é muito importante, sagrada mesmo. Não só porque é o lugar de onde tiram seu sustento, mas também porque é o que eles consideram como o lar deles. Por isso a Constituição Brasileira garante que as terras dos índios devem ser demarcadas (determinadas) pelo governo e devem ser respeitadas por todos.

Ás vezes esses direitos não são respeitados.Alguns grandes proprietários de terras, madeireiros e garimpeiros tentam expulsar os índios de suas terras para explorá-las, e para isso, muitas vezes fazem uso de força bruta para tirá-los de lá.




A situação dos índios é grave em várias regiões, e infelizmente muitas comunidades indígenas já perderam grande parte de seus territórios.

Nas aldeias normalmente existem duas pessoas muito importantes na organização: o pajé e o cacique. O cacique é o chefe da tribo, e o pajé é o sábio, o qual conhece a cura para as doenças e se comunica com os deuses.Os índios acreditam em forças maiores: na natureza, em deuses e nos espíritos de seus ancestrais.Cada sociedade indígena cria suas próprias explicações a respeito do mundo, dos fenômenos naturais, dos espíritos e dos seres sobrenaturais.


CRIANÇAS



Assim como em qualquer sociedade, os índios também constroem brinquedos para seus filhos.Os mais comuns são feitos de palha, madeira ou barro.
Os adultos fabricam para as crianças dobraduras de palha, representando os animais da floresta.
Em geral, os brinquedos são miniaturas de objetos usados na sociedade e, além de fazerem as crianças se divertir, esses objetos as educam para as tarefas que terão de realizar quando se tornarem adultas.
Na maioria das aldeias, não existe videogame nem outros joguinhos eletrônicos, mas as crianças devem se divertir um bocado brincando com seus brinquedos de palha, subindo nas árvores e brincando com os animais, não é mesmo?Até aprenderem a andar, os bebês vivem aconchegados a suas mães, numa espécie de bolsa que as mães prendem no corpo para carregá-los.As crianças pequenas, de até 3 ou 4 anos, brincam com outras crianças e com seus brinquedos. Mas estão sempre próximas às mães, pois costumam mamar nelas até essa idade.

É comum, também, que uma irmã mais velha, adolescente, tome conta das crianças menores.

Desde novinhas, as crianças vão aprendendo as atividades que terão de desenvolver quando forem adultas.

As meninas aprendem a: plantar, colher, carregar lenha, preparar alimentos e bebidas fermentadas, fiar algodão, confeccionar redes e cerâmica.

Já os meninos aprendem a: preparar o terreno para o plantio, caçar, confeccionar arco e flecha, fazer cestas e enfeites de plumas e construir casas.

Nas culturas indígenas, cabe aos pais a orientação nas tarefas e comportamentos que a comunidade julga corretos.As crianças devem brincar e ter a mãe sempre por perto para protegê-las.Os pais jamais devem levantar a voz, brigar ou bater em seus filhos; devem educar com autoridade, para desenvolver na criança a atenção, a observação e a importância da repetição de uma tarefa até a sua plena aprendizagem.

Nas tribos é dever de todos fazer a criança crescer com responsabilidade e respeito às regras da comunidade. Legal, hein?!

HÁBITOS INDÍGENAS

Você sabia que vários dos nossos hábitos são herdados da cultura indígena?
Um dos costumes mais importantes é o de tomar banho todos os dias.
Em outras culturas, como na dos países europeus, é comum as pessoas passarem dias sem tomar banho.
Que bom que os índios nos ensinaram isso, né? Assim somos um povo bem cheirosinho!


Também aprendemos com eles o uso de chás e plantas medicinais para curar doenças.E como os índios têm muito conhecimento de ervas e plantas, muitos dos remédios que compramos hoje nas farmácias tiveram suas fórmulas baseadas em chás indígenas.É influência deles também a utilização de redes para dormir, as várias danças, principalmente as da região Norte do Brasil. E ainda várias canções e lendas do folclore brasileiro.

FONTES:

Blog Vida de Índio (Nádia Mara)

Companhia das Letras ( Heleida Nóbrega)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

AULAS DE CAMPO, UMA VIVÊNCIA NECESSÁRIA!


VISITA A ALDEIA XUCURU EM PESQUEIRA - PE


Cacique Marcos Xucuru - filho do líder indígena Xicão


A pedagogia de projetos e a nova visão socioconstrutivista apontam para a necessidade e importância de realizar atividades com os alunos fora do ambiente escolar. Seguindo este preceito, os alunos da 2ª, 3ª e 4ª séries (Profª Madalena, Profª Marta e Profª Sunamita) da Escola John Kennedy, visitarão, ainda neste mês de abril a aldeia Xucuru de Ororubá, em Pesqueira. Em breve, mais notícias e roteiro das atividades.

CONHECER PARA RESPEITAR E ENSINAR!

A DISPUTA ENTRE ARROZEIROS E ÍNDIOS DA RAPOSA SERRA DO SOL GANHOU DESTAQUE NA IMPRENSA NESTE ÚLTIMOS DIAS. EIS UMA EXCELENTE OPORTUNIDADE PARA OS EDUCADORES DISCUTIREM A CONDIÇÃO DOS ÍNDIOS NO BRASIL HOJE, FAZENDO SUA PARTE NO CONSERNENTE A EDUCAÇÃO!


Por Mércio Gomes (ex-presidente da FUNAI) - BLOG: htpp://www.merciogomes.blogspot.com


Azelene Kaingang critica STF e conclama os índios para um novo protagonismo

Num texto temperado de paixão e lucidez, a socióloga kaingang Azelene Kring Inácio conclama seus patrícios para uma profunda reflexão sobre o momento indigenista atual -- diante das 20 ressalvas apresentadas pelo STF na votação de 19 de março p.p.Com precisão sociológica de quem foi a principal representante indígena brasileira nos foros internacionais que discutiram a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, Azelene demonstra o quanto o STF saiu da linha indigenista brasileira ao elaborar essas restrições e transformá-las numa súmula que determinará daqui por diante as condições do relacionamento brasileiro para com os povos indígenas.Esta é a primeira reflexão feita por um indígena diante das 20 ressalvas do STF. Outras virão, certamente, e esperamos com igual lucidez e determinação.O indigenismo brasileiro, instituído por Rondon e seguido por uma tradição crescente de ampliação dos direitos indígenas, caiu numa armadilha e se encontra num impasse. Não dá para sair desse impasse sem o protagonismo dos índios. É tempo do movimento indígena despertar de seu discurso apático e imitador do movimento social e das Ongs para criar sua própria visão do seu relacionamento com os demais brasileiros.O texto de Azelene abre caminho para essa reflexão nova e criativa.


UMA VITÓRIA COM GOSTO AMARGO!!!

Por Azelene Kaingáng


"Não há ninguém mais desesperançosamente escravizado que aquele que falsamente acredita estar livre" (Goethe). Dez votos favoráveis e um contra, foi esse o resultado do julgamento do território indígena Raposa Serra do Sol pelo STF nos dias 18 e 19 de março de 2009.Foi uma vitória com gosto amargo, uma vitória de Pirro[1], porque o grande vencedor foi Marco Aurélio de Mello único voto supostamente derrotado, que aproveitou o dito por Menezes Direito em seu voto e despedaçou a Constituição Brasileira e jogou os caquinhos aos pés dos constitucionalistas de plantão. O tempo todo ouvimos esses afirmarem “A Constituição deve ser cumprida, Raposa Serra do Sol deve ser demarcada em área contínua” até aí tudo bem, mas o que não se deram conta, coisa que já sabíamos, é que a Constituição é demasiada frágil para ousar proteger e garantir direitos indígenas tal qual exige a história e a vivência dos nossos Povos! Fomos proibidos de citar Convenção 169 e a Declaração da ONU para não prejudicar o julgamento de Raposa... e agora? Com a palavra os constitucionalistas de plantão! Será que irão recorrer à Convenção 169 da OIT para tentar remediar o que não tem remédio? Nós os Povos Indígenas não amazônicos mais uma vez vamos pagar a conta das 20 condicionantes impostas pelo STF, porque somos nós que não temos terra, somos nós que sofremos os grandes índices de violência e pobreza, nossos territórios são o fundo do quintal de muitos territórios amazônicos! Não podemos nos calar diante de tamanho retrocesso! Uma vitória para os Povos Indígenas da Raposa Serra do Sol em detrimento dos direitos territoriais dos mais de 200 Povos Indígenas do País, especialmente aqueles que estão morrendo por falta de um lugar para viver como os Kaiwoá de Mato Grosso do Sul. É inegável o reconhecimento das lutas dos Povos da TI RSS e a conseqüente vitória no STF, mas é também inegável que os Povos Indígenas do País pagarão muito caro por essa “vitória”.Ao contrário do que se comenta que o mito da ameaça a soberania pelos Povos Indígenas finalmente caiu por terra, foi esse argumento que sustentou a maioria e as mais duras das 20 condicionantes e derrubou por terra os direitos indígenas sobre os territórios tradicionalmente ocupados.Colocar cinco de outubro de 1988 como o marco temporal para que os índios reivindiquem os territórios espoliados no passado, põe por terra o indigenato e coloca como novo marco indigenista a teoria do fato indígena, ou seja, a partir de cinco de outubro. Esse foi o mais duro golpe aos direitos dos Povos Indígenas nas últimas décadas.A interpretação que o Ministro Menezes Direito fez do artigo 231 da CF é uma lamentável verdade, escancarou a fragilidade dos direitos indígenas no texto Constitucional em seu Capítulo “Dos Índios”, é flagrante a ineficiência, se equivocaram os que sempre defenderam e defendem a CF como o marco legal para a garantia integral dos direitos dos Povos Indígenas, essa veneração fica explícita também no voto do Ministro Carlos Ayres Britto quando diz que a Constituição Brasileira é a nossa “Carta de Alforria”, o diz como se fosse o mais avançado e sólido instrumento de proteção aos direitos indígenas.Agora começa uma nova luta dos Povos Indígenas do resto do Brasil: tentar reverter, quiçá, através das Cortes Internacionais, sob o argumento de iminente risco à vida, o prejuízo que nos trazem essas condicionantes.O STF liquidificou os direitos indígenas, os argumentos utilizados para mudar todo o processo demarcatório de territórios indígenas explicitaram o racismo, o desrespeito histórico do Estado Brasileiro contra os Povos Indígenas e o mais grave: acabou com qualquer possibilidade dos Povos Indígenas exercerem seu direito a decidirem sobre seus territórios, suas vidas e destinos quando dizem que não será necessário fazer consultas para as diversas intervenções por parte do Estado em territórios indígenas. Sempre defendemos a aplicação dos instrumentos internacionais para a efetiva proteção e defesa dos direitos indígenas, por saber e ter clareza de que estes são os que verdadeiramente irão nos ajudar, já que não dependem de uma dúzia de cabeças para mudá-los, são muito mais sólidos do que qualquer instrumento do ordenamento jurídico interno. O Ministro Menezes Direito destruiu em poucas linhas o conceito de “ocupação tradicional” de terras indígenas quando questiona o tempo do verbo “ocupar” para definir se os índios têm ou não direito sobre seus territórios tradicionais.No ano em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 60 anos, o Brasil dá uma aula sobre como oficializar a negação total e absoluta dos direitos dos Povos Indígenas. Fomos tratados pelo STF como sujeitos despidos de direitos, algo indesejável mas inevitável, que não merece um lugar e conseqüentemente não tem direitos! Nos trataram durante todos os discursos ironicamente como “nossos índios”, para amenizar a gravidade das decisões que tomariam em relação aos direitos indígenas.Atenção especial deve ser dada a atuação do Ministro Joaquim Barbosa que votou a favor de Raposa e nem por isso concordou com as 20 condicionantes, citou o artigo 6º da Convenção 169, no que concerne a necessidade de haverem consultas aos Povos Indígenas, o fez por entender a gravidade dessas condições e o quanto isso atenta contra os nossos direitos.O Procurador Geral Antonio Fernando de Souza alertou a Corte sobre o perigo que essas 20 condicionantes representam para a democracia e usurpa a questão da separação dos poderes, felizmente esse reconhece a força e a validade da Convenção 169 nas garantias para os Povos Indígenas.Depois dessa votação “histórica”, concluímos que nossa pátria amada não nos reconhece como filhos, nos despreza e nos trata como estranhos e nos nega os direitos de Povos que aqui sempre estiveram e que ajudaram a construir o seu “berço esplêndido”. Com esse julgamento os Povos Indígenas perderam o direito de serem consultados sobre toda e qualquer interferência em seus territórios, perderam o direito de saber quem entra e porque entra em suas casas, perderam o direito de reivindicarem a ampliação dos seus territórios, tiveram diminuído o seu direito de usufruto pleno das riquezas de seus territórios, perderam o direito de recuperar as terras usurpadas e sua autonomia. É chegada a hora de os Povos Indígenas do Brasil juntamente com seus legítimos e verdadeiros lideres fazerem uma reflexão e instituir um novo discurso, uma nova prática e um novo olhar sobre suas relações com Estado Brasileiro. Sabemos que existe um abismo que separa os 20 pontos absurdamente colocados pelo STF como condição para a manutenção de RSS em área contínua e a realidade das lutas indígenas, na verdade a realidade é muito mais hilária! Se continuar essa arrogância jurídica do STF com os Povos Indígenas, sabemos que as guerras na ponta irão intensificar. Existe uma grande diferença entre dizer no STF que não é preciso consultar os índios para absolutamente nada, e autorizar um empreendimento em qualquer território indígena... Sabemos que a reação dos Povos Indígenas será muito diferente do dito pelo STF, porque simplesmente não foram parte dessa decisão. É necessário que lideranças indígenas lúcidas e sábias façam uma análise fria desse julgamento e a partir daí iniciar uma nova articulação com instituições do Estado, no sentido de assentarem, em bases confiáveis um novo “contrato” nas relações entre Povos Indígenas e o Estado Brasileiro.Os Povos Indígenas do Brasil estão sofrendo um processo de recolonização, de tutela renovada e um tremendo choque civilizatório"!


[1] Vitória pírrica ou vitória de Pirro é uma expressão utilizada para expressar uma vitória obtida a alto preço, potencialmente acarretadora de prejuízos irreparáveis.

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